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3 meses depois, já se acredita naquilo que se alcançou. Olha-se nos olhos dos adversários e sente-se o orgulho de terem chegado àquele ponto da carreira. Ao dia em que enfrentam o campeão da Europa. Ganhem ou percam, tiram sempre algo do jogo – uma história para contar aos netos. É uma honra defrontar Portugal, e é uma honra representar a selecção nacional campeã da Europa. Uma honra e uma responsabilidade enorme. Porque nos ombros dos homens que vestem a camisola portuguesa pesa a glória e as expectativas/exigências a elas associadas – a frieza mental para reagir a qualquer adversidade, a garra para disputar cada bola como se fosse a última e, claro, golos. Muitos golos.

Um objectivo que não passa só pela frente de ataque. Que é trabalhada desde trás, da primeira saída de bola, passa pela gestão da posse, pelas batalhas físicas e tácticas, até chegar ao último reduto. Lá, estão os arquitectos do golo, os homens que o imaginam e o constroem. E os que o finalizam, os carteiros de sonhos, que entregam cartas perfumadas em fragrâncias de glória que valem mais que um reembolso do IRS.

Antigamente, falava-se na falta desse tal homem-golo. Sim, nos últimos 12 anos tivemos sempre Ronaldo. Mas reclamava-se um homem-de-área. Uma lacuna que se reclamou ainda mais desde o eclipse de Pauleta, no Euro 2004. Na última segunda-feira, frente às Ilhas Faroe, apareceu alguém a candidatar-se à posição. E a lançar achas para uma fogueira, já de si gigante, de esperança num título no futuro que se avizinha (seja a Taça das Confederações ou o Mundial 2018).

Sim, pode-se sonhar ainda mais com Portugal. Sim, o ataque dá-nos essas garantias. Partindo de um 4x4x2 com dois avançados móveis, uma unidade de referencia e outra de apoio ou duas referências centrais ou de um 4x3x3 com uma referencia ofensiva e dois elementos de apoio laterais.

Cristiano Ronaldo é a grande referência da Seleção Nacional Fonte: FPF
Cristiano Ronaldo é a grande referência da Seleção Nacional
Fonte: FPF

Cristiano Ronaldo tem, hoje, 31 anos, e não é pela idade que deixa de exercer uma enorme influência. Aliás, ainda na passada segunda-feira (com o quinto golo em dois jogos) atingiu uma marca histórica ao ultrapassar Eusébio na lista de portugueses com mais golos apontados em jogos sob o desígnio do Mundial de futebol de Selecções (apuramento e fase final), o que lhe atesta a capacidade.

Sim, pode vir a perder velocidade, mas a o poder de finalização, a mestria do posicionamento que lhe patrocina o faro de golo e a capacidade de impulsão continuarão lá. E sim, podemos contar com ele, pelo menos para marcar golos, porque um jogador assim não atingira o prazo de validade aos 33 anos… ainda que tenha a emergência de uma figura que jogou a seu lado, contra Andorra e Ilhas Faroe e que marcou um hat-trick no jogo teoricamente mais dificil, contribuindo com quatro golos. Essa figura tem apenas 20 anos, mas já joga como gente grande. Cresceu muito nos últimos tempos, sim, mas o faro do golo é-lhe inato. E sentiu-se muito a falta de alguém com este sentido de golo. Dêem-lhe o contexto certo para crescer ainda mais, e, muito provavelmente. André Silva será esse alguém.

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