Portugal já conhece os adversários para o Mundial Sub-20 deste ano, que decorrerá na Polónia de 23 de maio a 15 de junho. Calhou em sorteio à seleção das Quinas, no grupo F, a vice-campeã asiática Coreia do Sul, a sempre candidata Argentina e a África do Sul, seleção que nunca defrontou Portugal neste escalão.

O jogo de estreia da nossa seleção será frente à seleção asiática, no dia 25 de maio. A Coreia do Sul é a atual vice-campeã asiática de sub-19, tendo perdido na final da competição com a Arábia Saudita por 2-1. Nesta competição, destacaram-se Jeon Se-Jin, com cinco golos, e Cho Young-Wook, com quatro, ambos avançados titulares em equipas da J-League. No entanto, a maior figura desta seleção é Kangin Lee, nascido apenas em 2001, que já vai tendo oportunidades na equipa principal do Valencia CF. Hélio Sousa, selecionador nacional sub-20, considera os coreanos uma equipa muito organizada e competente, com os jogadores habituados a jogar juntos, e que pode criar muitas dificuldades logo no primeiro jogo.

O segundo desafio será frente à Argentina, três dias depois. A equipa sul-americana é a equipa mais galardoada da prova (6 títulos mundiais no seu palmarés) e é uma das favoritas à vitória na competição. Os argentinos ficaram em segundo lugar no Sul-Americano sub-20 e apresentam jogadores que podem fazer a diferença, como Julian Alvaréz, avançado promissor do River Plate que até atuou na final da Libertadores, Pedro de la Vega, que aos 17 anos já mostra um talento diferente com pinta de craque, Santiago Sosa, Gonzalo Maroni, Thiago Almada, entre muitos outros. O duelo frente aos argentinos servirá para medir o pulso à nossa seleção e afastar a albiceleste do presumível caminho até à final.

Portugal fecha a fase de grupos com o embate frente à África do Sul, a 31 de maio. Os sul-africanos ficaram no terceiro lugar da Taça das Nações Africanas sub-20, disputada no Níger. Depois de terem sido segundos na fase de grupos, atrás da Nigéria, foram eliminados nas meias-finais pelo Senegal e finalizaram a prova vencendo o jogo da disputa do terceiro e quarto lugar, novamente frente à Nigéria. Nos cinco jogos que disputaram apenas sofreram dois golos, mas também só apontaram dois. É, teoricamente, a seleção com menos armas para lutar pela passagem, mas certamente compensará em entrega e empenho as deficiências técnicas.

Quadro completo da fase final da competição
Fonte: FIFA

Com maior ou menor dificuldade, acredito que Portugal ultrapassará a fase de grupos, uma vez que se apuram para os oitavos-de-final os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros classificados. Na fase a eliminar, os maiores adversários serão o campeão sul-americano Equador, a vice-campeã europeia Itália e a sempre perigosa França.

Ainda assim, Portugal parte como grande favorito e o alvo a abater. Apresentar-se-á na Polónia com grande parte da geração dourada de 1999, que já arrecadou o título de campeã europeia sub-17 em 2016 e de sub-19 no verão passado. Se conseguirem juntar a conquista do Mundial de sub-20, colocarão a fasquia quase inalcançável para qualquer outra geração de outro país repetir a façanha.

A grande dúvida neste momento é perceber que jogadores farão parte dos 21 eleitos por Hélio Sousa. Por um lado, Portugal tem a “vantagem” de não se ter apurado para a fase final do Europeu de sub-21, que se disputará quase em simultâneo e que condicionaria a chamada de jogadores desta geração que já eram escolhas habituais de Rui Jorge (por exemplo, Diogo Leite, Diogo Dalot ou Gedson Fernandes).

Por outro lado, a seleção A disputará no início de junho a fase final da Liga das Nações e elementos como João Félix ou Rafael Leão estão na calha para serem chamados por Fernando Santos, fruto das épocas meritórias que estão a fazer nos clubes. Por último, o facto de o torneio não se realizar nas datas FIFA faz com que os clubes não sejam obrigados a ceder os jogadores às seleções nacionais, o que é bem provável que aconteça pois, por exemplo, a estreia de Portugal neste mundial ocorre na véspera da final da Taça de Portugal, onde algum dos miúdos de 99 deverá marcar presença.

Num cenário idílico e sem constrangimentos nas escolhas dos convocados, Portugal tem todas as possibilidades de vencer o Mundial de sub-20, repetindo a façanha de 1989, na Arábia Saudita, e de 1991, em Lisboa. O maior problema da equipa será a falta de um «matador», já que Zé Gomes tarda em afirmar-se e nomes como Pedro Martelo ou Pedro Marques não têm dado sequência a alguns momentos de boa forma.

Ainda assim, é uma geração bastante equilibrada, com bons valores na baliza (Diogo Costa e João Virgínia), nas laterais (Diogo Dalot, Thierry Correia, Rúben Vinagre) e no centro da defesa (Diogo Queirós, Diogo Leite, David Carmo). No meio-campo, abundam ainda mais as opções, podendo destacar-se Florentino Luís, Gedson Fernandes, Domingos Quina, Romário Baró (de 2000) ou Miguel Luís e na frente há muita mobilidade e qualidade técnica, com nomes como João Félix, Rafael Leão, Jota ou Francisco Trincão.

A “fornada” de 99 é uma das mais promissoras da história do nosso país e esperemos que daqui a uns meses tenham escrito mais uma página de ouro na história do Futebol português.

O passado é história, o futuro é a vitória.

 

Foto de Capa: FPF

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