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Não há dúvidas de que a Copa América 2015, a ser iniciada na próxima quinta-feira com as partidas do grupo A, é a edição mais aguardada do torneio continental nas últimas décadas. Afinal, a boa performance das seleções sul-americanas no Mundial do Brasil e o bom momento vivido por muitas delas no período pós-Mundial fazem crer que teremos um torneio marcado por jogos bastante aguerridos, mas também de ótima qualidade técnica. Perante isto, podemos apontar pelo menos cinco equipes candidatas ao troféu – é claro, umas mais favoritas, outras um pouco menos, mas todas em condições de representar a América do Sul na Taça das Confederações de 2017.

ARGENTINA

Tata Martínez promoveu o regresso do vice-campeão europeu Carlitos Tévez à seleção  Fonte: TyCSports.com
Tata Martínez promoveu o regresso do vice-campeão europeu Carlitos Tévez à seleção
Fonte: TyCSports.com

A vice-campeã do mundo chega à Copa América como principal favorita. Apesar da mudança de treinador após o Mundial, a albiceleste aposta na manutenção da base que vem compondo a seleção nos últimos anos: dos 23 nomes da lista final de Tata Martino, 16 estavam na edição de 2011 do torneio continental. O principal destaque dessa vez é o regresso de Carlos Tévez, após alguns anos afastado da equipe por problemas pessoais com a AFA (Associação de Futebol Argentino). O atacante da Juventus disputa com Kun Agüero a titularidade no ataque para jogar ao lado de nomes de peso como Messi, Di María e Higuaín.

Mas não é só no setor ofensivo que os argentinos chegam fortes à competição. Apesar da importante ausência de Musacchio, lesionado, Martino espera manter a estabilidade defensiva conquistada por Alejandro Sabella na Copa do Mundo e, para isso, conta com a boa fase de jogadores como Nicolás Otamendi, um dos melhores centrais da última liga espanhola, e Ezequiel Garay, de qualidade já conhecida pelos portugueses, além de Zabaleta, títular absoluto na lateral-direita do Manchester City.

Contra a Argentina, pode pesar o facto de Tata Martino – pelo menos nos amigáveis após o Mundial, como nas derrotas frente a Brasil e Portugal – ainda não ter conseguido implantar na totalidade a sua filosofia de jogo, mais baseada no toque de bola, em contraste com estilo mais vertical de Sabella. Outro fator a destacar é a enorme pressão sobre os argentinos, que estão há 22 anos sem conquistar qualquer título. Ainda assim, pode-se dizer que o conjunto de Messi é o que chega mais “pronto” para esta Copa América.

BRASIL

Roberto Firmino deverá ser titular no ataque, com a estrela Neymar  Fonte: latestnews360.com
Roberto Firmino deverá ser titular no ataque, com a estrela Neymar
Fonte: latestnews360.com

Redenção. Esta é a palavra-chave que o Brasil busca após a humilhação sofrida para a Alemanha, há quase um ano. E a dura missão de recuperar o prestígio da seleção brasileira foi dirigida a Dunga, de perfil rígido e disciplinador (tanto dentro como fora de campo).

O início do novo trabalho do capitão do tetra parece promissor: são oito vitórias em oito partidas, com 18 golos marcados e apenas 2 sofridos – incluindo triunfos de peso, como o 2-0 sobre a Argentina e o 3-1 sobre a França no Stade de France. Taticamente, a equipe tem a marca do seu treinador: uma defesa sólida, com linhas compactas que deixam pouco espaço para o adversário, e uma transição defesa-ataque de muita velocidade, com Fernandinho, Oscar e, é claro, o talento de Neymar. Há a destacar, ainda, o bom entrosamento do jogador do Barça com Roberto Firmino, atacante de muita movimentação e boa finalização, autor de dois golos nos últimos três jogos. Também vêm de boas atuações pela canarinha o goleiro Jefferson, bem como Danilo, Miranda e Felipe Luís.

Porém, ainda é preciso ver como se sairão Neymar e companhia num torneio oficial. Além disso, nem todas as vitórias recentes foram convincentes, a exemplo do 1-0 contra a seleção chilena, em Londres, que registou a pior atuação da seleção brasileira após o Mundial. Dunga, enfim, terá a sua primeira prova de fogo no Chile.

