cab nigéria mundial'2014

16 anos depois, a Colômbia regressa à elite do futebol internacional num Campeonato do Mundo, onde é tida como uma das selecções cotadas da competição. Com uma geração recheada de talento e criatividade, os colombianos têm razões para sonhar com excelentes prestações de uma equipa composta por alguns jogadores de classe mundial. A experiência das suas defesas, e a irreverência e virtuosismo dos seus atacantes, são as principais armas da esquadra comandada pelo conceituado técnico José Pekerman.

Inserida num dos grupos mais equilibrados do Mundial, juntamente com Japão, Costa do Marfim e Grécia, a selecção colombiana pode assumir-se como a mais forte deste grupo C. Assim sendo, é provável que a equipa atinja os oitavos-de-final da prova e só a partir daí se provará se a equipa tem estofo para comprovar as elevadas expectativas que o mundo do futebol lhes coloca para este Campeonato do Mundo.

A campanha de qualificação de Los Cafetones começou por ser atribulada, com a equipa a somar uma série de maus resultados nos primeiros cinco jogos, o que levou ao despedimento de dois técnicos num curto período de tempo. Hernan Dário Gomez, o seleccionador que iniciou o apuramento para o Brasil, saiu após o primeiro jogo da fase de qualificação para o seu lugar; surgiu, de forma interina, Leonel Alvarez. A dança de treinadores acabou com a chegada de José Pekerman, um experiente treinador argentino, que estabilizou a equipa e conseguiu implementar os seus processos de jogo num leque de jogadores em sub-rendimento.

A partir do momento em que Pekerman surgiu no comando da Colômbia, as vitórias e o bom futebol começaram a ser uma marca da equipa, e os oito triunfos em 13 jogos, sob a orientação do argentino, conduziram a selecção tricolor ao segundo lugar da fase da qualificação sul-americana. Jogadores como Falcão, James Rodriguez e Fredy Guarin foram fundamentais na segura campanha da Colômbia até ao Brasil, numa equipa com um espírito de entreajuda bastante apurado.

Apesar da ausência de Falcão, a grande estrela da equipa, por lesão, Pekerman terá à sua disposição um leque de fabulosos pontas de lança que encantam no futebol europeu e que prometem fazer esquecer El Tigre. Bacca, Jackson Martinez, Teofilo Guitierrez ou Adrian Ramos são todos avançados de excelência e sinónimo de golos. No meio campo, Guarin  é um poço de força, que alia uma incrível capacidade física a uma incrível meia distância. À sua frente no terreno terá o mágico James Rodriguez, o pensador de jogo da equipa e o elemento mais preponderante na manobra ofensiva de Los Cafetones.

Com uma das melhores gerações de sempre, a selecção colombiana reúne todas as condições para fazer o melhor Mundial da sua história. Nunca, em quase cem anos de existência, o futebol colombiano teve uma selecção nacional tão equilibrada, poderosa ofensivamente e com valores seguros nos sectores defensivos e intermédios. Se a alma desta equipa está nos seus portentosos avançados, é justo afirmar que a experiência dos seus defesas, a juntar ao poder técnico e físico do meio-campo, são pontos que poderão conduzir a Colômbia a uma fase muito adiantada da competição.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: David Ospina (Nice/França), Farid Mondragón (Deportivo Cali/Colômbia) e Camilo Vargas (Independiente Santa Fé/Colômbia).

Defesas: Camilo Zúñiga (Nápoles/Itália), Pablo Armero (West Ham/Inglaterra), Cristian Zapata (Milan/Itália), Mario Yepes (Atalanta/Itália), Carlos Valdés (San Lorenzo/Argentina), Santiago Arias (PSV/Holanda), Eder Álvarez Balanta (River Plate/Argentina);

Médios: James Rodríguez (Monaco/França), Abel Aguilar (Toulouse/França), Carlos Sánchez (Elche/Espanha), Fredy Guarín (Inter/Itália), Juan Fernando Quintero (FC Porto/Portugal), Aldo Ramírez (Morelia/México), Alex Mejía (Atlético Nacional/Colômbia), Víctor Ibarbo (Cagliari/Itália) e Juan Guillermo Cuadrado (Fiorentina/Itália).

Avançados: Jackson Martínez (FC Porto/Portugal), Teófilo Gutiérrez (River Plate/Argentina), Carlos Bacca (Sevilha/Espanha) e Adrián Ramos (Borussia Dortmund/Alemanha).

A ESTRELA

Sem Falcão, James será a maior estrela da selecção colombiana Fonte: Revista Futebolista
Sem Falcão, James será a maior estrela da selecção colombiana
Fonte: Revista Futebolista

Na ausência de Radamel Falcão, James Rodríguez assume-se como a estrela mais cintilante da constelação colombiana. Com uma técnica apuradíssima, o jovem de apenas 22 anos é o pensador do jogo ofensivo da equipa e o elemento que mais desequilibra na formação colombiana. Do seu pé esquerdo de altíssima qualidade sairão, certamente, passes mortíferos a explorar a velocidade dos avançados e dos laterais.

Depois de uma época de estreia positiva ao serviço do Mónaco, onde ajudou a sua equipa a alcançar o acesso directo à Liga dos Campeões, marcando nove golos e fazendo dezenas de assistências, James irá aparecer muito confiante no Brasil para colocar a funcionar a máquina colombiana. Seja como número 10, ou descaído para a ala esquerda, iremos ver muitas vezes este jogador a tentar organizar o jogo da equipa e conduzir a bola com a rapidez e elegância que o caracterizam. Dele também podemos esperar remates de belo efeito e eficácia nas bolas paradas, bem como uma entrega total ao jogo, própria de um incrível talento que se quer mostrar num Campeonato do Mundo.

