A CRÓNICA: DE “MOTA” E DE JOTA SE FEZ A VITÓRIA PORTUGUESA

Portugal e Itália encontravam-se em jogo a contar para os quartos-de-final do Europeu de sub-21, na Eslovénia. Para a fase final, Rui Jorge sabia que não podia contar com três dos habituais titulares: Thierry Correia e Francisco Trincão, devido à Covid-19, e ainda Pedro Gonçalves, que integrou a convocatória da Seleção A.

A fase de grupos da seleção das Quinas deixou água na boca – três jogos, três vitórias e nenhum golo sofrido – e os primeiros minutos da fase final prometiam ser igualmente agradáveis. Trocas de bola com imensa qualidade desde a defesa até ao meio campo, que originou remate perigoso de Vitinha. Na sequência, canto e golo de “bicicleta” de Dany Mota. Arrancada fulgurante e autoritária de Portugal na partida.

A seleção italiana tentava reagir ao golo sofrido e procurou sempre explorar a subidas dos seus laterais, que ora apareciam em zonas de finalização, ora tentavam virar o jogo para servir colegas através de cruzamentos tensos ou rasteiros. Apesar do esforço, foi a seleção lusa que voltou a marcar. À passagem da meia hora de jogo, novo canto, novo golo. Nova excelente execução de Dany Mota. Recebeu de Daniel Bragança e fuzilou de pé esquerdo para o fundo das redes.

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A reação da Itália foi novamente sentida e os cantos voltaram a trazer golos, desta feita mesmo em cima do final da primeira parte. Pobega aproveitou a descoordenação defensiva lusa e só teve de desviar de Diogo Costa para reduzir a desvantagem. Os primeiros minutos da segunda foram pouco animados, mas a partir do minuto 58 a partida mudou. Primeiro Gonçalo Ramos a fazer o 3-1, na resposta, o 3-2, por Scamacca.

O jogo teimava em fugir do controlo de Portugal e a dúvida manteve-se até perto do fim. Perto do fim, o empate. Um balde de água fria, que se previa, por cima da cabeça de Portugal. Seguiu-se para prolongamento, no qual, apesar da vantagem numérica, os lusos nunca se conseguiram impor verdadeiramente. Ainda que sem se imporem, os portugueses voltaram a saltar para a frente do marcador, por intermédio de Jota.

A final do Europeu de sub-19 de 2018 voltou à memória, novamente decidida por Jota, novamente no prolongamento. Desta feita, esta vitória não vale um título como em há três anos, mas pode vir a valer. Segue-se a Espanha pelo caminho, que se pretende que termine só no domingo. 

 

A FIGURA

Vitinha – O médio português é facilmente o jogador do torneio até ao momento. Ainda que possamos estar a falar de uma das piores exibições coletivas, Vitinha demonstrou toda a sua classe e capacidade física. 120 minutos de pura classe!

Nota também para Dany Mota. O jogo que fez hoje deve ser suficiente para “calar” alguns críticos da sua presença nas escolhas ocasionalmente tão discutidas e polémicas de Rui Jorge. O avançado português marcou os dois primeiros golos e ofereceu tudo o que melhor tem à sua equipa. Forte fisicamente e uma carraça no melhor sentido da palavra, evidentemente.

O FORA DE JOGO
Fonte: FPF

Rui Jorge – O selecionador português não mexeu bem na equipa, de todo. Num momento em que a equipa precisava de reagir à recuperação Italiana, que se previa perigosa, os sinais dados para dentro foram contrários e alteração tática desorganizou a equipa. A entrada de Florentino parecia ir de encontro ao que jogo precisava, contudo, a evidente quebra física de Dany Mota não foi tida em conta e Rafael Leão (jogador de características mais aproximadas) ficou, de forma chocante, no banco. Tendo em conta o momento, as entradas foram completamente despropositadas e o jogo foi levado para prolongamento, já bem perto do fim. Também no prolongamento, e aproveitando-se da vantagem numérica, Portugal marcou o quarto, e mais tarde o quinto, numa altura em que o jogo estava já bastante partido.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Rui Jorge apostou num esquema tático de 4-4-2 losango sem extremos, com destaque para a qualidade técnica na troca da posse de bola, muito por culpa do virtuosismo dos seus médios. Que bom é ver esta equipa jogar futebol.

