A CRÓNICA: LANCE INFELIZ MANCHOU UMA BOA EXIBIÇÃO (DA 1.ª PARTE)

Foi com vista para o mar que Portugal voltou a encarar os compromissos internacionais, nomeadamente o play-off para o Campeonato da Europa de 2022. De um lado, certamente, Camões estava espiritualmente presente para que pudesse ajudar no início da história para as portuguesas se qualificarem para o segundo europeu consecutivo. Mas, do outro, estava a nação de Tolstói e com também uma escrita poderosa queria, pelo menos, começar a descrição de Lisboa para terminar em grande em Moscovo… Enfim, literatura à parte. O importante era uma vista assim para o Tejo inspira-se o nosso escritor para o início de mais uma epopeia.

O nome Elvira Todua foi uma das grandes novidades no onze russo e já que o tema saúde lembrei-me da minha antiga médica de família. Infelizmente, nem a guarda-redes russa nem a doutora trazem boas notícias. Porque digo isto? Quando vamos ao médico alguma coisa, normalmente, está errada e, por isso, informa-me do que está errado e neste jogo a russa parecia uma autêntica parede. Que o diga Tatiana Pinto, pois, a jogadora portuguesa ia fazendo um autêntico chapéu à minha médica de família (ups…).

A qualificação russa espantou por só ter perdido frente às atuais campeãs europeias, a seleção holandesa, e sem grandes dados pensou-se talvez o pior. Contudo, as russas iam mostrando dificuldades em conseguir estar no último terço do campo e nem Korovkina ou Fedorova conseguiam assustar Patrícia Morais. Por isso, no final dos 45 minutos a parede russa impedia Portugal de estar na frente e isto combinado com a desinspiração da Rússia dava o nulo, que foi o resultado ao intervalo.

O descanso parece ter feito mal às portuguesas que apareceram de cabeça meio no ar com tudo o que se passava em campo. Aos seis minutos da segunda parte, Nelli Korovkina marcou, provavelmente, o golo mais fácil da sua carreira. Numa altura que Portugal até estava por cima, um balão veio do lado esquerdo, tocou na barra e com a defesa completamente sem saber o que fazer apareceu a russa para marcar o 0-1. A mesma ainda introduziu a bola na baliza uma segunda vez, aos 65 minutos, mas acabou por ser anulado.

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Portugal bem tentou empatar o jogo, mas as jogadoras nunca mais conseguiram criar o perigo que tinha existido na primeira parte. O resultado não mais mexeu depois do golo da melhor marcadora russa nesta qualificação. As portuguesas vão assim em desvantagem para a Rússia e com uma tarefa um pouco complicada, mas sabendo que pode dar conta do resultado. Esperemos que Camões faça uma pequena viagem até à gelada Rússia para nos ajudar com este “pequeno Cabo das Tormentas” que se terá de ultrapassar.

 

A FIGURA

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Cláudia Neto – Foi uma das mais inconformadas por parte da seleção portuguesa e a par de Francisca Nazareth foi o grande destaque desta partida. Não é por acaso que é a capitã e uma das mais experientes. A segunda parte já se denotava o grande cansaço físico existente na número sete portuguesa por ter chamado tanto o jogo para si. Com a alteração tática nos minutos finais acabou por não ajudar a que estivesse mais em jogo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

O lance do golo – Um lance que não devia ter acontecido de todo e que ninguém na defesa portuguesa está isenta de culpas. Apesar da grande exibição na partida, Patrícia Morais podia e devia ter feito muito melhor e a própria defesa portuguesa também ficou “aos papéis” como se costuma dizer. O início da jogada também se deve ao grande problema que a equipa portuguesa teve em equilibrar o meio campo e de conter as transições ofensivas russas.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Francisco Neto com baixas muito importantes devido às restrições das viagens para Portugal devido à pandemia de COVID-19, optou por continuar no 4-4-2 losango que também foi bastante utilizado pela seleção nos últimos jogos de qualificação. O selecionador nacional não promoveu grandes novidades para o onze sem serem aquelas que foram forçadas, como a Francisca Nazareth e a Carolina Mendes.

