Na estrada para o Qatar, Brasil e Argentina preparavam-se para mais um “Superclássico das Américas”. Enorme rivalidade, adeptos fervorosos e um futebol delicioso. Esperávamos um bom espetáculo, mas o que recebemos? Uma situação polémica e caricata, seguida de um mero treino…

Vamos lá então perceber o que aconteceu. Ficou pré-estabelecido que neste “Superclássico” não poderia estar presente nenhum jogador da Liga Inglesa sem cumprir quarentena, devido à integração do Reino Unido na lista vermelha do Brasil. Porém, Emiliano Martínez, Cristian Romero e Giovani Lo Celso constavam no 11 inicial da albiceleste, além de Emiliano Buendía, no banco de suplentes. Era um claro atentado às regras de saúde já estipuladas e, ao minuto seis, a “bomba” explodiu.

Alguns membros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “saltaram” para dentro de campo, em protesto à presença indevida dos quatro jogadores argentinos. Uma loucura! Em consequência, a equipa da Argentina regressou ao balneário e sucederam-se largos minutos de incógnita, indecisão e muito desagrado, ao invés da habitual realização de mais uma edição do “Superclássico das Américas”.

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Na sequência destes acontecimentos, o diretor-presidente da Anvisa, António Barra Torres, opôs-se publicamente à conduta argentina: “Chegámos a esse ponto porque tudo aquilo que a Anvisa orientou antes não foi cumprido. Esses jogadores tiveram orientação de ficarem isolados para serem deportados. O isolamento poderia ser até mesmo no hotel. Mas isso não foi cumprido. Eles entraram em campo ainda. Há uma série de incumprimentos”.

Não sei se a Argentina julgava estar acima da lei e dos protocolos sanitários, mas a verdade é que esta novela podia ter sido evitada e tratada bem mais cedo. Como é que apenas em pleno jogo, num “Superclássico”, se apercebem da transgressão das regras? O timing é surreal e impensável.

Este é “apenas” mais um exemplo da incrível falta de organização da CONMEBOL. Para culminar, segundo diversas fontes, a instituição sul-americana está a ponderar retirar pontos ao Brasil por culpa da invasão de campo durante o “Superclássico”. Inédito!

Falta mais profissionalismo, competência e uma melhor organização para que seja possível tomar decisões mais acertadas, em prol do futebol e da saúde pública, num momento tão crucial como este. O caminho é para a frente, mas mais parece que a CONMEBOL está com a marcha atrás engrenada…

Artigo revisto por Andreia Custódio

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