cab seleçao nacional portugal

Com Fernando Santos no banco de Portugal pela primeira vez – um cenário que dificilmente se repetirá tão cedo, dado o castigo que lhe foi imposto -, Portugal entrou no Stade de France com vontade de limpar a má imagem deixada no Mundial 2014 e na derrota diante da Albânia. O amigável frente a França era uma oportunidade perfeita – num grande estádio, frente a um grande adversário, a vitória seria muito motivadora. Mas o início da partida foi um autêntico film noir para os portugueses.

A desconcentração e as debilidades defensivas começaram a notar-se desde logo e foi com apenas dois minutos decorridos que Benzema fez abanar as redes da baliza de Patrício pela primeira vez – percorrendo uma auto-estrada do lado direito da defesa, Griezmann descobriu Sagna, o lateral rematou para defesa difícil e incompleta de Patrício e Benzema, sem oposição, desviou para o primeiro.

Benzema accionou o placard logo no início do jogo  Fonte: larepublica.pe
Benzema accionou o placard logo no início do jogo
Fonte: larepublica.pe

Os vinte minutos seguintes foram de pura agonia para os lusitanos. Com Cédric e Eliseu – duas caras da nouvelle vague de Fernando Santos – muitíssimo permeáveis pelos corredores e um Tiago estranhamente desconfortável na posição 6, Portugal foi permitindo aos franceses chegar com facilidade à sua área – Pogba e Benzema tiveram boas ocasiões para fazer o segundo.

O ponto de viragem foi um remate rasteiro e milimétrico de Nani aos 20 minutos, que quase resultava no empate – o leão aproveitou uma asneira de Mangala, puxou para o pé esquerdo e, à entrada da área, assustou Mandanda. A partir daí, Portugal serenou, passou a conseguir ter a bola, foi capaz de assumir as despesas do jogo em vários momentos e ganhou alguma confiança. Danny, Nani e Ronaldo iam conseguindo boas combinações na frente, embora sofressem com a forte oposição da defesa gaulesa; André Gomes ia sendo o mais esclarecido de um meio-campo português em que os experientes Tiago e Moutinho falhavam demasiados passes. Foi do médio do Valência, de resto, que saiu a outra boa oportunidade para Portugal no primeiro tempo, aos 26 minutos – tirou um francês do caminho com uma simulação e atirou sem acerto com o pé canhoto.

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Ao intervalo, Fernando Santos lançou os Carvalhos (William e Ricardo) para os lugares de André Gomes e Bruno Alves e fez algumas correcções (os laterais, que evidentemente não aprenderam a defender num quarto de hora, não voltaram a dar o mesmo espaço que deram primeiro tempo). Logo a abrir o segundo tempo, Portugal esteve perto do empate – Nani tirou um cruzamento perfeito para a cabeça de Ronaldo e o capitão esteve perto de fazer o 51.º de quinas ao peito. Mandanda defendeu. C’est la vie… Depois disso, o mesmo Nani recebeu de forma perfeita um lançamento longo de William, assistiu Danny e o luso-venezuelano rematou na atmosfera.

Fernando Santos voltou a mexer, fazendo entrar Quaresma e Éder para os lugares de Tiago e Nani e dando a ideia de que queria uma selecção mais ofensiva, mas no lance seguinte Pogba, num tête-a-tête com Patrício, destruiu a soirée aos milhares de adeptos portugueses que se deslocaram ao Stade de France. Remate preciso e touché: 2-0!

CR7 tentou várias vezes mas hoje não foi capaz de chegar ao golo  Fonte: leparisien.fr
CR7 tentou várias vezes mas hoje não foi capaz de chegar ao golo
Fonte: leparisien.fr

Aos 75’, Ronaldo ainda rematou contra a mão de Varane (sem penalty), após assistência de Éder, mas logo a seguir o cedeu lugar a João Mário. Et voilá – o menino do Sporting arrancou uma grande penalidade a Pogba, que Quaresma tratou de converter com uma calma desarmante. O 2-1 estava feito e Portugal foi à procura do empate. Quaresma ainda voltou a causar perigo, num livre mesmo à entrada da área, e João Mário também teve nos pés uma boa chance, num remate forte de fora da área, ligeiramente desenquadrado com a baliza francesa. No fim, Portugal perdeu com a França – um cliché, dado que já não ganhamos aos gauleses desde 1975!

A França jogou melhor na primeira parte, Portugal melhorou muito no segundo tempo. A derrota é, ainda assim, o resultado mais justo, se atendermos ao número de oportunidades obtidas de parte a parte. O próximo jogo, esse sim, será importante: é fundamental conquistar os três pontos em Copenhaga!

A Figura

Pepe, João Mário e Nani – Pepe voltou a mostrar que é o esteio da defesa portuguesa – imperial em todas as acções; João Mário fez, num quarto de hora, o suficiente para baralhar as contas de Fernando Santos e mostrou que pode ser titular – tem uma classe que impressiona; Nani confirmou a subida de forma que tem vivido no Sporting e foi sempre muito interventivo e esclarecido no ataque – tentou marcar e dar a marcar várias vezes, só lhe faltou um pouco de felicidade.

O Fora-de-Jogo

Cédric e Eliseu – os dois protagonizaram exibições positivas na vertente ofensiva, mas foram claramente os dois elos mais fracos do colectivo na vertente defensiva, especialmente nos primeiros vinte minutos – o sportinguista concedeu todas as facilidades nos lances do golos; o benfiquista também foi muito imprudente na abordagem a vários lances (num deles, chegou mesmo a lançar o adversário em velocidade). Ivo Pinto e Antunes estão à espreita…