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Quando me perguntarem o que me faz gostar de futebol, este jogo vai servir de exemplo. Isto é futebol. Pode criticar-se a anarquia táctica de parte a parte, mas isto é futebol no seu estado mais puro. O jogo pelo jogo. O jogo que apaixona milhões por todo o mundo. Este ficará gravado para mais tarde recordar.

Na segunda jornada do grupo A da Copa América, Chile e México protagonizaram um dos encontros mais alucinantes dos últimos tempos. No final, nem chilenos nem mexicanos conseguiram a vitória, mas ambos tentaram tudo para sair com os três pontos. Foram 90 minutos disputados num ritmo louco, com intensidade máxima e duas equipas à procura do golo.

O Chile apresentou-se da mesma maneira com que havia vencido o Equador, mas provavelmente não esperaria um México tão personalizado depois da exibição medíocre contra a Bolívia. A equipa orientada por Herrera surgiu completamente revigorada em relação à primeira partida e criou bastantes dificuldades ao conjunto da casa durante o primeiro tempo. Com laterais participativos, uma dupla de médios bem mais presente e Corona responsável pela criação de desequilíbrios, a “Tri” conseguiu chegar à vantagem. Vuoso, que desta feita teve a companhia de Jiménez, suplente inesperado no jogo inaugural, bateu Bravo com assistência do avançado do Atlético de Madrid. A resposta não tardou, com Vidal a restabelecer a igualdade no minuto seguinte. Na sequência de um canto, o médio da Juve apareceu sozinho na grande área e cabeceou de forma potente para o empate. Jiménez não quis ficar atrás e, também através de um canto, devolveu a liderança à sua equipa com um espectacular golpe de cabeça. O Chile voltava a estar em desvantagem, mas na recta final do primeiro tempo ganhou ascendente no encontro, muito por culpa das acções de Valdivia, e chegou de forma merecida ao 2-2. Isla e Vidal combinaram bem no lado direito (têm demonstrado um excelente entendimento, o que não surpreende) e o médio cruzou para o golo de Vargas, avançado que justificou plenamente a entrada na equipa titular.

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Jiménez, que foi suplente no primeiro jogo, entrou para dar outro poder ao ataque mexicano
Fonte: Facebook da Copa América 2015

O final da primeira parte teve continuidade no início da segunda. Uma boa entrada da equipa da casa viria a dar pela primeira vez a vantagem no encontro, com Vidal a ganhar um penalty e a encarregar-se da marcação, assumindo-se como a grande figura chilena até ao momento. “La Roja”, com a qualidade habitual no último terço, estava a massacrar a defesa mexicana, incapaz de travar as combinações rápidas de Alexis, Vargas e companhia. Num desses lances, Valdivia marcou um grande golo de fora da área, mas o árbitro anulou por fora-de-jogo no início da jogada. Logo a seguir, novo empate no marcador. Aldrete, com um passe longo para as costas da defesa chilena, isolou Vuoso, que não perdoou na cara de Bravo.

O experiente avançado mexicano, que tinha sido uma nulidade frente à Bolívia, aproveitou as debilidades da turma de Sampaoli no controlo da profundidade (uma espécie de “problema crónico”) para bisar na partida. A partir daqui, só deu Chile. Só por falta de eficácia é que o país anfitrião desta Copa América não saiu com os três pontos. Valdivia ia pautando todo o jogo chileno, as oportunidades sucediam-se e Alexis chegou a introduzir novamente a bola na baliza de Corona, mas o árbitro voltaria a anular por posição irregular. O México, que acusou o desgaste nos últimos minutos, perdendo alguma capacidade de chegar ao ataque, pode dar-se por satisfeito por ter saído com um empate. Ainda assim, o resultado acaba por servir mais a chilenos do que a mexicanos, agora obrigados a vencer na última jornada (um empate dificilmente chegará).

O Chile, apesar de não ter vencido, acabou por realizar uma exibição mais convincente do que no primeiro encontro, sobretudo na segunda parte. As entradas de Albornoz (bom lateral-esquerdo, bastante activo no primeiro tempo) e Vargas (tem de ser indiscutível nesta selecção) foram apostas certeiras de Sampaoli e melhoraram o rendimento da equipa. A dinâmica ofensiva dos chilenos, assente nas subidas dos laterais, nas entradas de Vidal e Aránguiz, na classe de Valdivia e nos “diabos” Alexis e Vargas, voltou a impressionar e promete fazer muitos estragos nesta Copa América.

Do lado dos centro-americanos, Herrera conseguiu fazer o mais importante depois da péssima partida de estreia: mudar o “chip” demasiado passivo e conservador deste México “B” (convém não esquecer que as principais figuras foram poupadas para a Gold Cup). O resultado foi uma subida de rendimento colectiva, consequência de uma ligação entre sectores bem mais eficaz. Apesar dos problemas defensivos, acentuados pela ausência por lesão de Rafa Márquez, as ilações a retirar deste encontro são positivas. Os laterais Flores e Aldrete estiveram mais expeditos na exploração dos flancos, os médios Güemez e Medina foram competentes no primeiro tempo (especialmente o segundo) e a inclusão de Jiménez deu claramente outro poder ao ataque. Corona, se conseguir ser mais objectivo, pode ter um papel ainda mais importante nesta equipa.

A Figura:

Arturo Vidal/Jorge Valdivia – O jogador da Juve está numa forma soberba e tem-se assumido como o patrão da equipa. Assinou dois golos, fez uma assistência e tem sido decisivo pela forma como aparece vindo de trás. Quanto ao médio do Palmeiras, é um daqueles génios que encanta a cada toque na bola. Visão, capacidade de decisão e muita qualidade técnica. Parece que vê antes dos outros. Aos 31 anos e sem problemas físicos, o seu maior “handicap”, tem mais uma oportunidade de mostrar que é um jogador que se destaca dos demais.

O Fora-de-Jogo:

Num jogo tão memorável como este, é injusto nomear alguém pela negativa.

Foto de Capa: Facebook da Copa América 2015

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