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Portugal concretizou o pleno na fase de grupos do Mundial Sub-20 com uma vitória por 3-1 frente à Colômbia. Naquele que, na teoria, era tido como o desafio mais complicado dos três disputados até agora, ficou bem clara a vontade de gerir o esforço por parte da turma de Hélio Sousa.

Com o apuramento para os oitavos de final já garantido, estava em jogo o primeiro lugar do grupo, sendo que o empate bastava para a Seleção Nacional assegurar tal objetivo. Foram várias as mexidas na equipa em relação ao jogo com o Qatar: na defesa, Pedro Rebocho entrou para o lugar de Rafa; no meio-campo, o trio constituído por Estrela, Francisco Ramos e Raphael Guzzo assumiu a titularidade e relegou Rony Lopes e o capitão Podstawski para o banco; no ataque, Nuno Santos substituiu Gelson Martins e fez companhia a Ivo Rodrigues e André Silva no ataque.

A partida começou praticamente com o primeiro golo luso. No limite da grande área colombiana, Nuno Santos, de livre direto, desferiu um remate fulminante com o pé esquerdo, sem hipótese de defesa para o guarda-redes Alvaro Montero. 0-1 aos três minutos de jogo, um início “à bomba” e auspicioso para os portugueses, que acabaram por adormecer à sombra da vantagem madrugadora. As duas equipas repartiram o domínio do jogo e, numa primeira parte com poucas incidências, só o colombiano Joao Rodríguez (que esteve emprestado pelo Chelsea ao Vitória de Setúbal na segunda metade da época) criou perigo, quando, num livre, rematou forte para defesa apertada de André Moreira.

Ao intervalo, destacava-se a dureza desnecessária dos cafeteros em alguns lances e a boa exibição de Pedro Rebocho. Portugal, em ritmo de passeio, tentava chegar à área dos sul-americanos através de iniciativas individuais de Ivo Rodrigues e da condução de bola dos médios Guzzo e Francisco Ramos, que se aproximou bastante do ponta-de-lança André Silva durante o primeiro tempo.

A fotografia engana: não foi preciso correr muito para vencer esta Colômbia Fonte: Página do Facebook das Seleções de Portugal
A fotografia engana: não foi preciso correr muito para vencer esta Colômbia
Fonte: Robert Cianflone – FIFA/Getty Images

Pouco depois do reatamento da partida, aos 56 minutos, foi assinalada grande penalidade a favorecer a Seleção: após bom entendimento do ataque, choque entre André Silva e o keeper Montero; a bola ainda entrou na baliza, mas só depois do árbitro apontar para a marca dos 11 metros. Com uma frieza assinalável, o avançado do FC Porto converteu com classe o castigo máximo, subindo a parada para 2-0. O terceiro tento luso acabaria por surgir sensivelmente dez minutos depois. A sociedade Nuno Santos/André Silva (começa a ser hábito neste Mundial) voltou a dar frutos e, após cruzamento na esquerda do primeiro, o matador de serviço cabeceou para as redes de modo pouco ortodoxo. Foi o quarto golo de André Silva na competição, que marcou em todos os jogos que disputou.

Até ao final do certame, Hélio Sousa optou por dar tempo de jogo a Gonçalo Guedes e Nélson Monte, que substituíram Ivo Rodrigues e Mauro Riquicho, respetivamente; Rony Lopes entrou a dez minutos do fim para o lugar de Nuno Santos. A Colômbia acabaria por reduzir, aos 74 minutos, obra de Santos Borre, que, isolado por Barrera (excelentes indicações), não perdoou na cara de André Moreira.

Eis que surgiu o apito final, com a confirmação de mais três pontos para Portugal. Com nove somados e o primeiro lugar do grupo assegurado, a equipa das quinas deverá defrontar no próximo dia 11 de julho a Nova Zelândia (sendo que ainda há a possibilidade de ter pela frente o terceiro classificado do grupo F – Honduras, Ilhas Fiji ou, menos provavelmente, Uzbequistão) em jogo a contar para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo. Nota para o médio Francisco Ramos, que viu o segundo amarelo em dois jogos e falhará a próxima partida. Sem ter jogado mal, a Seleção Nacional fez, possivelmente, a exibição mais pobre entre as três partidas que disputou. Ainda assim, mesmo em ritmo de cruzeiro e guiada pelo “farol” André Silva, nunca viu a sua supremacia ameaçada por uma Colômbia que é mais forte no papel do que aparenta ser em campo.

A Figura

André Silva – O ponta-de-lança oriundo de Gondomar continua a prometer mundos e fundos neste Mundial. Além dos dois tentos que apontou frente aos cafeteros (já leva 4, no total, e é o segundo melhor marcador do torneio), foi a referência que médios e extremos usaram para canalizar o jogo. Numa equipa mais interessada em gerir o resultado do que avolumá-lo, soube adaptar-se às exigências táticas do desenrolar da partida, aparecendo no sítio certo, à hora certa.

O Fora-de-Jogo

Estrela – Substituiu o capitão Tomás Podstawski no onze inicial e pode-se dizer que não esteve à altura do desafio. Apesar do esforço e clarividência demonstrados na saída para o ataque, falhou na sua função primária: destruir jogo do adversário. Revelou muitas lacunas a nível do posicionamento e não foi assertivo no seu raio de ação. Teve o azar de sair lesionado já perto do final, mas a verdade é que, antes disso, raramente se deu por ele nos momentos de transição defensiva.

 

Foto de Capa: Robert Cianflone – FIFA/Getty Images

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