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Grupo A – O Chile joga em casa e é, também por isso, o favorito a ficar em primeiro lugar no grupo. Um México sem as principais figuras e um Equador abnegado lutarão pelo segundo posto, sendo que o terceiro classificado poderá também figurar na ronda seguinte (os dois melhores terceiros passam). A Bolívia corre por fora e não deverá conseguir mais do que um empate.

CHILE

Tem um bom conjunto de jogadores, joga em casa e pode ir longe na competição. Actuando sobretudo num 3-5-2, com Gary Medel a comandar a defesa, Arturo Vidal a orquestrar o meio-campo e Alexis Sánchez a explodir no ataque, tudo o que fique aquém de um apuramento para os quartos-de-final será uma enorme desilusão. A Roja, que tem em Claudio Bravo, Charles Aránguiz e Eduardo Vargas outras das suas figuras, conseguiu uma vitória histórica frente à Espanha (2-0) no último Mundial e só caiu nos oitavos perante o anfitrião Brasil, nas grandes penalidades.

Contudo, 2015 tem sido um pouco mais tremido para a selecção chilena. Em quatro amigáveis, conseguiu duas vitórias (3-2 frente aos EUA e um magro triunfo em casa perante El Salvador) e consentiu outras tantas derrotas (o 0-1 contra o Brasil é normal, mas o 0-2 com o Irão fez soar os alarmes). A equipa de Jorge Sampaoli tem na garra, na entrega e no rigor táctico algumas das suas grandes armas, apesar de a qualidade técnica desta geração ser também evidente. Os já mencionados Vidal e Sánchez conferem à selecção chilena um estatuto internacional que faz dela a grande favorita do grupo.

Deve também realçar-se a profundidade conferida aos flancos pelos incansáveis Isla e Mena. O músculo de Vidal e Aránguiz, bem como de Marcelo Díaz, dá à equipa a intensidade que talvez faltasse quando o virtuoso Valdivia tinha um papel mais preponderante. De realçar a chamada de David Pizarro, que teve um percurso atribulado na Roja e já não estava presente numa grande competição desde os Jogos Olímpicos de 2000. Matías Fernández, bem conhecido dos portugueses, fez uma boa época na Fiorentina e também está entre os convocados.

O Chile, que nunca ganhou nenhum troféu internacional, tem agora, junto dos seus adeptos, uma boa oportunidade para tentar essa difícil tarefa.

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Arturo Vidal vai comandar as operações no meio-campo chileno

MÉXICO

Como já é hábito na Copa América, onde surge como país convidado, o México privilegia na sua convocatória os atletas que actuem dentro de portas – algo que este ano faz sentido, porque a Gold Cup se joga dentro de um mês. Desta forma, os relvados do Chile ver-se-ão privados de nomes como Chicharito, Guardado, Giovanni dos Santos e Carlos Vela (isto é, das maiores figuras mexicanas), para além dos portistas Héctor Herrera e Diego Reyes. Em condições normais, o conjunto comandado por Miguel Herrera teria todas as condições para ficar nos dois primeiros lugares do grupo; assim, lutará arduamente com o Equador pela qualificação. Os mexicanos têm, no entanto, o conforto de saber que dois dos três terceiros classificados também seguirão em frente.

Importa, aliás, dizer que o México venceu os equatorianos (1-0) em Janeiro, embora tenha alinhado com vários atletas que agora não estarão presentes. De resto, daí para cá os aztecas registaram triunfos ante o Paraguai e a Guatemala (1-0 e 3-0, respectivamente) um empate frente ao Peru (1-1) e derrotas com os EUA e o Brasil (ambas por 2-0). Há alguma indefinição quanto ao sistema a apresentar, mas deverá ser algo entre o 5-3-2 e o 5-2-3. Certo é que os extremos Javier Aquino e Jesús Corona (é novo na selecção mas tem estado a bom nível) sairiam beneficiados com um esquema que lhes permitisse jogar no apoio a Raúl Jiménez, outro dos destaques individuais de um México pouco entrosado e que tem no “imortal” Rafael Márquez o seu esteio defensivo. O ex-Barcelona é, aliás, de longe o atleta mais experiente numa equipa algo “verde” – sem contar com Márquez, que tem 126 jogos pelo seu país, os atletas mais internacionais estão na casa das 30 partidas.

