A CRÓNICA: PORTUGAL VENCE, MAS NÃO CONVENCE

A meio da jornada europeia de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2022, a Seleção Nacional defrontou a congénere do Qatar num encontro particular, realizado na Hungria. Com muitas mudanças anunciadas para a equipa inicial, Fernando Santos promoveu a estreia de Otávio logo como titular.

Numa primeira parte em que Portugal entrou com algumas dificuldades, foram os asiáticos a criar a primeira situação de perigo, com o goleador Almoez a atirar com estrondo ao poste da baliza de Anthony Lopes. Pouco depois, o guardião português foi chamado a intervir e evitou novo remate do Qatar.

A resposta portuguesa surgiu aos 23 minutos, logo com pontaria certeira e a dobrar. Primeiro, João Mário tirou o cruzamento da quina da área e colocou a bola na zona de André Silva, que mostrou toda a sua qualidade na finalização e abriu o marcador com um belo cabeceamento. Cerca de dois minutos depois, foi a vez de Otávio finalizar de cabeça, depois de um “voo” espetacular para corresponder à assistência de Gonçalo Guedes. Vantagem dupla da Seleção Nacional depois de um início de jogo atribulado.

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A partir dos golos, Portugal assumiu por completo o domínio da partida, em termos de posse de bola, mais ainda depois da expulsão de Barsham, guarda-redes do Qatar. No entanto, já na segunda parte, numa altura em que a “equipa das Quinas” estava totalmente instalada no meio-campo adversário, a seleção do Qatar reduziu a desvantagem na sequência de um pontapé de canto. O central Abdelkarim deu a melhor resposta ao canto de Afif e colocou os asiáticos no marcador.

Apesar do golo, este não passou de uma consolação para os selecionados de Félix Sánchez, que continuaram subjugados à troca de bola portuguesa e, até final, ainda voltaram a sofrer. Diogo Jota foi derrubado dentro da área e, na conversão da grande penalidade, Bruno Fernandes fixou o 1-3 final no marcador, a favor de Portugal.

Apesar da vitória, Portugal registou uma exibição pobre dadas as circunstâncias. Mesmo com as trocas na equipa inicial, era expectável que a equipa fosse capaz de produzir mais ofensivamente, dada a superioridade na posse de bola, e de se defender melhor no setor recuado.

 

A FIGURA

Otávio Portugal
Fonte: FPF

Otávio Monteiro – O jogador do FC Porto estreou-se pela Seleção Portuguesa e logo com direito a golo. Para além do tiro certeiro, o médio aproveitou bem a liberdade de movimentos que lhe foi permitida e deambulou muitas vezes entre a ala e o corredor central, algo que faz com frequência no clube. Mais um jogador às ordens de Fernando Santos e que chega para ajudar Portugal.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Danilo Pereira – Começou como central e terminou a médio defensivo, muito fruto da pobre exibição no setor recuado. Nos primeiros minutos de jogo, tanto ele como Domingos Duarte foram demasiado ligeiros com os atacantes adversários, oferecendo mesmo duas ocasiões de golo ao Qatar. Para além disso, de cada vez que a seleção asiática saía para o ataque, o jogador do Paris Saint-Germain FC era sempre um corpo estranho na linha defensiva. É um grande médio defensivo, mas, como defesa central, já mostrou que não tem futuro.

 

ANÁLISE TÁTICA – QATAR

5-3-2 montado por Félix Sánchez até deu frutos nos primeiros 20 minutos, com a pressão alta a recuperar várias bolas para o Qatar e a oferecer mesmo duas grandes oportunidades à seleção asiática. Todavia, a partir dos golos de Portugal, a equipa acusou o momento e deixou de conseguir retirar a posse ao adversário.

As fragilidades agravaram-se após a expulsão, mas, se este teste serviu para algo, foi para a nação anfitriã do próximo Mundial testar a resposta em situação de inferioridade numérica.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Meshaal Barsham (5)

Pedro Correia (6)

Bassam Al-Rawi (5)

Boualem Khoukhi (5)

Abdelkarim Hassan (6)

Abdulaziz Elamin (5)

Abdulaziz Hatim (5)

Karim Boudiaf (5)

Abdullah Alahrak (5)

Akram Afif (5)

Ali Almoez (5)

SUBS UTILIZADOS

Yousef Hassan (5)

Salman Tarek (5)

Hasan Al Haydos (5)

Ahmed Alaaeldin (5)

Musab Khoder (-)

Assim Madibo (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

4-3-3 voltou a merecer a aposta de Fernando Santos, mas com uma equipa totalmente diferente da que havia defrontado a República da Irlanda. O setor defensivo só foi incomodado nos primeiros 20 minutos de jogo, sendo que, aí, demonstrou algumas dificuldades.

No meio, João Moutinho e João Mário tiveram sempre as “costas bem guardadas” por Rúben Neves, o que permitiu aos médios saírem tranquila e despreocupadamente com a bola nos pés. Na frente, destaque para Otávio, que se estreou logo com golo e realizou boas incursões pelo corredor interior.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Anthony Lopes (6)

Nélson Semedo (5)

Danilo Pereira (5)

Domingos Duarte (5)

Nuno Mendes (6)

Rúben Neves (6)

João Moutinho (6)

João Mário (6)

Otávio Monteiro (7)

Gonçalo Guedes (6)

André Silva (7)

SUBS UTILIZADOS

Diogo Jota (6)

Bruno Fernandes (6)

Francisco Trincão (6)

Rúben Dias (6)

Raphael Guerreiro (-)

Rafa Silva (-)

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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