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Naquele que foi o último encontro da temporada para os jogadores das duas seleções, que devem começar os estágios nas respetivas equipas daqui a cerca de duas semanas, Portugal derrotou a Itália por 1-0, num jogo disputado em Genebra, na Suíça, graças a um golo de Éder no início da segunda parte.

Por se tratar de um jogo de caráter particular, e na sequência da operação de renovação a que a seleção nacional tem sido sujeita desde a saída de Paulo Bento, Fernando Santos manteve apenas no onze inicial cinco jogadores que tinham sido titulares diante da Arménia, no sábado (Vieirinha, Bruno Alves, Fábio Coentrão, João Moutinho e Tiago) e deu oportunidade ao médio Danilo Pereira, do Marítimo.

Disposta num 4-3-3 clássico, a equipa de Portugal tinha contra si o histórico de confrontos com os italianos: em 24 jogos realizados, entre oficiais e particulares, registaram-se apenas quatro vitórias portuguesas e dois empates. Para além disso, Cristiano Ronaldo já tinha saído da comitiva lusa e não entrava nas contas da partida, o que segundo a imprensa teria feito baixar o preço do cachê pago à Federação Portuguesa (informação que a FPF se apressou a desmentir) e resfriar o entusiasmo da comunidade portuguesa na Suíça, que não encheu o estádio.

O início de jogo lento parecia confirmar os receios que tinham surgido nos últimos dias: um jogo a meio do mês de junho, sem implicações nas contas do apuramento para o Europeu, com jogadores cansados depois de épocas longas e extenuantes, resultaria num encontro sem interesse, com pouca intensidade e baixa velocidade, uma autêntica pasmaceira. Nada disso. Bartolacci começou por mexer com o jogo aos 18 minutos com um remate perigoso à entrada da área, e pouco depois El Shaarawy arrancou pelo flanco esquerdo, fez o movimento para o meio e rematou em arco com muito perigo. A Itália estava por cima e nem precisava de acelerar muito o ritmo de jogo. O segredo estava, como sempre está, na cabeça de Pirlo, por onde passa toda a construção de jogo.

Uma informação extra dava conta da importância do jogo para a formação transalpina, que não se resumia só ao tradicional “honrar” da camisola – uma vitória faria com que Itália ultrapassasse a Croácia no ranking FIFA e se posicionasse, assim, como cabeça de série no sorteio da fase de grupos de apuramento para o Mundial de 2018. Contudo, a partir da meia hora de jogo, Portugal começou a equilibrar as operações. O trio da frente (Varela, Quaresma e Éder) apostava na pressão alta na saída de bola dos centrais italianos, o que resultou, aos 30 minutos, no momento de viragem do jogo. Éder consegue, em esforço, roubar a bola ao guarda-redes Sirigu e oferece, num passe atrasado, o golo a Varela, que só não marca porque um defesa italiano cortou a bola em cima da linha.

Se Pirlo é o “cérebro” da sua seleção, Moutinho é o coração de Portugal, tão ou mais importante do que Ronaldo. Daí que a decisão de afastar Meireles e Miguel Veloso da equipa para incluir Tiago tenha não só feito brilhar ainda mais Moutinho como consolidou a dinâmica do meio-campo, onde hoje Danilo se exibiu em bom plano – parece mais completo que William Carvalho, sobretudo mais rápido, e não comprometeu numa posição nevrálgica, a de médio-defensivo.

Danilo fez uma boa exibição na sempre exigente posição 6
Danilo fez uma boa exibição na sempre exigente posição 6
Fonte: FPF/Francisco Paraíso

Na segunda parte, acentuou-se o domínio da turma da quinas, embora Bonucci tenha ameaçado adiantar a Itália no marcador logo aos 49 minutos, com um remate ao poste. Logo a seguir, Eliseu, com talento e alguma sorte, consegue galgar uma série de metros e descobrir Quaresma solto na ala esquerda, de onde uma saiu uma trivela perfeita para Éder finalizar. Estava feito o golo de Portugal. A partir daqui, a iniciativa de jogo pertenceu muito mais a Portugal, que sobretudo em contra-ataque foi construindo oportunidades para dilatar a vantagem. Daniel Carriço, que fez a estreia pela seleção principal, Cédric, Adrien e Pizzi foram lançados no decorrer do jogo. Afinal, serão eles, ao que tudo indica, que daqui a cinco/seis anos vão ser considerados os indispensáveis no onze português.

Na parte final do desafio, a formação italiana dispôs de três claras oportunidades para fazer o empate, o que, a acontecer, teria sido tremendamente injusto. Tanto Gabbiadini como Vasquez e Ranocchia esbarraram em Beto. É já mais que evidente, até pela exibição de Rui Patrício na Arménia, que a baliza tem de mudar de dono.

A fechar, destaque positivo para uma (mais uma) boa performance de José Fonte e, pela negativa, destaca-se a lesão de Coentrão, cuja gravidade ainda está por confirmar. Com esta vitória, Portugal quebra um jejum de 39 anos sem ganhar à Itália e confirma a tremenda irregularidade exibicional na era Fernando Santos, onde tanto se pode assistir a jogos miseráveis como a exibições muito bem conseguidas. Agora digo: a jogar como hoje, e com Ronaldo em boa forma, o Europeu não é uma miragem e está ao nosso alcance. Eu acredito.

A Figura:

Éder – Depois de tantos jogos onde nada se viu dele, marcou hoje o seu primeiro golo ao serviço da seleção, mostrou a capacidade que tem de segurar a bola de costas para a baliza e de correr quilómetros a pressionar a defesa. Agora a expetativa é a de que se multipliquem exibições como estas para poder devolver Ronaldo à sua posição natural.

O Fora-de-jogo:

Quaresma – À exceção do cruzamento artístico que deu o golo a Éder, pouco mais se viu. Sucederam-se as perdas de bola, cruzamentos mal medidos, fintas idiotas, etc. Deu a ideia de que foi uma espécie de birra pelo facto de não ter jogado no sábado.

Foto de capa: FPF/Francisco Paraíso

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