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Cheira a novo! O seleccionador nacional de futebol anunciou, à hora de jantar de hoje, os 23 convocados para o Euro 2016. Fê-lo no novíssimo auditório da também novíssima Cidade das Selecções, e adoptou um discurso diferente dos anteriores, afirmando-se crente (pela qualidade) no primeiro triunfo do nosso país numa grande competição, mas sem tirar “os pés do chão”.

As novidades não ficam por aqui, pois há muita gente a estrear-se em certames deste género. Uma espécie de revolução esperada face a convocatórias anteriores, com nada mais nada menos que 10 “caloiros” e o regresso de jogadores como Ricardo Carvalho, que não contava para o seleccionador anterior.

Também o sistema táctico sofrerá alterações face ao que antes parecia estar estabelecido, passando-se de um 4x3x3 para um 4x4x2 que só o é “no início da partida”, conforme frisou Fernando Santos. Nesse sentido, e pela necessidade da envolvência ofensiva dos laterais, compreende-se a ausência de André Almeida, mesmo tendo em conta a polivalência do jogador do Benfica e a chamada de jogadores mais ofensivos para o seu lugar como Cedric ou Vieirinha, assim como a chamada de Eliseu e Raphael Guerreiro para o flanco contrário.

Continuando na defesa, o trio de guarda-redes foi o esperado (Anthony Lopes, Rui Patrício e Eduardo), numa óptica de continuidade e de ritmo de jogo. Falou-se em Beto, mas este não tem tido minutos e mesmo em Marafona para este posto, mas terá pesado o facto de não estar tão ambientado quanto os seus colegas aos grandes ambientes e responsabilidades de competições deste calibre.

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No ataque, e face à ausência de Danny, entende-se a chamada de Quaresma, porém, é um extremo puro, e muito provavelmente não se dará bem fora de zonas junto à linha lateral, pelo que um papel como avançado-móvel será de descartar. Ou seja, o experiente jogador do Besiktas deverá entrar, apenas em situações de recurso tal como, aliás, Éder, em alturas em que o rasgo nas laterais não funcione e em que seja necessário um extremo e/ou uma referência ofensiva fixa. Lamenta-se Hugo Vieira, que encaixaria muito bem no 4x4x2, mas também aqui se compreende o conservadorismo de Fernando Santos- é um jogador que não tem cheiro de balneário da Selecção e que não sabe o que é estar perante ambientes e responsabilidades de grande monta. De resto, a chamada de Nani, Rafa e, obviamnete, de Cristiano Ronaldo, entendem-se.

Renato Sanches irá mesmo ao Euro Fonte: Facebook Oficial de Renato Sanches
Renato Sanches irá mesmo ao Euro
Fonte: Facebook Oficial de Renato Sanches

Acabando no meio, porque é lá onde está a virtude… e a polémica, Renato Sanches foi chamado à Selecção Nacional. Havia muita gente a pedir a chamada do médio do Benfica e Santos acabou por lhes fazer a vontade, entrando, alegadamente, para o lugar de Bernardo Silva, embora ambos tenham características completamente diferentes, pois Renato é um miúdo que joga de trás para a frente, com um futebol musculado e aguerrido, enquanto Bernardo é mais fantasista e menos corpulento que o seu antigo colega no Benfica.

Entende-se que Bernardo seja preterido por motivos físicos, mas, perante a sua ausência, Pizzi, pela dimensão táctica que confere ao jogo e pela forma como expande o seu jogo do centro para o meio, encaixaria melhor no esquema de Fernando Santos do que propriamente Renato Sanches. Até pela maior experiência do trasmontano. As restantes chamadas entendem-se perfeitamente, e saúda-se o início de um novo ciclo com nomes que podem articular o meio-campo pelas rotinas estabelecidas no seu clube, nomeadamente Adrien, William e João Mário, possíveis titulares e que confeririam uma dinâmica interessante à equipa pelo seu entrosamento.

Sangue novo, ambição renovada. Estes são os 23 escolhidos para serem heróis. Que os exaltemos como tal no próximo 10 de Julho.

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