Copa América’2015 – Bolívia 1-3 Peru: Quando os highlights não são uma curta metragem

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A discussão durante todo o dia centrou-se mais na finalização sui generis de Gonzalo Jara numa “baliza alternativa” do que propriamente no futebol jogado. Também por isso, o jogo entre os underdogs da fase a eliminar – do qual iria sair o adversário dos anfitriões – serviu para voltar à emoção dos golos e afastar o (tão inevitável quanto lamentável) teatro das polémicas.

O embate entre Bolívia e Peru há-de ter proporcionado uma agradável dor de cabeça aos responsáveis pela montagem dos melhores momentos das cadeias televisivas por esse mundo fora, tamanho o número de oportunidades que foram aparecendo em catadupa, com excepção feita aos minutos iniciais de ambas as partes. Ambas as equipas mostraram desde cedo ao que vinham, mas não tardou a perceber-se qual dos guarda-redes teria mais trabalho. Ciente das suas limitações, a Bolívia procurou povoar mais o seu sector defensivo com uma aposta vincada em três centrais, atribuindo aos laterais e sobretudo ao centro-campista Chumacero a árdua tarefa de conectar o jogo ofensivo com os mais avançados Moreno e Peña. Já o Peru assumiu o seu favoritismo sem reservas, exibindo um recorte técnico difícil de estancar e com sucessivos avisos às redes de Quiñonez.

Advíncula e Vargas, um de cada lado a “lavrar” autenticamente as respectivas alas, iam causando o desnorte perante uma defesa com muita gente mas com muito pouco acerto posicional. Foi dos pés do veterano da Fiorentina que saiu o cruzamento perfeito para Guerrero, com um cabeceamento à ponta de lança, abrir as hostilidades e colocar justiça no marcador. Quatro minutos volvidos, aos 24’, tentavam os bolivianos encontrar alguma serenidade após o primeiro golpe quando foram novamente apanhados em contra-pé. Muito mérito para Cueva na condução da jogada, para o espectacular toque em habilidade de Farfán e, claro está, para a calma de Guerrero na cara de um Quiñonez pouco expedito na decisão de cortar pela raiz os seus intentos.

O Peru vai enfrentar o Chile nas meias-finais da Copa América'2015 Fonte: Site Oficial da CA'2015
O Peru vai enfrentar o Chile nas meias-finais da Copa América’2015
Fonte: Site Oficial da CA’2015

Não obstante, os dois golos sem resposta que corporizaram o sinal mais dos peruanos não deitaram por terra as aspirações adversárias. Smedberg, com um toque de Erwin Sanchez nas botas, encarregou-se de finalmente dar algum trabalho a Gallese; em lances sucessivos sobre a esquerda, o jogador de origem sueca semeou o pânico na área peruana com uma sequência de cruzamentos venenosos que podiam ter relançado a discussão antes do descanso. Ainda assim, bastava aos blanquirrojos imprimir um pouco mais de velocidade nas transições para criarem situações flagrantes de golo. Farfán acertou no poste aos 37 minutos em mais uma demonstração académica daquilo que deve ser um contra-ataque, Cueva (grande jogo) serviu Guerrero para um hat-trick que podia ter chegado aos 44 e Farfán – outra vez – mandou toda a gente para o balneário com o eco de mais uma bola na trave, desta feita na cobrança (quase) perfeita de um livre directo.

A segunda metade trouxe mais do mesmo. Torpor inicial e torrente de oportunidades daí em diante. O Peru denotava um ligeiro abrandamento, mas sem que tal significasse uma perda do controlo das operações. Farfán, sempre presente, dispôs de uma clara oportunidade para facturar em mais uma falha de marcação grosseira. Isto momentos antes de entrar Carrillo para agitar as águas, rendendo um Cláudio Pizarro francamente apagado; o atleta vinculado ao Sporting soube explorar as debilidades de uma equipa que procurava desesperadamente reentrar na discussão da partida, quase assistindo Cueva para golo num dos seus primeiros famosos raids.

Não entrava em ataque organizado, entraria por oferta de Danny Bejarano. O ainda médio do Oriente Petrolero, por certo a pensar no seu novo contrato com o Panetolikos ou noutra coisa qualquer bem distante, serviu numa bandeja o hat-trick a Paolo Guerrero, que se limitou a desviar a bola de um desamparado Quiñonez. Até ao final, nota de destaque para o tento de honra dos bolivianos, apontado pelo incansável Marcelo Moreno da marca de grande penalidade, e para mais um par de oportunidades desperdiçadas pelo recém entrado pacense Hurtado.

Em jeito de rescaldo, a amostra deixada neste jogo dos quartos de final abre excelentes perspectivas para o duelo com o Chile. Paolo Guerrero, Farfán e companhia lançaram um contundente aviso: os anfitriões vão ter que suar bastante para seguir para a final, pois há talento suficiente de ambos os lados para se avançar com prognósticos seguros. A Bolívia acaba por sucumbir à falta de rigor posicional e também por um acumulação assombrosa de erros individuais. A vontade e a entrega ao jogo não são suficientes para ganhar jogos quando a organização defensiva se mostra tão desastrosa.

A Figura:

Paolo Guerrero – O nome dispensa apresentações e o selo de qualidade do dianteiro peruano ficou vincado no placard. Foram três golos, poderia ter apontado ainda mais e fez por dar outros a marcar. Já não caminha para novo, mas ainda seria uma opção interessante para muitos clubes europeus.

O Fora-de-Jogo:

Defesa boliviana – O exemplo acabado de como escalar uma equipa com tracção atrás não é sinónimo de segurança. A cada troca de bola peruana os sinos tocavam a rebate no sector recuado da Bolívia, os laterais – sobretudo na primeira parte – foram presas fáceis e as falhas de preenchimento dos espaços aconteciam a cada lance.

Foto de Capa: Site Oficial da Copa América’2015

Tiago Lima
Tiago Limahttp://www.bolanarede.pt
A simples referência à palavra “futebol” é suficiente para captar a sua atenção. Adepto do Vitória Sport Clube, que segue religiosamente, devora com voracidade todo o jogo que lhe apareça à frente, desde a Premiership à Premier League de Malta, com paragens frequentes na Bélgica, na Bolívia ou noutro qualquer apeadeiro desde que haja uma bola a rolar.                                                                                                                                                 O Tiago não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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