A defesa muito dificilmente muda para Portugal e Rui Jorge, e não é de agora. Thierry Correia falhou a fase final e a inclusão de Tomás Tavares como lateral-esquerdo foi a única mudança. De resto, os “três Diogos”: Diogo Queirós e Diogo Leite (defesas-centrais), e Diogo Dalot (o outro lateral).

O meio-campo de luxo português era composto por Vitinha, Daniel Bragança e Gedson Fernandes, que ficava ainda mais reforçado com a presença de Fábio Vieira, que fazia a “ponte” com os dois avançados, Dany da Mota e Gonçalo Ramos. Estes dois tentavam fazer frente aos três centrais italianos, que dificilmente se deixavam ultrapassar em jogo jogado. As bolas paradas vieram trazer vida (e golos) ao jogo.

Neste esquema a defesa foi sempre o ponto mais débil. Parecia fácil à seleção Italiana entrar em zonas de finalização, quando não era mesmo oferecida bola diretamente aos adversários. Faltava lucidez e concentração aos portugueses.

Rui Jorge mudou o esquema ao incluir extremos dentro de campo e deu-se mal. A Itália empatou, levou o jogo para prolongamento e logo no arranque, expulsão de Matteo Lovato. A partir deste momento, a seleção passou a organizar-se em 4-3-3, deixando Florentino, Baró e Vitinha no meio-campo e Rafael Leão, Jota e Francisco Conceição na frente. Estes homens acabaram por conseguir aproveitar a superioridade de homens e quebraram a resistência Italiana através do talento individual.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (7)

Diogo Dalot (6)

Diogo Queirós (7)

Diogo Leite (6)

Tomás Tavares (5)

Daniel Bragança (7)

Vitinha (9)

Gedson Fernandes (5)

Fábio Vieira (6)

Dany Mota (8)

Gonçalo Ramos (7)

SUBS UTILIZADOS

Florentino (7)

Jota (7)

Romário Baró (5)

Francisco Conceição (7)

Rafael Leão (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – ITÁLIA

A Itália apresentou o seu habitual esquema tático de 3-5-2. Não é difícil ler as movimentações dos italianos, mas certamente serão difíceis de travar. Apesar de tentarem jogar a partir de trás, tal como Portugal, procuravam constantemente o ataque à profundidade por intermédio dos homens do meio-campo e as subidas e libertação dos laterais. Os médios eram muito importantes na procura de espaços nas costas dos defesas portugueses.

As variações e cruzamentos tentavam encontrar ângulos cegos e rapidamente se percebeu que seria esta a toada dos italianos. Acabaram por raramente criar perigo através destes lances muito por culpa das falhas a nível individual, pois havia espaço deixado pela defesa lusa para fazer melhor. Valeu a ineficácia dos laterais e avançados contrários.

Apagados estiveram os dois avançados italianos. Estiveram sempre muito controlados pelos centrais portugueses e raramente se viram durante a partida, apesar da reconhecida qualidade tanto de Scamacca (que até marcou), como de Raspadori.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco Carnesecchi (6)

Luca Ranieiri (6)

Enrico del Prato (6)

Matteo Lovato (4)

Raoul Bellanova (4)

Davide Frattesi (7)

Nicolo Rovella (7)

Tommaso Pobega (8)

Marco Sala (6)

Gianluca Scamacca (7)

Giacomo Raspadori (6)

SUBS UTILIZADOS

Gabriele Zappa (6)

Giulio Maggiore (5)

Cutrone (7)

Sottil (5)

Ricci (6)

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