O TREINADOR

Pékerman irá comandar a Colômbia no Mundial do Brasil Fonte: ETCE/ Carlos Ortega
Pékerman irá comandar a Colômbia no Mundial do Brasil
Fonte: ETCE/ Carlos Ortega

José Pékerman é um conceituado treinador argentino, maioritariamente reconhecido pelo seu sucesso enquanto treinador das camadas jovens da Argentina. Entre 1994 e 2001, orientou os Sub-20 argentinos, tendo vencido três mundiais na categoria.

Depois do excelente trabalho nos escalões jovens, Pékerman foi designado seleccionador da equipa principal do seu país, em 2003. Conhecedor profundo do futebol sul-americano, Pékerman foi finalista vencido na Taça das Confederações, em 2005, e entrou no Mundial da Alemanha, um ano depois, entre os principais favoritos. Os argentinos praticaram um futebol de enorme qualidade, ficando na retina alguns jogos esplendorosos numa selecção recheada de talento. Contudo, a Argentina caiu aos pés dos anfitriões, no desempate por grandes penalidades, nos quartos-de-final da prova, e Pékerman abandonou o cargo no final da competição.
De uma aventura no México, tornou-se seleccionador da Colômbia, em 2012, onde chegou já com a fase de qualificação para o Mundial a decorrer. Graças ao seu metodismo e organização, Pékerman conseguiu implantar as sua ideias na equipa e conduziu a Colômbia ao seu primeiro mundial desde 1998, alcançando o segundo lugar na fase de apuramento. Adepto de um futebol tecnicista e ofensivo, tem jogadores para adoptar esse sistema de jogo na selecção colombiana e, assim, boas possibilidades de chegar longe na competição.

O ESQUEMA TÁTICO

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Esta Colômbia é uma selecção recheada de talentos individuais, mas é também uma equipa bastante coesa e equilibrada.  Pekerman é um treinador que gosta de que as suas equipas controlem a posse de bola, ao mesmo tempo que dinamizam o jogo, através de jogadas rápidas. James e Cuadrado são jogadores perfeitos para acelerarem o jogo ofensivo da equipa e tanto sabem ocupar zonas laterais, como zonas mais centrais, abrindo espaços para explosivos  flanqueadores Armero e Zuniga. As constantes subidas no terreno dos laterais são um dos pontos fortes desta selecção, que imprime muita velocidade ao seu jogo.

Para compensar este ímpeto ofensivo da equipa, Pekerman aposta em Sanchez para equilibrar a equipa defensiva, à frente dos fortes centrais Yepes e Zapata. Ao lado do trinco do Fluminense deverá aparecer o  dinâmico médio Fredy Guarín, que, depois de se tornar uma das estrelas do Inter de Milão, surgirá extremamente confiante no Mundial do Brasil.

Sem Falcão entre os convocados, Jackson Martínez será o homem mais adiantado da equipa e o jogador alvo. Um pouco atrás, e à frente de James e Cuadrado, Teófilo Gutiérrez parece ser o preferido do Pékerman para apoiar o ponta-de-lança do F.C.Porto, já que o técnico argentino pretende ter um jogador que seja o elo de ligação entre o meio-campo ofensivo e o ponta-de-lança. No entanto,  há muito talento ofensivo no plantel colombiano, e jogadores como Bacca, Quintero ou Rincon serão sempre sérios candidatos ao onze titular.

O PONTO FORTE

A qualidade do quarteto ofensivo da equipa é a grande arma da selecção colombiana. Qualquer um dos avançados convocados joga em grandes clubes internacionais e surgem em grande forma para este Mundial. Jackson foi o melhor marcador em Portugal, Ramos um dos melhores na Alemanha, Bacca chegou às duas dezenas golos na época de estreia em Espanha, e Guitierrez foi decisivo na conquista do título do River Plate, na Argentina. Apenas dois destes quatro extraordinários avançados podem entrar no onze, mas enriquecem grandemente o leque de opções de José Pékerman. Atrás da dupla de avançados, estarão dois jogadores soltos e de inesgotável talento, como são Cuadrado e James. As deambulações e acelerações constantes destes dois craques irão causar muito perigo às defesas adversárias. Para além da qualidade do quarteto ofensivo, é importante destacar as  incursões no ataque por parte dos laterais Armero e Zuniga. Rápidos e tecnicistas, estes laterais, que encantam no futebol italiano, serão importantes desbloqueadores do jogo ofensivo colombiano e são muitas vezes chamados a jogo pelos médios.

O PONTO FRACO

A zona central da defesa desta selecção parece ser o seu ponto mais vulnerável e periclitante. Apesar da sua experiência e bom sentido posicional, o capitão Mário Yepes acusa alguma falta de velocidade e isso poderá ser prejudicial para a equipa em jogos de maior dificuldade. Ao seu lado deverá jogar Zapata ou Perea, mas quer um quer outro revelam alguns problemas de posicionamento, apesar de serem fortes e pujantes no jogo aéreo.

Por outro lado, os laterais da Colombia Armero e Zuñiga são melhores a atacar do que a defender e as sucessivas subidas no terreno destas unidades poderão descompensar um pouco a equipa, sobretudo se Pékerman optar por colocar Guarin em vez de Aguilar, que é um médio mais defensivo e contido ofensivamente do que o jogador do Inter. Se tal acontecer, Sanchez, o tampão da equipa, poderá ter algumas dificuldades em equilibrar a equipa sozinho, apesar de ser um médio aguerrido e com um excelente sentido posicional.

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