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Portugal acaba de se qualificar para as meias-finais do Europeu de Sub-19 e para a fase final do Mundial de Sub-20, que se irá disputar no próximo ano, na Nova Zelândia. Com vitórias robustas de 3-0 sobre Israel e de 6-1 sobre a anfitriã, Hungria, a equipa comandada por Hélio Sousa deu um passo importante na continuação da solidificação e crescimento das camadas jovens nacionais, nas suas mais variadas vertentes.

Depois do descalabro que foi o último Mundial de seniores, era importante olhar para os jogadores que querem aparecer e sentir alguma confiança  na matéria-prima que está para aparecer. O primeiro grande teste era este Euro’14 de sub-19 e, pelo que vi, há imenso potencial e jogadores que podem (e devem) ser trabalhados para serem opções regulares no futuro.
Começando pelo grande destaque desta competição, até ao momento: André Silva tem futebol nos pés para vir a ser o grande ponta-de-lança de Portugal no futuro. Depois do descalabro com as opções de Paulo Bento para essa posição no Mundial’2014, eis que aparece um jogador que demonstra verdadeiros argumentos para ser uma boa opção para o futuro próximo da nossa seleção. Os cinco golos apontados nestes dois jogos são apenas uma pequena amostra representativa do que pode dar este jogador a Portugal. Rápido, com boa compleição física e uma facilidade tremenda para arranjar espaços e rematar. Pode melhorar o seu jogo de cabeça, mas, no geral, tem excelentes argumentos para singrar no futebol português. Não será um novo Nélson Oliveira, até porque este tem mesmo as características adequadas para ser um grande ponta-de-lança! Tem Lopetegui, treinador do FC Porto, a responsabilidade de cuidar do seu processo de evolução. Pelo pouco que se conhece do passado do treinador espanhol, dá para perceber que não tem receio de apostar nos mais novos. E os portugueses (principalmente os portistas) esperam que assim continue.

André Silva já apontou 5 golos e tem sido um dos destaques do Europeu de Sub-19 Fonte: Site Oficial do FC Porto
André Silva já apontou 5 golos e tem sido um dos destaques deste Europeu de Sub-19
Fonte: Site Oficial do FC Porto

Mas não só de André Silva se faz esta seleção. Há muito mais talento nesta equipa. Em primeiro lugar, confesso que tive alguma tristeza por não ver Nuno Santos, jovem extremo do Benfica, nesta equipa. Já o tinha acompanhado na Youth Cup e é pena que, pela lesão que contraiu, não esteja nas opções de Hélio Sousa. Ainda assim, e para compensar essa perda, Portugal tem Ivo Rodrigues e Gelson Martins, que têm demonstrado ser opções muito válidas nesta equipa. Mais até Gelson, extremo rapidíssimo do Sporting, que tem uma capacidade tremenda para desequilibrar no um para um. O grande golo que marcou hoje foi um pequeno exemplo daquilo que este jogador pode oferecer a Portugal.

Na zona do meio-campo, gostaria de destacar dois jogadores: Tomás Podstawski e Marcos Lopes. O segundo, creio, dispensa qualquer tipo de apresentações. É “só” o jogador mais novo de sempre a marcar um golo em jogos oficiais com a camisola do Manchester City e este ano, no Lille, tem todas as condições para ser uma opção regular na equipa de René Girard, que disputa a Liga dos Campeões. Não engana: é mesmo craque. A par de André Silva, é aquele que me parece ter um caminho mais curto a percorrer rumo à equipa sénior de Portugal. Quanto a Podstawski (outro jogador do Porto), é um médio com uma maturidade acima da média, com uma forte capacidade de recuperar bolas e iniciar situações de ataque. É, talvez, a peça mais importante deste meio-campo e é o jogador que equilibra a equipa. Sabe gerir os ritmos de jogo e parece ser a voz de comando de Portugal. Finalmente, apesar da boa exibição de ambos, nota-se, claramente, que há um defesa-central superior ao outro. João Nunes, do Benfica, é o maior destaque da zona mais recuada desta equipa e aquele que apresenta maior margem de progressão. O maior elogio que se lhe pode dar é mesmo dizer que parece um jogador de Primeira Liga. Forte no jogo aéreo, grande sentido posicional e, pese embora o facto de ser um jogador muito robusto,  muito ágil e rápido na antecipação. Um valor seguro que deveria ser aproveitado pelo Benfica.

A competição ainda não acabou e Portugal até pode nem ganhar nada. Mas o mais importante já ninguém nos tira: o valor individual dos nossos jogadores. Há jogadores com um potencial tremendo e que fogem muito à regra comum do típico atleta português: a falta de intensidade. Todos estes jogadores que aqui apontei podem vir a ser importantes para Portugal. Agora é ter coragem e apostar neles.

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