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México e Jamaica defrontaram-se na final da Gold Cup, contrariando todas as previsões que davam como quase certa uma final entre mexicanos e a equipa da casa, os EUA. A verdade é que os jamaicanos chegaram ao jogo decisivo por mérito próprio, apresentando inclusivamente o melhor registo de golos sofridos da competição (apenas 3). O México, por sua vez, era o ataque mais concretizador (13 golos), mas a verdade é que para isso muito contribuiu o primeiro jogo, frente a Cuba, que os aztecas venceram por 6-0. Depois disso o México empatou sempre e, quando ganhou, fê-lo apenas no prolongamento e sempre através de penáltis – com a agravante de o lance contra a Costa Rica, nos quartos-de-final, ser bastante duvidoso e de o castigo máximo frente ao Panamá aos 90’, que levou a partida para prolongamento, ser inexistente. Pode dizer-se, por isso, que a final devia ter-se disputado entre jamaicanos e panamenhos.

Mas, se a presença mexicana na final é imerecida, o triunfo na partida decisiva é incontestável. A equipa de Manuel Herrera, disposta num 3-5-2, foi quase sempre superior à Jamaica, mesmo não podendo contar com Carlos Vela e com o portista Herrera. Tirando os primeiros 15 minutos, em que os jamaicanos empurraram o adversário para o seu meio-campo fazendo-se valer de uma boa estampa física, jogando a um ou dois toques e envolvendo os laterais no jogo ofensivo, o México conseguiu mandar na partida com naturalidade. A maior objectividade e serenidade iniciais do conjunto treinado pelo alemão Winfried Schäfer foram sendo suplantadas pela maior técnica, experiência e organização colectiva dos mexicanos.

Os aztecas fizeram valer a sua superioridade no meio-campo, tanto numérica como de qualidade, para impor o seu futebol à Jamaica. O virtuoso Andrés Guardado mostrou ser, uma vez mais, a figura principal da sua equipa, mas Jesús Dueñas (substituiu Herrera no onze) foi uma agradável surpresa e mesmo Jonathan dos Santos, não sendo um trinco (contra adversários melhores terá mais dificuldades se actuar nessa posição), realizou um bom jogo em virtude de ter sido muito mais requisitado na construção do que no momento defensivo. Nas laterais, Paul Aguilar cumpriu à direita mas, no flanco contrário, Miguel Layún esteve em foco, procurando invariavelmente o jogo interior para provocar desequilíbrios. Na frente, Oribe Peralta esteve sempre mais fixo do que Jesús Corona, mas foi este último quem, fazendo uso da sua boa agilidade e capacidade de drible, protagonizou mais lances de perigo. Já os centrais Diego Reyes, Francisco Rodríguez e Oswaldo Alanís tiveram uma noite tranquila, bem como o guardião Guillermo Ochoa.

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Guardado e Watson foram os melhores das respectivas equipas, mas foi o mexicano quem mais brilhou
Fonte: Facebook Oficial Selección Nacional de México

O primeiro golo do México surgiu aos 31 minutos, por intermédio de Guardado. Livre a meio-campo, bola alta para Dueñas na direita, cruzamento e vólei tecnicamente perfeito com o pé esquerdo do número 18, sem deixar a bola bater no chão. Os mexicanos estavam confortáveis no jogo e poderiam ter ficado ainda mais, caso o árbitro tivesse expulsado, como devia, o capitão da Jamaica, Rodolph Austin.

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O segundo tempo começou com novo golo do México. O central Michael Hector atrapalhou-se com a bola no meio-campo, o jovem craque Corona conduziu-a até à entrada da área e rematou cruzado de pé esquerdo. 2-0 para a Verde, que confirmava na prática o seu favoritismo teórico. A partir daí o jogo perdeu interesse, com o México a controlar de forma tranquila e a Jamaica não conseguir reagir às contrariedades. Aos 60’ a história da partida teve o seu ponto final, quando o desastrado Hector colocou a bola nos pés de Peralta e este aumentou a vantagem. A boa entrada em campo da Jamaica já era, por esta altura, uma memória distante.

Daí para a frente, jogou-se para cumprir calendário. Os caribenhos queriam mas não podiam, e o México geria a seu bel-prazer. Até final os mexicanos podiam, mesmo em ritmo de passeio, ter marcado por mais uma ou duas vezes, mas foram os Reagge Boyz que chegaram ao golo, por intermédio do suplente Darren Mattocks. Prémio de consolação para uma equipa que, pese embora a derrota, alcançou a sua melhor classificação de sempre na Gold Cup, superando o 3º lugar de 1993. O México, por seu turno, confirmou a sua supremacia continental: venceu três das últimas quatro edições da Gold Cup e dobrou o número de conquistas dos EUA, o principal rival (10 contra 5). Vitória indiscutível da melhor equipa em campo – que, contudo, e conforme já se disse, não devia ter marcado presença na final.

Última nota para a exibição da Jamaica, que realizou uma grande competição. Plenamente conscientes das suas fragilidades, os jamaicanos apostaram num 4-4-2 com dois avançados móveis (Simon Dawinks e Giles Barnes). Apesar de tecnicamente limitada, equipa esteve muito organizada e agressiva (por vezes demasiado) até sofrer o 2-0. Je-Vaughn Watson foi o maior destaque pela positiva, emprestando muito músculo ao meio-campo e apoiando algumas vezes o ataque, fruto de uma enorme disponibilidade física. O extremo-esquerdo Jobi McAnuff também não esteve mal. Contudo, apesar de algumas boas indicações, os Reagge Boyz foram macios e pouco criativos no último terço, mostrando não terem armas para contrariar o México. Tirando os primeiros minutos, raramente chegaram à área adversária. O golo de Mattocks caiu do céu.

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Corona esteve em bom plano e não engana: é craque
Fonte: Facebook Oficial Selección Nacional de México

 

A Figura

Andrés Guardado – melhor jogador mexicano na Gold Cup e na final. Foi o mais esclarecido mesmo quando era a Jamaica que controlava, fazendo uso da sua inteligência, visão de jogo, condução e técnica de passe para levar a sua equipa para a frente. Pisou zonas mais interiores do que seria de esperar, mas é aí que rende mais. Grande golo a desbloquear o marcador. Corona (pode ter um grande futuro), Layún e Dueñas foram os outros jogadores em maior destaque.

O Fora-de-Jogo

Verdade desportiva – Desde a fase de grupos – onde só ganhou a Cuba – que o México não marcava um golo sem ser de penálti. Tanto contra a Costa Rica (castigo máximo aos 120+4’) como frente ao Panamá (aos 90+10’) foram evidentes a más decisões dos árbitros. Premeditado? Ninguém o saberá dizer, mas a verdade é que o Panamá foi arredado da final por uma péssima decisão. Mais um exemplo de como quem rejeita a introdução de tecnologias no futebol está a contribuir para a perpetuação da mentira. Quando ao jogo propriamente dito, o central jamaicano Hector esteve péssimo em dois dos três golos sofridos pela sua equipa e terá de ser o destaque negativo.

 

Foto de capa: Facebook Oficial Selección Nacional de México

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