cab seleçao nacional portugal

 

A selecção portuguesa de sub-21 não perde desde 11 de Outubro de 2011, já lá vão quase cinco anos. Hoje tinha a (mais do que) obrigação de vencer a (mais do que) frágil congénere do Liechtenstein. Como recordava o zerozero.pt na antevisão deste jogo, este seria sempre um duelo entre “pólos mais do que opostos”. Até ao pontapé de saída, Portugal contabilizava cinco vitórias em cinco jogos, com 18 golos marcados e 1 sofrido; o Liechtenstein somava seis derrotas em seis jogos, com 21 golos sofridos e nenhum marcado.

Com mais de 10 mil espectadores nas bancadas, Portugal actuou em São Miguel, nos Açores, com Bruno Varela na baliza, Rafa Soares, Ruben Semedo, Tobias Figueiredo (c) e Carlos Mané na defesa, Tomás Podstawski, Francisco Ramos e Rony Lopes no meio-campo e Bruma e Iuri Medeiros no apoio ao ponta-de-lança Gonçalo Paciência.

Perante uma formação repleta de jovens de apenas 18/19 anos, proveniente de um país com menos de 35 mil habitantes, sem grandes valores individuais e com muita desorganização colectiva, Portugal não encontrou grandes resistências. Os pupilos de Rui Jorge até começaram num ritmo estranhamente baixo, mas rapidamente deram corda às botas e resolveram a partida.

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Aos 7’, Iuri Medeiros ganhou e marcou o canto que deu o primeiro golo da tarde a Ruben Semedo, no seu primeiro jogo pelos sub-21. Pouco depois, aos 9’, foi o outro central a marcar. Tobias Figueiredo aproveitou a assistência de cabeça de Gonçalo Paciência na sequência de um canto de Bruma para atirar a contar. Aos 12’ foi a vez de Gonçalo Paciência assinar a folha dos marcadores – assistência de Iuri Medeiros – com um remate rasteiro letal de fora da área do avançado emprestado à Académica. Bruma fechou a contagem bem cedo, aos 23’, com um remate rasteiro sobre a esquerda depois de um bom passe de Rony Lopes. Pelo meio, falhanços inacreditáveis de Bruma (duas vezes sozinho com o guarda-redes) e de Rony Lopes (atirou ao poste num improvável cabeceamento na área), entre outras tentativas.

Aos 25’ já havia 10-0 em remates e o intervalo trouxe os números da posse de bola: 76%-24% para Portugal. De resto, quando Pfleger entrou para o lugar do lesionado Majer (troca forçada de guarda-redes no Liechtenstein, aos 32′), Bruno Varela ainda não tinha tocado – literalmente – na bola. Um espelho do duelo de hoje.

Gonçalo Guedes foi o português que menos minutos jogou hoje  Foto: Eduardo Costa (Lusa)
Gonçalo Guedes foi o português que menos minutos jogou hoje
Foto: Eduardo Costa (Lusa)

No segundo tempo, Portugal jogou com menos intensidade e limitou-se a gerir confortavelmente a posse de bola à medida que ia construindo mais oportunidades para chegar à mão cheia de golos. Porém, nem Portugal viria a marcar, nem o Liechtenstein viria sequer a rematar. André Silva substituiu Francisco Ramos (45’) e Leandro Silva estreou-se pela selecção sub-21 quando rendeu Bruma (55’), alterando ligeiramente o esquema; Carlos Mané foi para extremo-esquerdo e deu o lugar de “lateral direito” a Gonçalo Guedes, quando o benfiquista entrou para o lugar de Iuri Medeiros (67’). O herói açoriano teve um desempenho bastante positivo – gerando um bruá nas bancadas com as suas primeiras arrancadas -, ter-lhe-á faltado somente um golo para pôr a cereja no topo do bolo.

Entre os falhanços de Portugal, destacam-se os dois cabeceamentos por cima de Gonçalo Paciência depois de dois bons cruzamentos de Rafa Soares (53’ e 62’), e um semelhante de Tobias Figueiredo (83’), assim como um tiro de Leandro Silva já bem dentro da área que proporcionou a defesa da tarde ao guarda-redes de 17 anos do Liechtenstein (84’).

 

A Figura

A quantidade de soluções disponíveis para os Jogos Olímpicos – Depois de uma brilhante prestação da selecção de sub-21 no último Europeu, todos ficámos com a certeza de que teríamos matéria-prima suficiente para formar uma grande equipa para as Olímpiadas. Mas esta selecção – que conta com muitas caras novas desde então – tem provado ter diversas unidades que podem ser mais-valias no Brasil. E há uma boa geração de sub-19 a caminho (hoje ganharam 4-0 à Suécia). A serenidade e a exigência que Rui Jorge imprime ao seu trabalho e a fabulosa diversidade de talentos jovens em Portugal devem fazer-nos sonhar com o ouro. O próximo teste com o México, na próxima segunda-feira, vai ser bastante interessante de acompanhar.

O Fora-de-Jogo

A falta de competitividade – Actualizemos os dados iniciais: contabilizando este jogo, o Liechtenstein já leva 7 derrotas em 7 jogos, 25 golos sofridos e nenhum marcado. Hoje não rematou. Quem beneficia deste desnível competitivo? Portugal? O Liechtenstein? Talvez não fosse, de facto, má ideia pensar num reajuste do modelo de acesso ao Euro Sub-21.

 

Foto de Capa: Eduardo Costa (Lusa)