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A evolução das selecções jovens nesta década

Tiago Serrano · 4 min

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Cabeçalho Seleção NacionalNo final da década de oitenta, as selecções jovens nacionais começaram a ganhar visibilidade com várias classificações de relevo: foram campeões europeus de sub-16 em 1989, vice-campeões europeus de sub-18 em 1888 e 1990, ficaram em terceiro lugar no mundial de sub-17 em 1989 e, como cereja no topo do bolo, a conquista do Mundial de juniores (sub-20) em 1989.

Estes feitos deram o mote para uma década de noventa que seria uma era dourada no futebol jovem em Portugal. Começando pela revalidação do título mundial de sub-20 no nosso país em 1991, na mesma categoria, ainda ficámos em terceiro lugar em 1996 no Qatar. Fomos ainda campeões europeus de sub-18 em 1994 e 1999, campeões europeus de sub-16 em 1995, 1996 e 2000. Fomos vice-campeões europeus de sub-21 em 1994 e ficámos em quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996.

Já no século XXI, em 2003 fomos campeões europeus de sub-17 e vice-campeões europeus de sub-19 e no ano seguinte ficámos em terceiro lugar no Campeonato da Europa de sub-21. No entanto, daí para a frente, o futebol jovem português atravessou um período de decadência, seguindo-se vários anos sem prestações relevantes nas competições internacionais das diversas camadas jovens.

A revalidação do título mundial de juniores em casa é um dos pontos altos da selecção nacional Fonte: FPF
A revalidação do título mundial de juniores em casa é um dos pontos altos da selecção nacional
Fonte: FPF

As coisas voltaram a entrar nos eixos, quando em 2011, a nossa selecção de sub-20, com uma equipa sem grandes promessas do futebol europeu, surpreendeu tudo e todos e acabou vice-campeã mundial, caindo apenas aos pés do Brasil após prolongamento. Com uma equipa que ficou apelidada de “Geração Coragem”, esta geração daria o mote para as prestações nas competições seguintes.

Em sub-19, fomos vice-campeões europeus em 2014 e semi-finalistas em 2013 e 2016. Em sub-17, fomos campeões europeus em 2016 e semi-finalistas em 2014 e fomos vice-campeões europeus de sub-21 em 2015. Mas, mais do que o regresso aos bons resultados nas camadas jovens, tem-se visto também mais e melhor aproveitamento dos jogadores que provêm dessas gerações.

Ora vejamos, no Mundial de juniores de 1991, vários jogadores que constituíram a equipa que revalidou o título mundial nesse ano acabaram por construir grandes carreiras a nível nacional e/ internacional, tais como João Vieira Pinto, Luís Figo, Rui Costa, Jorge Costa, Rui Bento, Abel Xavier e Capucho. Porém, também houve outros que se destacaram na competição e que, por um ou por outro motivo, não confirmaram o potencial que mostraram, tais como Brassard, Paulo Torres, Peixe, Toni e Gil Gomes.

Entretanto, das gerações que surgiram daí para a frente e se destacaram nas competições internacionais, foram poucos os jogadores que se aproveitaram daí para a frente. Por exemplo, da geração campeã europeia de sub-18 em 1994, Nuno Gomes e Quim foram os mais bem sucedidos. Das gerações de 2003, entre os sub-17, apareceram João Moutinho, Miguel Veloso, Vieirinha, Manuel Fernandes e Paulo Machado. De entre os vice-campeões europeus de sub-19 nesse mesmo ano, apenas dois jogadores se tornaram internacionais A: João Pereira e Hugo Almeida.

E, só para se ter uma maior noção de como se está a aproveitar as nossas gerações de jovens talentos, basta olhar para a nossa equipa foi campeã europeia no ano passado: Danilo e Cedric Soares foram vice-campeões mundiais de sub-20 em 2011; William Carvalho, João Mário, Raphael Guerreiro e Rafa foram vice-campeões europeus em 2015; Renato Sanches fez parte da selecção de sub-17 que foi semifinalista no Campeonato da Europa da Categoria em 2014 e saltou directamente dos sub-19 para os AA.

No entanto, o facto de termos conquistado o primeiro título internacional a nível sénior não se deveu apenas ao facto de se aproveitar mais e melhor os nossos jovens talentos. Deveu-se acima de tudo ao facto da mentalidade possuída pelas nossas selecções jovens campeãs ter sido transitada para a nossa selecção A, ou seja, a nossa selecção principal finalmente entendeu e mentalizou-se de que é capaz de derrotar qualquer equipa, contra tudo e contra todos.

O Europeu de sub-17 no ano passado foi o primeiro título de Portugal nesta nova geração Fonte: UEFA
O Europeu de sub-17 no ano passado foi o primeiro título de Portugal nesta nova geração
Fonte: UEFA

Entretanto, não houve melhor aproveitamento das jovens promessas nacionais única é simplesmente porque sim. Houve condições e circunstâncias que levaram a isso. Antes de mais, a crise económica que se viria a instalar no nosso país, juntamente com um fosso financeiro cada vez maior entre os clubes dos principais campeonatos europeus, levou com que vários clubes portugueses começassem a investir mais nos escalões de formação de modo a proporcionar mais e melhores condições para os seus jovens atletas.

Depois, a reinserção das equipas B, mas desta feita na Segunda Liga e não na Terceira Divisão, também foi um passo muito importante, pois permitiu que os jovens da cantera dos principais clubes nacionais tivessem um primeiro contacto com o futebol profissional e pudessem ser estimulados competitivamente ao jogaram contra jogadores que em vários casos, são pelo menos 10 anos mais velhos que eles.

Dadas as contas, este melhor aproveitamento das jovens promessas do futebol nacional já começou a dar os seus frutos na selecção A, mas estou convencido que o melhor ainda estará para vir. Certamente, não haverá lugar para todos e muito provavelmente, várias jovens promessas acabarão por ficar pelo caminho, mas o futuro da nossa selecção nacional promete ser muito risonho.

Foto de Capa: FPF

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos