O play-off de acesso ao Europeu de sub-21 está a bater à porta e há uma coisa que me tem feito pensar, ultimamente. Na competição que reúne as melhores selecções do escalão, como é que poderemos construir uma melhor equipa? Apostando em jogadores sub-21 que já são presença assídua na selecção A, dando assim uma maior tarimba à equipa; ou dando continuidade aos jogadores que têm sido as principais escolhas na fase de qualificação, que já estão habituados ao processo e têm uma dinâmica estabelecida?

Esta é uma questão que tem sido debatida e que deverá dividir opiniões. Quando fomos vice-campeões europeus de sub-21 em 2015, tínhamos vários jogadores que já eram aposta na selecção A. William Carvalho tinha marcado presença no Mundial do ano anterior e Raphaël Guerreiro, João Mário e Bernardo Silva também já eram aposta na formação principal das quinas. Todos eles foram peças fundamentais na equipa, visto que também tinham participado nalguns jogos da fase de qualificação. Como tal, não estavam inseridos num grupo de trabalho desconhecido.

Dois anos mais tarde, seria o campeão europeu Renato Sanches a ser “despromovido”, com a pequena diferença de que o Golden Boy de 2016 se iria estrear no escalão de sub-21. A verdade é que, muito graças à sua pouca utilização em Munique, o “miúdo” da Musgueira teve um rendimento muito abaixo do esperado.

Gedson Fernandes irá estrear-se nos sub-21
Fonte: Selecções de Portugal

Outra situação que me deixa a pensar é que a “despromoção” destes jogadores para os sub-21, num novo modelo de jogo e num novo grupo de trabalho, poderá afectar a dinâmica da equipa, já numa fase final da época desportiva.

Outra questão é que a presença desses jogadores iria retirar o lugar a outros igualmente talentosos. Tendo em conta a grande variedade de opções que temos tido nas selecções jovens, não acho, de todo, necessário que tenhamos de chamar jogadores da selecção A, como Renato Sanches ou Rúben Neves. Ainda para mais, quando há uns meses atrás fomos campeões europeus de sub-19 sem vários dos melhores jogadores do escalão, tais como João Félix, Diogo Leite, Gedson Fernandes ou Rafael Leão.

Um caso a ter em conta neste play-off será o de Gedson Fernandes. Depois de ter marcado presença nas últimas duas convocatórias da formação nacional principal, irá estrear-se na selecção de sub-21. Tendo em conta que se juntará à equipa em Novembro, anda irá a tempo de se integrar no processo, e o facto de haver na equipa vários colegas com quem jogou nas camadas jovens do SL Benfica também o pode ajudar.

Seja como for, caso não consigamos marcar presença no Europeu de sub-21, isso não irá mudar o facto de possuirmos uma das gerações mais talentosas do futebol português. Como tal, creio que esta deve ser aproveitada ao máximo, sendo que a escolha dos 23 convocados deverá dar muitas “dores de cabeça”.

 

Foto de Capa: Selecções de Portugal

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