Foi em Chaves que se decidiu o play-off de apuramento para o Campeonato Europeu de Sub-21. Portugal desperdiçou a vantagem que trazia da primeira mão e quando foi preciso arriscar, não o soube fazer, acabando por jogar sem cabeça e somente com o coração.

Começando pelas equipas iniciais, Rui Jorge decidiu não fazer alterações em relação à primeira mão, pretendendo jogar em 4-4-2 losango, sem um ponta-de-lança “de raiz” em campo. Já o seleccionador polaco queria controlar o meio-campo com a formação de 4-5-1.

No início do jogo, a Polónia tentava controlar o esférico e surpreendeu o público português ao abrir o marcador aos cinco minutos. O central Bielik respondeu da melhor forma a um canto, sem oposição da defesa portuguesa.

E sem dar tempo a Portugal para assentar, aos oito minutos, Kownacki apareceu sozinho na área a cabecear para o fundo das redes. Portugal entrava de maneira terrível e, num instante, via-se a correr atrás do resultado e da eliminatória.

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Aos poucos, a nossa Selecção aproximava-se da área adversária, mas nunca criou realmente perigo. Tanto a finalização como o último passe estavam a falhar e parecia necessário mexer na equipa ainda antes do intervalo.

Até que, aos 24 minutos, a Polónia festejou de novo, desta vez por intermédio de Szymański. A jogada começou numa perda de bola a meio campo e a defesa lusa não acertou com as marcações, facilitando assim a tarefa dos polacos.

Os polacos vieram com a sua estratégia bem montada
Fonte: Sportowefakty

A substituição há muito desejada chegou ao minuto 38, com a entrada de Rafael Leão. No entanto, este foi movido para o flanco esquerdo. Confesso que não compreendi esta estratégia, uma vez que Portugal continuava a insistir nos cruzamentos para a área, onde Diogo Jota se encontrava sozinho, perante os centrais polacos.

O intervalo foi uma pequena bênção para os pupilos portugueses. Entraram muito bem na segunda parte, com a intenção de aumentar o ritmo e chegar rapidamente ao golo.

Nos primeiros momentos, valeu o guarda redes Grabara para manter a baliza dos polacos inviolável, mas Portugal finalmente marcou, à passagem do minuto 52. Bom cruzamento de Diogo Gonçalves, na direita, que Diogo Jota aproveitou com um excelente remate de cabeça. A esperança aumentava um pouco.

Após o golo, Portugal tentou manter o mesmo ritmo. No entanto, com o passar do tempo, as oportunidades iam escasseando e a defesa polaca controlava muito bem o resultado.

Não ajudou o facto de a estratégia portuguesa consistir em cruzamentos para a área, onde só estavam Diogo Jota e João Félix. A defesa polaca não dava hipóteses e fazia uso do seu físico para se impor perante os adversários.

Era óbvio o cansaço português e as entradas em campo de Xadas e Heriberto Tavares não surtiram o efeito desejado. Apesar da vontade, a última ocasião de perigo ocorreu após uma boa combinação entre Leão e Jota, quando ainda faltavam vinte minutos para o fim da partida.

Terminou assim o sonho português de chegar ao Europeu. O que devia ter sido um jogo calmo e que evidenciasse as qualidades da equipa, começou da pior maneira e foi impossível para a Seleção recuperar dos erros iniciais.

Onzes iniciais:

Portugal: Joel Pereira; Diogo Gonçalves, Jorge Fernandes, Diogo Leite, Yuri Ribeiro; Stephen Eustáquio, André Horta (Heriberto Tavares 77’), Gedson Fernandes (Xadas 68’), João Carvalho (Rafael Leão 38’); João Félix, Diogo Jota.

Polónia: Grabara; Gummy, Wieteska, Bielik, Pestka; Kapustka, Jagiello (Michalak 55’), Dziczek, Zurkowski, Szymański (Józwiak 68’); Kownacki (Swiderski 90+4’).