CHILE

Alexis Sanchéz e Arturo Vidal - as duas maiores figuras da seleção da casa  Fonte: goal.com
Alexis Sanchéz e Arturo Vidal – as duas maiores figuras da seleção da casa
Fonte: goal.com

Uma das poucas seleções a nunca ter vencido a Copa América, o Chile nunca sonhou de forma tão realista com o título inédito. Os donos da casa mantêm a mesma base que eliminou a Espanha e ficou a centímetros de despachar o Brasil do Mundial, com talentos como Alexis Sánchez, Arturo Vidal e Claudio Bravo e os bons coadjuvantes Aránguiz, Vargas e Matías Fernández. Além, claro, do excelente técnico Jorge Sampaoli (não é exagero dizer que está entre os melhores do mundo), que montou um 3-5-2 equilibrado, marcado pela velocidade e pelo bom toque de bola.

O nível dos adversários não vai ser o único obstáculo para La Roja no torneio. O fator psicológico e o facto de ser tratada como candidata ao título vai exigir dos jogadores muita força mental – além de ter que superar a sina de “afinar” em grandes jogos, principalmente contra Brasil e Argentina. A baixa estatura da defesa, deixando o jogo aéreo vulnerável, e a falta de um “homem-golo” para definir as jogadas também são problemas comumente enfrentados por Sampaoli. Contudo, não se pode negar que se depender do apoio da agitada torcida chilena, teremos um Chile fortíssimo em busca da taça.

COLÔMBIA

Jackson, Falcao e James - três jogadores que ilustram bem o poder de fogo dos cafeteros  Fonte: AP
Jackson, Falcao e James – três jogadores que ilustram bem o poder de fogo dos cafeteros
Fonte: AP

Futebol ofensivo e atacantes de altíssimo nível são as principais apostas da Colômbia para abocanhar o título continental. Desde que conquistou o seu único título, em 2001, quando jogou em casa, que a equipe tricolor não chega tão forte ao certame, mas chega com alguns problemas a esta Copa América. O técnico José Pekerman perdeu por lesão os médios Aguilar e Guarín, o criativo Quintero e o atacante Adrián Ramos, sendo Guarín, por exemplo, um importante jogador no 4-4-2 de Pekerman. O treinador argentino também conta com atletas de temporadas contrastantes em 2014/2015: enquanto Falcao e Cuadrado jogaram pouco e de forma insatisfatória por Manchester United e Chelsea, James Rodríguez, Carlos Bacca e Jackson Martínez vivem grande fase em Real Madrid, Sevilla e FC Porto. Sem contar com Teo Gutiérrez, que vem embalado por uma grande atuação pelo River Plate na Copa Libertadores.

São poucas as seleções com tão boas opções do meio para frente quanto a Colômbia. O bom entrosamento entre James e Cuadrado, aliado à capacidade goleadora de Falcao, Jackson e Bacca, é de provocar dores de cabeça em qualquer defesa. Edwin Cardona, médio do Monterrey, também é um jogador a seguir atentamente. Mesmo sem ter uma defesa que transmita tanta segurança, os colombianos podem e devem bater-se de igual para igual com qualquer adversário.

URUGUAI

Na ausência de Suárez, será Cavani a assumir o protagonismo na formação uruguaia  Fonte: beinsports.fr
Na ausência de Suárez, será Cavani a assumir o protagonismo na formação uruguaia
Fonte: beinsports.fr

O atual campeão chega sob certa desconfiança ao Chile. Luís Suárez ainda cumpre suspensão pela mordida em Chiellini no Mundial e é um desfalque pesado para a Celeste, que agora tem em Edison Cavani as esperanças para alcançar voos mais altos nesta edição. Além da ausência de Suárez, a falta de criatividade no meio-campo também preocupa os uruguaios, que não contam com nenhum nome de peso para o setor no cenário internacional – apenas promessas, como De Arrascaeta, e jogadores de quem muito se esperava e pouco renderam na carreira, como Lodeiro e Cristian Rodríguez.

Por outro lado, o eixo defensivo continua a ser o ponto forte da equipa. O sempre dominante Godín e o promissor Giménez formam uma dupla respeitável, tendo como suplentes outros dois bons centrais, Velázquez e Coates. Maxi Pereira, que vem da melhor temporada da carreira pelo Benfica, deve ser outra peça importante da equipa como válvula de escape, assim como Abel Hernández, atacante habilidoso do Hull City.

E se falamos do Uruguai, falamos de quem sabe, como poucos, jogar uma competição a eliminar. Gastar o tempo quando necessário, provocar o adversário na medida certa, brigar por cada dividida como um faminto atrás de um prato de comida e ser fatal nos momentos decisivos. Por essas e outras, não se pode subestimar o maior campeão da Copa América.

Levy Guimarães

Foto de Capa: www.diez.hn

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