A CRÓNICA: PORTUGAL COM DUAS PARTES DISTINTAS E POLÉMICA NO FINAL

Sérvia e Portugal encontraram-se em Belgrado para disputar o jogo de cartaz do grupo A da fase de apuramento para o Mundial 2022 e pode-se mesmo dizer que ninguém levou a melhor, num encontro que terminou empatado a duas bolas e com muita polémica já ao cair do pano.

Quatro palavras poderão resumir a primeira parte: entrada pragmática, vantagem merecida. A seleção nacional revelou ser mais criativa nos primeiros minutos e, se é verdade que Cristiano Ronaldo desperdiçou uma boa jogada coletiva logo a abrir, Diogo Jota tratou de inaugurar o marcador com um cabeceamento ao minuto 11’, após assistência de Bernardo Silva. O conjunto sérvio viu-se obrigado a correr atrás do prejuízo, mas não conseguia assustar verdadeiramente a baliza de Anthony Lopes.

A equipa de Fernando Santos teve sempre o segundo golo à espreita, golo esse que acabaria por aparecer pouco depois da meia hora de jogo e… novamente num cabeceamento de Diogo Jota, desta vez a dar o devido seguimento ao belo cruzamento de Cédric. A Sérvia apenas respondeu num cabeceamento de Vlahovic, mas não impediu a desvantagem de dois golos na ida para os balneários.

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Bom… Se a entrada de Portugal no primeiro tempo foi boa, o que dizer do arranque sérvio na segunda parte? Ainda nem sequer tinham decorrido os primeiros 40 segundos e já Mitrovic tinha reduzido a diferença no marcador, após assistência do recém-entrado Radonjic. Mas atenção, o bom arranque não se resumiu só a esse golo, dado que o domínio sérvio foi nota dominante nos primeiros 20 minutos: Anthony Lopes ainda evitou o golo de Tadic, Milinkovic-Savic falhou o empate logo a seguir, mas o 2-2 acabaria mesmo por acontecer após um contra-ataque finalizado por Kostic, à passagem da hora de jogo.

A partir daí, a intensidade baixou, é certo, mas ambas as equipas continuaram à procura do golo da vitória, ainda que de forma mais cautelosa. O jogo aproximava-se a passos largos dos últimos minutos e foi aí que estalou a polémica. Após a expulsão de Milenkovic por entrada dura sobre Danilo, Portugal ficou os três minutos de compensação a jogar em superioridade numérica e até marcou… mas não contou. O remate de Cristiano Ronaldo no último suspiro passou a linha de golo (apesar do corte de Stefan Mitrovic), mas não foi validado. Um lance que acabou por ser decisivo para as contas do encontro, que terminou empatado a duas bolas e com uma dose de polémica.

 

A FIGURA

Nemanja Radonjic – Entrou e mexeu com tudo. O extremo sérvio não só fez as duas assistências que deram o empate à Sérvia, como deu a verticalidade necessária ao corredor direito e que acabou por ser uma dor de cabeça para a defesa portuguesa. Além disso, baixou no terreno por algumas ocasiões, travando algumas investidas de Portugal pela ala esquerda. É certo que Diogo Jota se destacou pelos dois golos, mas o principal destaque acaba por recair sobre o sérvio de 25 anos.

 

O FORA DE JOGO

Segunda parte de Portugal – Relaxada, desatenta e descoordenada, tudo aquilo que seriam palavras proibidas, mas que acabaram por caracterizar a segunda parte protagonizada por Portugal, principalmente até ao minuto 65’. Tudo isto levou a que a vantagem de dois golos se transformasse em empate e ainda com a ameaça de reviravolta a pairar sobre o conjunto de Fernando Santos. 45 minutos paupérrimos

 

ANÁLISE TÁTICA – SÉRVIA

Dragan Stojkovic decidiu promover uma mão cheia de alterações em relação à equipa inicial que derrotou a Républica da Irlanda por 3-2. Além de um setor intermédio totalmente renovado, destaque ainda para a titularidade de Mitrovic na frente de ataque, ao lado de Vlahovic – eles que foram decisivos nesse jogo relativo à primeira jornada da fase de grupos.

Face a essas mudanças, a Sérvia passou a atuar em 3-4-1-2 – com a colocação de Tadic no apoio aos dois pontas de lança –, mas enfrentou algumas dificuldades para criar perigo junto da baliza de Anthony Lopes na primeira parte. A juntar a isso, algumas descoordenações na linha defensiva acabaram por ser fatais nos golos que levaram Portugal para o intervalo em vantagem.

No entanto, bastaram duas mexidas no segundo tempo para dar outro fôlego ao corredor direito para mudar o rumo dos acontecimentos, de tal modo que a entrada de Radonjic traduziu-se em duas exemplares assistências, num período com claro domínio por parte da seleção da casa. Um estilo de jogo a fazer lembrar as investidas ofensivas da Sérvia no jogo anterior, bem pensado e mais organizado.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marko Dmitrovic (6)

Nikola Milenkovic (5)

Stefan Mitrovic (7)

Strahinja Pavlovic (6)

Darko Lazovic (6)

Sergej Milinkovic-Savic (6)

Nemanja Gudelj (5)

Flip Kostic (7)

Dusan Tadic (7)

Dusan Vlahovic (6)

Aleksandar Mitrovic (7)

SUBS UTILIZADOS

Nemanja Radonjic (8)

Nemanja Maksimovic (5)

Mihailo Ristic (6)

Filip Duricic (-)

Luka Jovic (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Já Fernando Santos acabou por mudar meia dúzia de peças, forçado também pelos problemas físicos de João Moutinho. À semelhança da Sérvia, o meio-campo foi plenamente alterado, com Danilo, Sérgio Oliveira e Bruno Fernandes a substituírem Rúben Neves, João Moutinho e Pedro Neto. No setor defensivo, José Fonte e Cédric ocuparam as vagas deixadas por Domingos Duarte e Nuno Mendes, respetivamente, enquanto que Diogo Jota rendeu André Silva, descaindo para o corredor esquerdo da frente de ataque.

A jogar em 4-3-3, equipa das Quinas protagonizou um primeiro tempo de clara superioridade, com dinâmicas ofensivas mais trabalhadas, ao que se juntou um comprometimento defensivo a barras as tentativas de perigo do adversário. Nos períodos em que a Sérvia tentava construir a partir de trás, Portugal apresentou um bloco alto, suficiente para dificultar toda a restante construção do oponente.

Contudo, a entrada em falso na segunda parte não só impossibilitou qualquer jogada de perigo nos primeiros minutos, como evidenciou desequilíbrios fatais no processo defensivo da equipa portuguesa – momentos que fizeram desperdiçar a vantagem de dois golos. A incapacidade de circular a bola no meio-campo adversário foi gritante e isso foi suficiente para justificar o pouco ou nenhum perigo criado a Dmitrovic.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Anthony Lopes (7)

Cédric Soares (7)

Rúben Dias (7)

José Fonte (6)

João Cancelo (6)

Danilo Pereira (7)

Sérgio Oliveira (6)

Bruno Fernandes (6)

Diogo Jota (8)

Bernardo Silva (7)

Cristiano Ronaldo (6)

SUBS UTILIZADOS

Nuno Mendes (5)

Renato Sanches (5)

João Félix (-)

João Palhinha (-)

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