Na Copa América, o primeiro jogo do México será frente aos outsiders da Bolívia, pelo que, ganhando, os aztecas conseguem um impulso inicial que poderá ser importante numa competição tão curta como esta.

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Rafael Márquez confere experiência a uma selecção bastante jovem

EQUADOR

É incontornável: as lesões de Antonio Valencia e de Felipe Caicedo foram duras contrariedades para Gustavo Quinteros e podem ser decisivas nas pretensões desta selecção, que ainda se ressente da morte do talentoso “Chucho” Benítez. Actuando num claro 4-4-2, o Equador tem evoluído bastante como equipa e, no último Mundial, só por azar não passou à fase seguinte – esteve a ganhar à Suíça e acabou por perder com um golo nos descontos que se revelaria fatal, conseguindo, ainda assim, uma vitória frente às Honduras e um empate contra a França. Agora, com o ponta-de-lança móvel  Enner Valencia como principal destaque, os equatorianos vão tentar passar a fase de grupos desta competição pela primeira vez desde 1997. E têm condições para isso.

O eixo da defesa é, contudo, um dos maiores pontos fracos desta selecção – embora Guagua, um dos que mais tremia, não tenha sido chamado. O lateral Juan Carlos Paredes, que para o ano jogará na Premier League, e o extremo irrequieto Jefferson Montero, que já actua nesse campeonato, são outras das maiores figuras. O Equador pratica um futebol agradável e terá aqui uma boa hipótese de passar a primeira fase, mas precisará de estabilizar a sua defesa, de gerir melhor os momentos do jogo e de saber viver sem Antonio Valencia, o seu melhor jogador. A tarefa não se avizinha fácil, mas também não será uma surpresa total ver esta equipa na ronda a eliminar. À partida tudo se decidirá com o México, no último jogo.

Em 2015, o Ecuador realizou quatro partidas e apenas ganhou a última, frente ao Panamá (4-0). De resto, registou-se um empate (1-1, também frente ao Panamá mas no terreno do adversário) e duas derrotas pela margem mínima (0-1 contra o México, 1-2 contra uma Argentina sem Messi).

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Enner Valencia trará qualidade e imprevisibilidade ao ataque do Equador

BOLÍVIA

Longe vão os tempos de Cristaldo, Sandy e do nosso bem conhecido Erwin Sánchez. Os anos 90 foram o período de ouro de uma Bolívia sem grande tradição no futebol, nem antes nem depois dessa era. Em 1994, contudo, o país qualificou-se para o Mundial pela primeira vez em 44 anos e, em 1997, perdeu com o Brasil na final da Copa América, disputada em casa. Daí para a frente, foi sempre eliminado na fase de grupos. E, desta vez, não será diferente.

Com a esmagadora maioria dos convocados a actuar no fraco campeonato nacional, a principal figura continua a ser o avançado Marcelo Moreno, qual oásis de qualidade técnica numa equipa muito pouco competitiva e completamente estagnada – desde a tal qualificação para o Mundial de 1994, só por uma vez a Bolívia escapou aos dois últimos lugares do apuramento sul-americano. Porém, o facto de Moreno não marcar pela sua selecção há dois anos acentua o já débil estatuto da Verde.

Numa equipa praticamente sem experiência europeia, será interessante seguir Sebastián Gamarra, jovem médio de 18 anos do Milan que, contudo, não deverá somar muitos minutos. De resto, o central Ronald Raldes confere alguma experiência a uma equipa que, para além de Moreno, tem no já desgastado Pablo Escobar um dos elementos mais esclarecidos. A recente goleada (0-5) sofrida perante a Argentina dá conta da fragilidade boliviana, que poderia levar Mauricio Soria a apostar num sistema de três centrais. Isso, no entanto, não deverá acontecer. A escolha recairá, provavelmente, num 4-4-1-1, com Escobar no apoio a Moreno.

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Marcelo Martins Moreno é um oásis de qualidade na fraca selecção boliviana

Fotos: Facebook Oficial da Copa América 2015

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