A CRÓNICA: PORTUGAL COM MOTA INCANSÁVEL E TRINCÃO OPORTUNO DESMONTA NEVOEIRO INGLÊS

O cartaz estava feito e nem foi preciso ver os onzes iniciais para se perceber que este duelo podia muito bem ser o da final. Duas seleções recheadas de talento individual, com peças a atuar ao mais alto nível europeu, mas que chegavam à segunda jornada em posições diferentes.

Pressionados pela derrota frente à Suíça, os ingleses trocaram quatro intervenientes face ao resultado negativo; Max Aarons, Lloyd Kelly, Hudson-Odoi e Dwight McNeil foram rendidos pelos irmãos Sessègnon, Madueke e Japhet Tanganga.

Do lado português, Tiago Tomás e Trincão começaram a partida no banco, tendo entrado para os seus lugares Dany Mota e Fábio Vieira, duas figuras que mexeram com a partida frente à Croácia.

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Nova vitória encaminhava quase em definitivo o apuramento português e logo aos três minutos Thierry Correia cruzou largo e Dany Mota, ao segundo poste, cabeceou para aquele que podia ser o golo inaugural. Valeu a defensiva britânica a cortar em cima da linha.

Aos 10 minutos, Fábio Vieira recebeu um passe atrasado de “Pote” e rematou com força, mas à figura. Não se pode falar em domínio, mas o primeiro quarto de hora de jogo só teve posse e iniciativa portuguesa. A partir daí os ingleses conseguiram conter o ímpeto adversário e, finalmente, ter posse no meio campo ofensivo.

Só depois da meia hora voltou a haver perigo e novamente para os lusitanos. Numa tentativa de surpreender, Fábio Vieira falha o remate de primeira, mas a bola sobra para Thierry, que remata com força para nova defesa de Ramsdale.

Na sequência do canto, o guardião inglês superou o remate de “Pote” com nova grande intervenção e manteve o resultado trancado. A resposta inglesa chegou no minuto seguinte, mas Diogo Costa resolveu uma boa jogada de entendimento com antecipação e saída rápida aos pés do avançado inglês.

Os últimos 15 minutos foram levados para o plano físico; mais duelos, mais individualidades, menos qualidade e critério. A falta de remates enquadrados dos ingleses mostrava a incapacidade da seleção dos “Três Leões” em incomodar Diogo Costa, apesar de terem subido as linhas nos últimos minutos.

A segunda parte trouxe novos intervenientes de ambos os lados, mas a partida seguiu amarrada por mais 10 minutos. Os ingleses com mais bola,, e beneficiando de alguma falta de esclarecimento da turma de Rui Jorge, iam crescendo na partida, mas o primeiro sinal de perigo foi dado por Fábio Vieira.

Numa jogada pouco trabalhada, simples, mas eficaz, Vitinha transportou e entregou ao médio do FC Porto que, com uma receção orientada, ficou de frente para o alvo. Disparou dali mesmo, com força, mas ligeiramente por cima. Aos 61 minutos, foi Dany Mota que recolheu uma bola perdida e deixou para Vitinha, que também tentou a sua sorte de fora da área.

Escassos centímetros separaram a tentativa do médio português do sucesso e a vantagem já se começava a justificar. Na resposta, imediatamente a seguir, Madueke serpenteou área dentro e rematou muito por cima. Foi o melhor esboço dos britânicos para o golo.

Numa altura em que se adivinhava uma secessão de contra ataques, Francisco Conceição, recém-entrado, recuperou a bola a Skipp em zona adiantada e foi Pote quem transportou o jogo até à área contrária. No último momento, aproveitando o mau posicionamento de Guehi, serviu Dany Mota, que rematou em jeito para abrir o marcador.

Aos 74 minutos, e com apenas 10 segundos em campo, Gonçalo Ramos foi pisado dentro da área e não restaram dúvidas a François Letexier, que apontou para a marca de grande penalidade. Na distância dos 11 metros, Frnacisco Trincão bateu forte e para o lado oposto ao escolhido por Ramsdale. Estava ampliada a vantagem lusa.

Até final da partida, sucederam-se as aproximações portuguesas à baliza de Ramsdale e só por falta de maior assertividade e maior definição é que o resultado se fixou no 2-0. Do outro lado, e à medida que o tempo se esgotava, os jovens ingleses foram desmontando as suas fileiras e tornaram-se numa equipa mais individualista, penetrável e apática.