Dolores Silva continuava no vértice mais recuado do losango no meio campo, Tatiana Pinto e Cláudia Neto ficavam com o lado direito e esquerdo, respetivamente, enquanto Andreia Norton ficava a apoiar as duas avançadas e também a ajudar na pressão à primeira linha de construção.

Portugal procurava muito construir a partir do corredor esquerdo, principalmente com combinações entre Cláudia Neto e Francisca Nazareth, devido à grande facilidade de Joana Marchão. Porém, ia mostrando grandes dificuldades pelo lado direito, pois, Tatiana Pinto ficava muito a meio campo, tendo depois de Ana Borges ficar encarregada de todo o corredor.

A perder por 0-1, a seleção portuguesa ficou num 4-3-3 com Andreia Jacinto, Dolores Silva e Cláudia Neto a meio campo e com uma frente de ataque completamente nova com Ana Dias, Ana Capeta e Telma Encarnação.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Patrícia Morais (5)

Ana Borges (5)

Carole Costa (5)

Sílvia Rebelo (5)

Joana Marchão (6)

Cláudia Neto (7)

Dolores Silva (5)

Tatiana Pinto (4)

Andreia Norton (5)

Carolina Mendes (4)

Francisca Nazareth (7)

SUBS UTILIZADAS

Ana Capeta (5)

Telma Encarnação (6)

Andreia Jacinto (5)

Ana Dias (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RÚSSIA

As russas vieram a um dos extremos da Europa para se apresentarem num 4-2-3-1, esquema que foi habitualmente promovido pela selecionadora Elena Fomina durante grande parte da fase de qualificação. A grande dúvida para este encontro era saber se Yuri Krasnozhan iria ter o mesmo pensamento tático do que a antiga selecionadora ou se mostrava algumas alterações táticas. Contudo, deixou-se ficar pelos moldes antigos.

Contudo, houve algumas mudanças no onze inicial em relação àquilo que foi o último encontro de qualificação frente à Turquia. Desde logo, a surpresa de deixar a (quase) titularíssima Shcherbak no banco e apostar em Elvira Todua. Ekaterina Pantyukhina foi também outra das entradas para este play-off e voltou a perigosíssima Nelli Korovkina, a goleadora russa de serviço neste apuramento.

As russas quando estavam em missão defensiva acabavam por se posicionar num 4-4-2 com Kozlova a ficar como média defensiva e mais à frente Samoylova. Ainda assim, mostravam-se bastante permeáveis visto que acabavam sempre por descair onde estavam a bola e Portugal aproveitava para conseguir abrir para o lado contrário. O processo ofensivo russo passava muito por Maria Fedorova e pela tentativa de sair em contra-ataque rápido.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Elvira Todua (7)

Alsua Abdullina (5)

Anna Kozhnikova (5)

Anna Belomyttseva (5)

Kistina Mashkova (5)

Viktoriya Kozlova (6)

Elina Samoylova (5)

Ekaterina Pantyukhina (5)

Nadezhda Smirnova (5)

Marina Fedorova (7)

Nelli Korovkina (7)

SUBS UTILIZADAS

Yana Sheina (5)

Veronika Kuropatkina (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: Apesar de o meio campo ter estado muito bem na primeira parte, a seleção mostrou alguma dificuldade em estar equilibrado nesta zona do campo, sobretudo a nível defensivo e na segunda parte quando a Rússia saia em ataque rápido. Sente que foi por aqui que pode ter estado o sucesso da vitória da Rússia?

Francisco Neto: Acho que foi uma partida onde há duas partes distintas. A primeira parte, e até sofrermos aos 51 minutos o golo, porque voltámos a entrar bem na segunda parte. Nós ficamos intranquilos e a equipa ficou muito estendida ao longo do campo e, depois, a Rússia em contra ataque rápido conseguia ser muito perigosa. Na segunda parte, tivemos uma grande dificuldade em pegar no jogo e de crescer no mesmo. Ainda fizemos uma alteração, mais ou menos aos 70 minutos, para conseguir equilibrar as coisas e ainda tivemos algumas situações com a Telma Encarnação, mas não marcámos. A primeira parte tivemos um numero de oportunidades que a este nível precisamos de marcar concretizar, infelizmente não aconteceu e o resultado é este [a derrota com por 0-1].