cab seleçao nacional portugal

Com o empate cedido hoje perante a Suécia, Portugal venceu o grupo B do Euro Sub-21 e atingiu o seu principal objectivo, as meias-finais da competição, e com isso a presença nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a realizar no próximo ano.

Depois de dois encontros pautados pelo equilíbrio frente a Inglaterra (0-1) e a Itália (0-0), Portugal entrou hoje em campo com a consciência de que os 4 pontos já conquistados faziam de um empate o suficiente para assegurar a passagem à fase seguinte.

Apresentando o mesmo onze da primeira jornada – José Sá; Ricardo Esgaio, Paulo Oliveira, Tiago Ilori, Raphael Guerreiro; William Carvalho, Sérgio Oliveira (c), João Mário, Bernardo Silva; Ricardo Pereira e Ivan Cavaleiro -, a selecção comandada por Rui Jorge entrou forte no jogo – dominadora, trocando a bola com fluidez e velocidade, criando algumas oportunidades de perigo e reagindo de forma célere e eficiente à perda da bola.

A primeira grande chance dos lusitanos foi desperdiçada por William Carvalho, que tabelou com Ivan Cavaleiro dentro da área aos 6’ para, na cara do guarda-redes adversário, hesitar na hora de rematar. Ainda no primeiro quarto de hora, Sérgio Oliveira e Ricardo Pereira atiraram por cima potentes remates de meia distância que espelhavam por um lado o domínio português e por outro a incapacidade que os lusos iam demonstrando de fazer a diferença dentro da área.

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Alicerçada no habitual 4-4-2 losango, a equipa portuguesa mostrou-se muito sólida e coesa, ocupando muito bem os espaços no meio-campo e tendo na dupla de “falsos avançados” um importante garante de mobilidade, qualidade técnica, velocidade e capacidade de pressão. No entanto, a falta de uma referência mais posicional na área tornou inconsequentes grande parte das jogadas criadas no último terço, uma vez que os elementos que aparecem dentro da área se preocupavam mais em servir os companheiros à entrada da área, prontos para desferir remates de longe, do que em procurar o golo.

Ofensivamente, Portugal ia criando boas jogadas; defensivamente, mostrava-se irrepreensível. Para além da superioridade numérica no miolo e da já referida capacidade de pressionar alto, Portugal estava também a aniquilar as pretensões suecas com uma muito bem montada armadilha de fora-de-jogo, que ia travando o jogo directo dos nórdicos e, com isso, todas as suas aspirações a chegar à baliza. De resto, os suecos só conseguiam chegar à área portuguesa através de cruzamentos sem perigo e a primeira defesa de José Sá – herói nas outras partidas – surgiu apenas aos 44’, na sequência de um inofensivo remate rasteiro do médio Khalili (um dos melhores da sua equipa durante todo o jogo!). Nem mesmo a lesão de Tiago Ilori – rendido por Tobias Figueiredo aos 28’ – abalou a confiança e a competência da defensiva lusa.

A entrada de Tobias Figueiredo não abalou a boa prestação defensiva dos lusos  Fonte: Getty Images
A entrada de Tobias Figueiredo não abalou a segurança defensiva dos lusos
Fonte: Getty Images

Sempre com mais posse de bola, Portugal ia procurando mais frequentemente o lado esquerdo do ataque (Raphael Guerreiro, Sérgio Oliveira e Ivan Cavaleiro destacaram-se mais do que Ricardo Esgaio, João Mário e Ricardo Pereira durante o primeiro tempo), e foi aumentando, antes do intervalo, o número de ocasiões de perigo – Ivan Cavaleiro e Sérgio Oliveira, sempre de fora da área, eram os que mais procuravam o golo. De negativo, apenas a perda de influência de Bernardo Silva no jogo da equipa – o Príncipe do Mónaco entrou a todo o gás, mostrando todo o seu virtuosismo, e todo o jogo ofensivo começou por passar por si; todavia, nos últimos 20 minutos da segunda parte, andou um pouco mais desaparecido.

Depois do descanso, o cariz da partida mudou ligeiramente. Sabendo da liderança de Itália no outro jogo do grupo (tinha uma vantagem de 2-0 sobre os ingleses) – que dava às duas equipas a passagem às meias-finais -, Portugal entrou com menos fulgor e permitiu à Suécia chegar algumas vezes à sua área. Depois de um remate de longe do capitão Sérgio Oliveira aos 48’ (mais um!), Isaac Thelin teve na cabeça a principal oportunidade de golo da Suécia até então – Guidetti (apontado pela imprensa como possível reforço do Sporting) trabalhou bem no lado direito do ataque e cruzou para o n.º11 dos Blågult (fortíssimo no jogo aéreo), que cabeceou contra o chão e fez a bola passar ligeiramente por cima da baliza de José Sá.