Vitória suada, mas merecida e um grande passo dado rumo ao apuramento. A próxima jornada é já na quarta-feira, frente à Suíça, e vale um carimbo para os quartos de final do Europeu Sub-21.

 

A FIGURA

Dany Mota (Portugal) – Assistiu contra a Croácia e inscreveu o seu nome na lista de marcadores na partida de hoje com uma execução de dificuldade considerável, mas deliciosa. Campanha muito positiva para o mais desconhecido dos avançados da comitiva portuguesa. Além do golo, demonstrou uma enorme capacidade em explorar a profundidade, caindo com igual facilidade no corredor esquerdo ou direito. Veloz, de execução rápida e eficaz, mostrou hoje os seus trunfos para agarrar a titularidade no decorrer da prova.

 

O FORA DE JOGO

Inglaterra – Individualidades por si só não fazem coletivos. E a seleção inglesa é um belo exemplo disso mesmo. Estão praticamente afastados do europeu quando ainda falta disputar uma jornada. Só uma conjugação precisa de resultados os manteria na corrida. Ainda que assim acontecesse, os argumentos apresentados são escassos e dependentes da genialidade e criatividade individuais. Podíamos analisar o porquê de Curtis Jones não ser titular – ou mesmo Todd Cantwell – mas o problema é bem mais profundo.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Repetindo o 4-3-3, Rui Jorge optou por Dany Mota na vez de Tiago Tomás e de Fábio Vieira na de Trincão. A linha defensiva contou novamente com quatro Diogos; Costa na baliza, Dalot na esquerda e Queirós e Leite no eixo. Na outra lateral, Thierry Correia mostrou-se mais tranquilo, ofensivo e, acima de tudo, mais seguro que na primeira jornada.

A zona intermédia contou com Florentino como eixo mais recuado do triângulo, plantado em frente aos centrais e fulcral na destrução das estéreis, mas enérgicas aproximações inglesas. Gedson pela esquerda e Vitinha pela direita completaram o triângulo, com o médio do Wolverhampton a mostrar-se mais disponível para as ações ofensivas e o do Galatasaray para os equilíbrios e apoios defensivos a Florentino.

Na esquerda do ataque, Fábio Vieira justificou a aposta – embora Trincão pudesse coexistir com ele no onze. Do outro lado, Pedro Gonçalves voltou a passar um pouco ao lado do jogo, ao contrário de Dany Mota. No eixo do ataque, o avançado dos italianos do SSD Monza mostrou mais trabalho que Tiago Tomás na jornada anterior; muito forte nas diagonais em busca da profundidade, muito rápido no sprint e na execução.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (7)

Thierry Correia (6)

Diogo Queirós (7)

Diogo Leite (6)

Diogo Dalot (6)

Florentino Luís (7)

Vitinha (7)

Gedson Fernandes (6)

Fábio Vieira (7)

Pedro Gonçalves (7)

Dany Mota (8)

SUBS UTILIZADOS

Francisco Trincão (7)

Daniel Bragança (7)

Francisco Conceição (7)

Gonçalo Ramos (6)

Filipe Soares (-)

ANÁLISE TÁTICA – INGLATERRA

Com quatro alterações face ao resultado negativo da primeira ronda, a Inglaterra voltou a alinhar num 4-3-3. Ramsdale, o mais experiente dos jovens guardiões ingleses, repetiu naturalmente a titularidade. Sessègnon e Tanganga entraram para as laterais e a dupla de centrais voltou a ser composta por Godfrey e Guehi.

Na zona intermédia, Skipp, Smith-Rowe e Tom Davies dividiram tarefas. O médio formado no Everton FC era quem se colocava entre os centrais em momento ofensivo e permitia a projeção dos dois laterias. Smith-Rowe fazia a (fraca) ligação com o ataque.

Na frente de ataque manteve-se Nketiah com apoios de um apagado Ryan Sessègnon à esquerda e de um pouco influente Noni Madueke à direita.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Aaron Ramsdale (7)

Japhet Tanganga (6)

Ben Godfrey (7)

Marc Guehi (6)

Steven Sessègnon (6)

Oliver Skipp (6)

Tom Davies (6)

Emile Smith-Rowe (6)

Ryan Sessègnon (5)

Noni Madueke (6)

Edward Nketiah (6)

SUBS UTILIZADOS

Eberechi Eze (6)

Dwight McNeil (6)

Connor Gallagher (6)

Curtis Jones (6)

Rhian Brewster (5)

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