Havia contas por acertar. O Euro 2004, o Mundial 2006 e o Euro 2012 ainda estavam bem presentes na memória de todos os holandeses, que saíram de todas essas competições à nossa custa. Era normal, por isso, que vissem, no jogo de hoje, uma oportunidade para se vingar desse inimigo de estimação que é Portugal.

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Conseguiram. Três golos numa das piores primeiras partes do Legado de Fernando Santos fizeram um resultado que se aceita pelos 45 minutos inciais, mas que são claramente exagerados, se olharmos, também, para o segundo tempo.

Este despertar tardio fez com que o processo ofensivo de Portugal se desenvolvesse com lentidão e displicência nos primeiros minutos do jogo. A Holanda agradeceu, roubou a bola, iniciou as suas transições ofensivas e foi feliz. Fez, desta forma, dois golos na primeira meia-hora – Depay inaugurou o marcador ao desviar um remate de Van de Beek (11 minutos) e Babel, de cabeça, ampliou a vantagem após cruzamento de De Ligt (32 minutos).

O despertador tocou, mas Portugal quis ficar mais dez minutos na cama. Só até ao intervalo. Pois bem, a Holanda voltou a aproveitar. Três minutos depois de Depay ter estado perto de ampliar, Van Dijk, de cabeça fez 0-3 sobre o apito final.

Fernando Santos pedia reação. Fê-lo através das entradas de André Silva e Gonçalo Guedes para os lugares de André Gomes e Adrien. E a equipa acedeu. Esteve perto do golo por três ocasiões (Cristiano Ronaldo, de cabeça, André Silva num ressalto e Quaresma numa trivela), e sentia-se o início de uma revolução… mas esta foi travada pela imprudência de João Cancelo. O lateral-direito português, já amarelado, fez falta dura sobre Aké, foi expulso aos 62 minutos.

A reacção de Portugal ficou, portanto, suspensa. Fernando Santos operou várias alterações, tal como Ronald Koeman na Holanda e o ritmo do jogo acalmou… até ao último quarto de hora. A partir daí, Portugal tentou o golo de honra e esteve, por várias vezes, perto dele. Mário Rui (grande remate) aos 75 minutos, Gelson (remate em arco, ao lado) aos 77, Gonçalo Guedes e André Silva (desvios, de cabeça e com o pé direito, respectivamente) , ambos sobre o minuto 90, tentaram a sua sorte, mas a defesa holandesa manteve-se impenetrável na defesa da sua vingança e leva para casa a consolação de ter dado três socos (um por cada eliminação em grandes provas) no seu monstro de estimação.

Foto de capa: FPF