cab seleçao nacional portugal

Não foi à toa que escolhi uma das mais célebres citações da história nacional (adaptada, naturalmente) para começar a minha análise a uma das mais confrangedoras exibições da seleção nacional. De facto, a palavra incompetente, tantas vezes ouvida nos últimos tempos para caracterizar a seleção das quinas, não podia ser mais adequada em virtude do que Portugal atualmente é. Sem garra, sem determinação, sem alma lusitana, sem nada. Um autêntico nada foi aquilo que a seleção demonstrou hoje em Aveiro – com promessas de renovação em virtude da triste figura feita no Brasil, a derrota por 0-1 esta noite, frente à Albânia, não foi mais do que um novo soco no estômago de todos os crentes que hoje procuravam ver um novo rumo na seleção. Nada mais de errado – no onze inicial, apenas André Gomes destilava de uma equipa titular onde a dita “revolução” não era mais do que ilusória. Do onze habitual no Mundial, entrou Ricardo Costa para o lugar do lesionado B. Alves, entrou William para o lugar de um Miguel Veloso sem ritmo na Ucrânia, e entrou Vieirinha para o lugar do lesionado Cristiano Ronaldo. Tudo o resto fazia parte do elenco habitual desta equipa sem rumo, sem liderança, sem intensidade, sem nada.

Numa primeira parte que mais pareceu um autêntico soporífero para os mais de 20.000 espetadores em Aveiro, apenas as arrancadas de Nani pareciam fazer os portugueses levantar-se das cadeiras. Numa dimensão puramente individualista, vivendo dos rasgos do atual jogador do Sporting, Portugal ia fazendo uma exibição a roçar o medíocre – sem intensidade no meio-campo, sem virtuosidade nas alas, sem agressividade na área adversária. Parecia mau de mais para quem apregoava uma revolução, parecia mentira para quem acreditava que a caminhada rumo ao Euro 2016 ia ter muito menos pedras no caminho. Os remates de Nani aos 13 e 42 minutos e o cabeceamento ao lado de Pepe perto do apito para o intervalo foram apenas alguns fogachos de uma equipa portuguesa que não conseguia, fosse por que meio fosse, romper com a Albânia.

Nani foi o melhor elemento de Portugal Fonte: ZeroZero
Nani foi o melhor elemento de Portugal
Fonte: ZeroZero

No segundo tempo, pouco ou nada mudou. Alterou-se apenas uma das peças, levando Paulo Bento a abdicar de Vieirinha (alguém deu por ele em campo?) para o substituir por Ivan Cavaleiro, um jogador sem espaço no Benfica mas que continua a ser aposta sucessiva de Bento, sem que quase nada o justifique. Perante uma Albânia muito organizada em campo, a fazer uma pressão forte junto dos centrais portugueses e da primeira fase de construção ofensiva da seleção, a equipa portuguesa entrou para a segunda parte como se nem tivesse ido ao balneário, como se nem tivesse ouvido nada da boca do selecionador para mudar o figurino da partida. Quando parecia que a incapacidade ofensiva portuguesa era razão suficiente para desacreditar esta equipa, eis que o Estádio Municipal de Aveiro gelou completamente: aos 52 minutos, Bekim Balaj deu um pontapé no coração da seleção nacional e permitiu à equipa albanesa fazer um tremendo golpe de teatro na cidade aveirense. A partir daí, caro leitor, não é muito difícil adivinhar aquilo que aconteceu – Ricardo Horta e Miguel Veloso foram as restantes opções lançadas do banco, o que, acredite ou não em coincidências, só por si já são reveladoras da curta qualidade que por estes dias Portugal tem.

Sem capacidade de criar desequilíbrios pelo meio, onde William, Moutinho e A. Gomes passavam completamente ao lado do jogo, apenas Nani ia tentando rumar contra uma maré demasiado negra para ser verdadeira. Aos 59 e aos 76, o extremo português, à força e de cabeça, ainda ameaçou o empate, mas foi do estreante Ricardo Horta, aos 69 minutos, a única verdadeira oportunidade de golo, com um remate ao poste da baliza albanesa. 94 minutos depois do apito inicial, a triste realidade da derrota com a Albânia trouxe os lenços brancos a Aveiro, trouxe a contestação a Paulo Bento e trouxe aquilo que todos gostaram tanto de proclamar nos últimos dias: a falta de competência. Dizia Delgado, por alturas do Estado Novo, que era tempo de Salazar sair, se aquele ganhasse as eleições. Por falta de competência, por falta de liderança, esse foi um desafio demasiado grande para a época. Por esta altura, Paulo Bento nem sequer precisa de cair da cadeira para perceber que tem os dias contados.

A Figura

Nani – O extremo do Sporting foi o único elemento capaz de remar contra a maré. Usou e abusou do individualismo mas ainda assim, foi o jogador em destaque durante a partida.

O Fora-de-Jogo

Vieirinha – Alguém viu o extremo em campo? Nunca procurou o jogo, foi sempre lento no 1×1 e por isso não foi de estranhar que Paulo Bento o tivesse retirado ao intervalo.

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