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Apurada para o Campeonato do Mundo de 2018 na Rússia, a seleção Inglesa terá como objetivo na competição fazer melhor do que tem feito nos últimos anos nas competições em que se inseriu. No Euro 2016 foi eliminada pela modesta (não tanto) seleção islandesa nos oitavos de final, o que motivou uma onde de críticas enorme à equipa técnica e direção da federação inglesa de futebol.

Concluída a caminhada na maior competição europeia de seleções, chegara a hora de olhar mais para fora dela e começar a pensar no Campeonato do Mundo de 2018, a realizar-se na Rússia. Ora, qualificar-se para esta competição não se mostrou uma tarefa muito complicada para a seleção que durante esse período de classificação foi comandada por Sam Allardyce e Gareth Southgate, que, frente a equipas como Eslováquia, Escócia, Eslovénia, Lituânia e Malta, conseguiu terminar o grupo destacada no primeiro posto com 26 pontos, mais oito do que a seleção segunda classificada, a Eslováquia.

O objetivo da equipa de Terras de Sua Majestade foi cumprido, mas esta não se viu livre da crítica britânica por ter vencido o grupo, mas sem convencer a Europa da sua verdadeira força, ou, pelo menos, da força que se espera que tenha. Em 10 jogos os ingleses marcaram por 18 vezes, o que é pouco para uma seleção que sempre foi conhecida por ter grandes avançados, e é um número que ultrapassa apenas em uma unidade o número de golos das seleções eslovaca e escocesas. Para além desse problema, outro colocado pelos analistas do futebol inglês o da “dependência” de Kane para vencer os jogos. Dos 18 golos apontados pela equipa, Kane marcou cinco, mas apenas participou em seis jogos, sendo que em três deles foi decisivo para que a sua seleção pudesse levar desses jogos pelo menos um ponto.

O avançado do Tottenham é, sem dúvida, um dos melhores avançados da atualidade, atravessa neste momento o melhor momento da sua carreira, e o selecionador inglês certamente contará com ele para ajudar a equipa a alcançar os seus objetivos no Mundial do próximo ano. No entanto, o nome de Kane parece, nesta altura, ser o único de qualidade para uma posição que nesta seleção sempre foi ocupada por grandes nomes, como o de Rooney, Michael Owen, Teddy Sherigham, Robbie Fowler, Alan Shearer, e muitos outros.

Na lista de jogadores para ponta de lança da seleção britânica constam, para além de Kane, Rashford, Welbeck, Sturridge, Vardy, Rooney e Defoe. Neste lote, o spur é, com certeza, o que mais merece o lugar, mas merecia também concorrentes com mais capacidade de lhe fazer frente na luta pela posição. Rashford é ainda bastante jovem, para além de não ser um ponta de lança puro, Welbeck não atravessa o seu melhor momento, assim como Sturridge, e Vardy e Rooney também tem tido exibições bastante abaixo das expetativas, e sem comparação às que já os vimos protagonizar.

Ao serviço do Tottenham, Kane é, neste momento, o segundo melhor marcador da Premier League com seis golos Fonte: FA
Ao serviço do Tottenham, Kane é, neste momento, o segundo melhor marcador da Premier League com seis golos
Fonte: FA

Isto pode tronar-se um problema grave para a seleção de Inglaterra no decorrer do Mundial. Se, por alguma razão, Kane estiver indisponível, as alternativas não me parecem fiáveis o suficiente para estar altura do desafio de defrontar as melhores seleções do Mundo, pelo que as aspirações da seleção podem cair caso o jogador do Tottenham fique impossibilitado de jogar. É ele o homem-golo da equipa, é ele quem mais vezes decide os jogos, e, volto a afirmar, é o melhor avançado inglês da atualidade, pelo que, na sua ausência, a seleção dos três leões, previsivelmente, terá algumas dificuldades para colmatar a falta do seu goleador-mor, que para além desse “estatuto” é, também, capitão da equipa.

A não ser que, até ao próximo verão, apareça, milagrosamente, um novo avançado em Inglaterra com qualidade suficiente para estar à altura do desafio de concorrer com Kane por um lugar no ataque da seleção, espera-se que a possível ausência do atacante dos spurs possa ser uma das dificuldades da equipa no próximo campeonato do Mundo, que não parece encontrar um jogador capaz de colmatar a sua ausência. Há ainda os jogos de preparação, novas táticas podem ser preparadas, o poder de fogo da equipa pode ainda ser melhorado, repartindo a contribuição para os golos por mais jogadores que não sejam Harry Kane e outros poucos da equipa. Cabe ao selecionador decidir o que é melhor para equipa, e neste momento, parece ser de real importância preparar a equipa para a possibilidade de Kane ter que falhar um jogo, ou mais, de maneira a que a equipa possa finalizar os processos ofensivos com a mesma eficácia e frequência, ou até mais, de quando atua o seu principal avançado.

Como qualquer dependência, esta também poderá ser “tratada”, mas o trabalho para isso tem que começar desde cedo.

Foto de capa: FA

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