Logo depois deste lance, uma substituição crucial – a saída do lutador mas deslocado Hrgota para a entrada do tecnicista Tibbling. O n.º 16 da Suécia trouxe largura e criatividade à sua equipa. E, por entre remates infrutíferos de Guidetti para um lado e Bernado Silva para o outro, mais uma substituição decisiva – a saída de Ivan Cavaleiro e a entrada do ponta-de-lança Gonçalo Paciência, aos 56’.

Lindelof e Ivan Cavaleiro - um duelo entre jogadores do Benfica  Fonte: Getty Images
Lindelof e Ivan Cavaleiro – um duelo entre jogadores do Benfica
Fonte: Getty Images

Depois da entrada do atacante do FC Porto, Portugal passou a dispor-se em 4-3-3 e recuou claramente as linhas. Despareceu a capacidade de pressionar alto, desapareceu a capacidade de evitar que os suecos tivessem a bola e, nos vinte minutos seguintes, a Suécia conseguiu mesmo estar por cima no jogo – as subidas do lateral esquerdo Augustinsson, a mobilidade de John Guidetti, o poder físico de Isaac Thelin e a rotação de Abdul Khalili iam dando alguns problemas à equipa portuguesa, que manteve sempre a compostura e um posicionamento defensivo quase irrepreensível, mas que deixou de conseguir manter a posse do esférico como na primeira parte.

Só com a entrada do rápido e irreverente Iuri Medeiros para o lugar de um desgastado Ricardo Pereira é que Portugal voltou a conseguir ter a bola e criar algum perigo. Com Iuri dando amplitude à direita e Bernado Silva oferecendo largura à esquerda, Gonçalo Paciência ia trabalhando no meio dos movimentos diagonais dos dois artistas. E se Gonçalo Paciência ia dando um golo a Iuri Medeiros aos 75’, Iuri Medeiros deu mesmo o golo a Gonçalo Paciência aos 81’ – depois do seu característico movimento interior, o sportinguista passou para o n.º 9 de Portugal e Gonçalo Paciência tirou o central adversário do caminho para, dentro da meia-lua da área adversária, rematar para o 1-0. Portugal conseguia, finalmente, materializar a superioridade que demonstrou ao longo de quase toda a partida e ficava com um pé e meio nas meias-finais.

Mas a Suécia não desiste. E Rui Jorge já tinha alertado para isso na antevisão à partida. Aos 86’ ameaçou – Guidetti rematou forte, José Sá fez uma defesa incompleta e só um corte in extremis de Esgaio tirou a Milosevic (o central que já jogava a avançado) a possibilidade de fazer o golo. Aos 88’ consumou, com alguma sorte, as ameaçasTiebbling aproveitou um ressalto no meio da área para, com uma recepção de classe, rematar no meio de cinco adversários para o fundo das redes. Decisivo, uma vez mais, foi Esgaio – mas desta vez por ter desviado involuntariamente a rota inicial do disparo. José Sá sofria, deste modo, o seu primeiro golo na competição… ao cabo de mais de 200 minutos com a baliza inviolada.

José Sá esteve a instantes de entrar nas meias-finais sem sofrer golos  Fonte: Getty Images
José Sá esteve a instantes de entrar nas meias-finais sem sofrer golos
Fonte: Getty Images

Até final, as equipas resignaram-se com o 1-1 que servia os interesses de ambas as partes. Portugal esteve durante cinco minutos a circular a bola no seu meio-campo sem nenhum esboço de reacção por parte dos suecos, que já só pensavam em não sofrer mais golos para carimbar a passagem para as meias-finais.

No fim, Portugal conseguiu um histórico apuramento os Jogos Olímpicos 2016 e vai jogar agora uma “final antecipada” contra a Alemanha nas meias-finais. Esta super-geração está de parabéns – agora é continuar a sonhar!

 

A Figura

Rui Jorge – Considero que não houve nenhum destaque individual verdadeiramente evidente. Nesse sentido, distingo o maior responsável por fazer deste conjunto de pequenos grandes jogadores um colectivo tão forte – o treinador. Ajudou Portugal a qualificar-se para a fase final do Europeu sem derrotas, ajudou Portugal a qualificar-se para as meias-finais dessa mesma fase final sem derrotas e tem mostrado competência, pragmatismo, humildade e capacidade de liderança. Parece ser o homem certo no lugar certo!

O Fora-de-Jogo

A lesão de Tiago Ilori – Ninguém jogou mal, ninguém decepcionou. O golo sofrido e a lesão de Tiago Ilori, que vinha protagonizando um excelente Europeu e pode ter posto em risco a sua presença nas meias-finais, acabam por ser os pontos mais negativos do encontro. Apesar disso, Tobias Figueiredo mostrou-se à altura do desafio, entrou confiante e rubricou uma excelente exibição.

 

Foto de Capa: Getty Images