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“Nem pensámos em Portugal ou na Alemanha, só nos perguntávamos «Outra vez os Estados Unidos?»“. Quando Asamoah disse isto, depois do sorteio, não estava a menosprezar a Alemanha e Portugal, mas sim a realçar mais um encontro com os Estados Unidos em Mundiais. Podemos dizer que o Gana tem tido uma história de sucesso nos Mundiais, e essa história está ligada aos Estados Unidos, selecção que vão defrontar pelo terceiro Mundial consecutivo. A história ganesa começa em 2006. Do contingente africano na Alemanha, onde apenas a Tunísia não era estreante, o Gana foi a única selecção que conseguiu passar aos oitavos de final, ao superar um grupo onde estava Itália, Republica Checa e, claro, Estados Unidos. Ao passar um grupo que se antevia complicado para os franceses, o Gana ganhava o rótulo de equipa-sensação da prova. Nos oitavos-de-final, seria eliminado pelo Brasil. Em 2010, o Gana encontrou a Alemanha, a Austrália e a Sérvia na fase de grupos e passou em segundo, atrás dos alemães. Nos oitavos-de-final, a história voltaria a repetir-se, com os americanos a serem de novo os adversários do Gana. A selecção africana acabaria por cair nos quartos-de-final, nas grandes penalidades, frente ao Uruguai.

Neste Mundial, os Black Stars, como são conhecidos, querem voltar a fazer uma prova igual ou melhor em relação às edições passadas. Mas a missão não será fácil. Para além dos seus companheiros de Mundial, os Estados Unidos, o Gana tem pela frente duas selecções que estão, para muitos, no top 10 de favoritas à conquista da prova, Portugal e Alemanha. Será difícil fazer o mesmo que nos outros anos, mas o Gana estará sempre à espreita de um possível deslize destas duas selecções e tem plantel para ombrear com elas. E, claro, vai querer manter a invencibilidade frente aos Estados Unidos, no terceiro confronto consecutivo.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Stephen Adams (Aduana Stars), Adam Kwarasey (Stromsgodset – Noruega) e Fatau Dauda (Orlando Pirates – África do Sul)

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Defesas: Daniel Opare (Standard Liege – Bélgica), Harrison Afful (Esperance Tunis – Tunísia), John Boye (Rennes – França), Jonathan Mensah (Evian – França), Rashid Sumalia (Mamelodi Sundowns – África do Sul) e Samuel Inkoom (Platanias – Grécia)

Médios: Michael Essien, Sulley Muntari e Rabiu Mohammed (Kuban Krasnodar – Rússia), Mubarak Wakaso (Rubin Kazan – Rússia), Afriyie Acquah (Parma – Itália), Emmanuel Agyemang-Badu (Udinese – Itália), Kwadwo Asamoah (Juventus – Itália), Albert Adomah (Middlesbrough – Inglaterra), Andre Ayew (O. Marselha – França) e Christian Atsu (Vitesse Arnhem – Holanda)

Avançados: Abdul Majeed Waris (Valenciennes – França), Jordan Ayew (Sochaux – França), Asamoah Gyan (Al Ain – Emirados Árabes Unidos) e Kevin-Prince Boateng (Schalke 04 – Alemanha)

A ESTRELA

Kevin-Prince Boateng Fonte: Getty Images
Kevin-Prince Boateng
Fonte: Getty Images

É difícil apontar uma estrela. Entre os experientes Essien e Muntari, ou os grandes valores, como André Ayew, Kwadwo Asamoah e Asamoah Gyan, a selecção ganesa está bem servida. No entanto, o destaque vai para Kevin Prince-Boateng. O irmão de Jerôme Boateng (vão defrontar-se neste Mundial) é conhecido pela sua versatilidade, podendo jogar nas alas ou no meio. A sua velocidade e força serão precisas se o Gana quiser voltar a brilhar no Mundial, sem esquecer o seu drible.

O TREINADOR 

Kwesi Appiah, o técnico do Gana Fonte: Ghanasoccernet.com
Kwesi Appiah, o técnico do Gana
Fonte: Ghanasoccernet.com

James Kwesi Appiah pegou na selecção do Gana em 2012. O antigo internacional ganês já tem alguns anos de trabalho com a selecção, tendo trabalhado como adjunto da selecção principal entre 2007 e 2012 e tendo conquistado os All Africa Games com a selecção sub-23 do Gana. Entrou para a história como sendo o primeiro treinador negro a apurar o Gana para um Mundial. A confiança no trabalho do seleccionador é muita, tendo Appiah renovado por mais dois anos.

O ESQUEMA TÁTICO

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PONTO FORTE

O ponto forte desta selecção é o meio campo/ataque. O Gana assenta o seu jogo no meio-campo, onde os experientes Essien e Muntari  são peças fundamentais, tanto a defender como a distribuir jogo. Na frente, a velocidade de Boateng, Ayew e Asamoah, e a mira apontada de Asamoah Gyan podem fazer estragos. Com uma média de três golos por jogo e sendo Asamoah Gyan um dos melhores marcadores da fase de apuramento, os ganeses prometem pôr em sentido as defesas adversárias.

PONTO FRACO

O ponto fraco é a defesa, principalmente as laterais. A grande parte dos golos concedidos nasce das laterais ofensivas do Gana. Se contra selecções mais fracas isso não foi problema, no Mundial, principalmente frente à Alemanha e a Portugal, isso pode tornar-se fatal.