cab irão mundial'2014

Ora, não sendo eu um profundo conhecedor da selecção iraniana, farei os possíveis para deleitar os mais ávidos fãs do país orientado pelo nosso bem conhecido Carlos Queiroz. Numa qualificação sofrida, a turma de Queiroz estava obrigada a não falhar nos últimos três jogos… e não o fez: conseguiu somar três vitórias, duas pela margem mínima, colocando em delírio os mais de 65 milhões de pessoas que tomaram as ruas de assalto para os festejos.

Não sendo um país amplamente conhecido pelo seu futebol, o Irão parte para este Mundial do Brasil completamente sem pressão. Num grupo relativamente difícil – com Argentina, Bósnia Herzegovina e Nigéria – o sonho de passar pela primeira vez da fase de grupos parece um tanto ou quanto distante. Contudo, os iranianos acreditam que podem fazer uma gracinha com Queiroz ao leme, mal-amado aquando da passagem pela turma das Quinas. O português acredita que pode ter uma prestação que orgulhe a nação. Sem praticar um futebol brilhante na fase de qualificação, o Irão tem que elevar o seu nível de jogo se pretende levar de vencida qualquer das equipas do seu grupo. Se, de facto, sonham com a passagem à fase seguinte, o primeiro jogo frente à Nigéria poderá provar-se decisivo.

A nação iraniana deposita as esperanças da tal gracinha no ponta-de-lança Reza Ghoochannejhad (Gucci), que provou ser decisivo na qualificação com três golos nos três jogos da morte. É unânime que Queiroz fez um bom trabalho com a selecção da antiga Pérsia. Contudo, nem tudo foram rosas para o treinador português, que durante a qualificação teve de descartar o seu guarda-redes titular por alegados problemas pessoais – Queiroz afirmou numa entrevista à FIFA que foi uma decisão complicada mas necessária para que pudesse transmitir a mensagem de que nenhum jogador está acima da equipa. Resta saber se o colectivo de Queiroz está à altura desta competição, sendo que o historial não favorece os iranianos – somam apenas uma vitória (histórica) sobre os EUA por 2-1 e dois empates contra a Escócia e Angola em Mundiais. De resto, só derrotas.

OS CONVOCADOS (24 elementos) 

Guarda-redes: Daniel Davari (Eintracht Braunschweig/Ale), Rahman Ahmadi (Sepahan Isfahan) e Alireza Haqiqi (Sporting de Covilhã/Por).

Defesas: Hossein Mâhini (Persepolis), Jalal Hosseini (Persepolis), Ehsan Hajsafi (Sepahan Isfahan), Amir Hossein Sadeghi (Esteghlal), Hashem Beykzadeh (Esteghlal), Khosroo Heidari (Esteghlal), Ahmad Alenemeh (Naft Tehran), Mohammad Reza Khanzadeh* (Zob-Ahan Isfahan), Pejman Montazeri (Umm Salal SC/Qat) e Steven Beitashour (Vancouver Whitecaps FC/Can).

Médios: Mehrdad Pouladi (Persepolis), Reza Haghighi (Persepolis), Andranik Teymourian (Esteghlal), Ghasem Hadadifar (Zob-Ahan Isfahan), Bakhtiar Rahmani (Foolad), Javad Nekounam (Kuwait SC/Kuw) e Massoud Shojaei (UD Las Palmas/Esp).

Avançados: Karim Ansarifard (Tractor Sazi), Reza Ghoochannejhad (Charlton Athletic/Ing), Alireza Jahanbakhsh (NEC/Hol) e Ashkan Dejagah (Fulham/Ing).

(*chamado de prevenção, em virtude da lesão de Beykzadeh)

A ESTRELA

Javad Nekounam Fonte: Footballerpics.com
Javad Nekounam
Fonte: Footballerpics.com

Com a saída de Mahdavikia, Javad Nekounam ocupou o seu lugar e assumiu a mesma preponderância no onze iraniano. Embora seja Gucci o marcador de serviço, Nekounam é uma espécie de talismã para esta selecção e é o principal motor de jogo da equipa – marca golos importantes com alguma regularidade e é um jogador de grandes momentos.

O TREINADOR

Carlos Queiroz Fonte: Getty Images
Carlos Queiroz
Fonte: Getty Images

Depois de uma campanha desapontante ao leme da selecção portuguesa, marcada por problemas entre jogadores e treinador, assumiu este desafio de treinar o Irão e até agora não tem desiludido. Incutiu nos jogadores uma noção táctica não verificada até então e evoluiu imenso os processos defensivos da equipa.

O ESQUEMA TÁTICO

11 irão 

O PONTO FORTE

A solidez defensiva desta equipa iraniana é algo a ter em conta: em 16 jogos na fase de qualificação conseguiram evitar que as suas redes balanceassem por 10 ocasiões. 10 jogos sem sofrer golos é obra. Veremos se conseguem manter a concentração na defesa no Brasil. 

O PONTO FRACO

 Se a defesa é ponto forte, o ataque é o pólo oposto – dependem demasiado da inspiração de Gucci nos momentos decisivos, e, se querem sonhar, têm de concretizar melhor.

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