internacional cabeçalho

Precisamente 14 anos depois, uma equipa anfitriã da Copa América volta a vencer no jogo de estreia. Depois de dois empates e uma derrota, eis que o Chile volta a repetir o feito da Colômbia, em 2001, vencendo o Equador, curiosamente, com o mesmo “score” conseguido pelos cafeteros ante a Venezuela – 2-0.

Uma vitória importante para as hostes chilenas, não tanto pelo apuramento em si (esse, com uma vitória apenas ficaria muitíssimo bem encaminhado dada a facilidade de passagem à fase de grupos – em 12 equipas, apenas 4 passam aos quartos) mas pela forma como os chilenos têm vivido os dias que antecedem a Copa América e que ficou bem patente na cara de um dos 22 miúdos chilenos que tiveram a sorte de acompanhar os jogadores das selecções chilena e equatoriana ao campo no jogo de abertura da Copa América. Notava-se o orgulho dos pais e dos amigos à medida que no ar compenetrado com que cantava o hino nacional chileno perante e com 46 mil almas que partilham causas como o patriotismo e a paixão pelo futebol, ambas fortemente enraizadas na cultura deste povo.

Os jogadores chilenos, movidos pelo cidadão chileno que existe dentro deles e pela energia eletrizante que chegava das bancadas, entraram com tudo para cima do adversário e aos quatro minutos já tinham criado duas ocasiões de sério perigo, ambas com Alexis Sanchez como protagonista – primeiro através de uma diagonal que “rasgou” a defesa equatoriana e que lhe permitiu um cara-a-cara com o guarda-redes Alexis Dominguez, desperdiçado com um remate ao lado e depois aproveitando um passe, nas costas da defensiva contrária, a explorar a sua velocidade e que voltou a colocá-lo em posição privilegiada para faturar, mas os quase dois metros do guardião equatoriano e não permitiram o chapéu do jogador do Arsenal.

A toada manteve-se, com o Chile a carregar sobre um Equador completamente desnorteado perante uma fluidez de jogo assinalável, assente em trocas de bola rapidíssimas, “patrocinadas” por permutas de posição frequentes (Valdivia e Diaz entendiam-se muito bem, ficando sempre um a fechar o meio-campo e o outro a construir) e a excelente envolvência dos laterais (mais Isla que Bouseajour – o jogador da Juventus chegou mesmo a “cheirar” o golo) com os homens da frente – Vidal subia muito e servia de ponte para o entendimento com Alexis Sanchez.

Anúncio Publicitário

Até final da primeira parte, o jogo chileno foi sendo estagnado pelo Equador, que ia ganhando “terreno emocional” ao seu adversário. O passar do tempo fazia crescer uma ansiedade indesejável por parte dos homens da casa, e o início do segundo tempo deu continuidade a este reequilíbrio de forças, alicerçado na sincronização do meio campo do Equador – Noboa e Lastra ganhavam o meio campo, permitindo a Bolaños construir. Esta harmonia permitia que a  equipa forasteira fosse conseguindo expandir o seu jogo, criando mesmo oportunidades de perigo, quase sempre saídas dos pés de Jefferson Montero.

Arturo Vidal marcou o primeiro golo do jogo (esq.) Fonte: Site Oficial da Copa América'2015 (Getty)
Arturo Vidal marcou o primeiro golo do jogo (esq.)
Fonte: Site Oficial da Copa América’2015 (Getty)

Foi, portanto, em contra-ciclo, que o Chile chegou à vantagem. Numa grande penalidade convertida por Vidal, após falta sofrida pelo próprio (sem discussão). Golpe duro nas ambições equatorianas e que fez com que a equipa demorasse a recuperar, no entanto, conseguiu-o, e numa jogada de insistência, quase chegava ao empate, com Enner Valência a cabecear à barra da baliza de Claudio Bravo.

A incerteza voltava a pairar… mas mais uma vez, o Chile conseguia inverter o ciclo de domínio contrário – Aléxis aproveita um passe mal executado em zona proibida e assiste Vargas, que, isolado, não tem dificuldades em marcar o 2-0 que sentenciaria o encontro. Até final, Matías Fernandez seria expulso por acumulação de amarelos, algo que não mancha porém, a alegria do triunfo chileno. Uma vitória que vale mais que três pontos, vale o orgulho e a alegria do povo chileno que não alimentou ilusões em vão, pelo menos, para o jogo de abertura da Copa América 2015. Aliás, até lhes fez crescer água na boca pelo excelente espectáculo a que assistiram. A continuar assim, esta edição do torneio sul-americano de selecções tem razões de sobra para contar a ser acompanhada por eles… e por nós.

A Figura:

Jefferson Montero – Enner Valência era a referência ofensiva “no papel”, mas era Jefferson Montero que a equipa equatoriana procurava quando pretendia criar perigo (quantas vezes se viu Paredes [lateral-direito] a virar o flanco procurando o lado esquerdo do ataque), e tinha razões para o fazer – sempre que tocava na bola, parecia que o jogo crescia em intensidade e emoção. Jefferson Montero contribuiu muito para que o jogo inaugural da Copa América 2015 servisse de propaganda ideal da competição.

O Momento do jogo:

67 minutos, penalty para o Chile – Vidal, na área, é puxado por Bolaños e converte o castigo máximo correspondente. Inaugurou-se o marcador numa altura em que o Equador começava a ficar por cima no jogo e o golo revelou-se decisivo para se colocar um travão na ansiedade chilena, que, caso subisse de intensidade, podia trazer consigo consequências nefastas.

O Fora-de-jogo:

Ibarra – Entrou bem no encontro, agitou-o e quase que deu uma segunda vida ao Equador depois do abanão provocado pelo golo inaugural do Chile, mas o passe que errou, em zona proibida e para um jogador proibido (Alexis Sanchez), custou caro à equipa – originou o 2-0 – e é aquilo que salta à vista de uma performance que teve pouco mais de 10 minutos (entrou aos 80).

Foto de Capa: Site Oficial da Copa América’2015 (Getty)