O Euro 2000, realizado na Holanda e na Bélgica, é a primeira competição internacional de selecções da qual eu tenho memória de assistir. E tenho memória dos jogos e da emoção que houve naquela competição. Ainda hoje, o Euro 2000 é visto por muitos como o melhor Europeu de sempre em termos de futebol jogado. Para tal distinção, muito contribuiu a equipa das quinas que, com uma Geração de Ouro no auge, se exibiu em grande plano.

Na fase de qualificação, Portugal ficaria em segundo lugar do grupo sete, atrás da Roménia e à frente da Eslováquia, Hungria, Azerbaijão e Liechtenstein. No entanto, a vitória por 3-0 na Hungria, no último jogo de qualificação, permitiu à equipa das quinas a qualificação directa para a competição na categoria de melhor segundo classificado.

Chegada a competição, o seleccionador nacional Humberto Coelho escolheria os seguintes 22 jogadores para representar a equipa das quinas no Europeu:

Guarda-redes – Vítor Baía, Pedro Espinha e Quim

Anúncio Publicitário

Defesas – Jorge Costa, Rui Jorge, Fernando Couto, Dimas, Abel Xavier, Beto e Secretário

Médios – Luís Vidigal, Paulo Sousa, Luís Figo, Rui Costa, Sérgio Conceição, Costinha, Paulo Bento e Capucho

Avançados – João Pinto, Sá Pinto, Pauleta e Nuno Gomes

No sorteio, pior seria impossível para Portugal, que iria estar inserido no grupo da morte, calhando no grupo A da competição, juntamente com a Inglaterra, a Roménia, que tinha ficado à sua frente na qualificação, e a Alemanha, então campeã europeia e que tinha afastado a equipa das quinas da qualificação para o Mundial em 1998.

O primeiro jogo do grupo contra a selecção da Inglaterra seria um dos jogos mais memoráveis da história do futebol na competição. Os Three Lions apresentavam-se na Holanda com uma equipa de grande qualidade, com uma espinha dorsal jovem composta por jogadores como David Beckham, Paul Scholes, Michael Owen e os irmãos Neville, mas que também contava com algumas referências experientes, tais como David Seaman, Tony Adams, Paul Ince e Alan Shearer.

O jogo não podia ter começado pior para a equipa das quinas que sofreu golo logo aos três minutos por intermédio de Paul Scholes. A equipa portuguesa procurou reagir, mas contra a corrente do jogo, a selecção de Sua Majestade aumentou a vantagem aos 18 minutos, após um remate de Steve McManaman.

Apesar das adversidades, a equipa das quinas não baixou os braços. Aos 22 minutos, Luís Figo reduziu a desvantagem através de um forte pontapé que ainda ressaltou na perna de Tony Adams. Aos 37 minutos, assistiu-se a um dos melhores golos da competição. Após Cruzamento de Rui Costa, João Pinto, sem ângulo e marcado de perto por Sol Campbell, cabeceou colocado e sem hipóteses para David Seaman. Estava reestabelecida a igualdade no marcador.

Aos 59 minutos, estaria confirmada a reviravolta no marcador. Com Rui Costa novamente na jogada, este assistiu para Nuno Gomes que, na cara de David Seaman, não vacilou e fez o 3-2 final. A selecção inglesa ainda procurou reagir, mas os seus atacantes foram muito bem anulados pela defesa portuguesa. Estava assim carimbada a primeira vitória na competição.

No segundo jogo seguir-se-ia a selecção da Roménia, que atravessava uma fase de transição geracional, misturando a juventude de Adrian Mutu e Christian Chivu, com a experiência de Gheorghe Hagi, Dan Petrescu e Gica Popescu. Num jogo muito táctico e com poucas oportunidades de perigo, um livre de Luís Figo já a acabar o jogo, Costinha antecipou-se ao guarda-redes Stelea e marcou o golo que assegurou o apuramento para os quartos-de-final.

Com o apuramento já assegurado, o seleccionador Humberto Coelho aproveitou o jogo contra a Alemanha para dar oportunidade aos jogadores menos utilizados, atribuindo, inclusive, as redes da baliza a Pedro Espinha. A envelhecida selecção alemã precisava de ganhar para sonhar com o apuramento.

No entanto, um hat-trick de Sérgio Conceição permitiu à equipa das segundas linhas portuguesas a maior vitória contra a selecção alemã. O resultado avantajado fez com que Humberto Coelho arranjasse um tempinho para fazer entrar o terceiro guarda-redes, Quim, cumprindo, assim, a sua primeira internacionalização pela equipa das quinas. Pleno de vitórias no grupo da morte. Melhor era impossível.

Seguiu-se a selecção da Turquia nos quartos-de-final, que contava com uma espinha dorsal do Galatasaray SK, que tinha acabado de conquistar a Taça UEFA. Nuno Gomes abriu o marcador aos 44 minutos, após assistência de Luís Figo. No entanto, no minuto seguinte, houve penálti a favor dos turcos, reinando a apreensão do lado português.

Porém, o guarda-redes assumiu o papel de herói, defendendo a grande penalidade cobrada por Arif Erdem. Aos 56 minutos, os mesmos protagonistas fariam o 2-0 final: Luís Figo a assistir e Nuno Gomes a marcar. Seguia-se a França nas meias-finais.

No jogo contra a selecção campeã mundial, Portugal voltaria a entrar bem no jogo, e Nuno Gomes inaugurou o marcador aos 19 minutos, com um pontapé de fora da área, e manteria a vantagem até ao intervalo. Porém, os bleus entrariam por cima do jogo na segunda parte e aos 51 minutos, Thierry Henry empatou o jogo, que acabaria por seguir para prolongamento.

No prolongamento, a equipa das quinas bem tentou, mas aos 117 minutos, após a polémica mão na bola de Abel Xavier, Zidane converteu a grande penalidade e carimbou o acesso à final através do Golo de Ouro. A estrelinha de campeão ditou as suas leis.

Apesar da forma dramática como a equipa das quinas foi eliminada, esta conseguiu passar uma mensagem bem vincada. A selecção de Portugal estava no convívio entre os grandes europeus e veio para ficar, marcando presença em todas as competições internacionais daí para a frente.

Artigo revisto por Joana Mendes

Comentários