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Cabeçalho Seleção Nacional

Portugal cumpriu o seu dever com dificuldade. Tanta dificuldade que levou ao desespero de colocar o central Pepe a ponta de lança quando o tempo regulamentar escasseava.

O Portugal de Fernando Santos apostou num 4-4-2 compacto, como habitual, mas desta feita sem a maioria dos habituais titulares. Nelson Semedo, Neto, Danilo Pereira, Moutinho, Pizzi, Gelson Martins e Nani voltaram ao onze inicial.

Um primeiro tempo onde foi notório observar uma ligeira superioridade por parte dos portugueses, mas sem se livrar de alguns calafrios provocados pelos contra-ataques do adversário. O 11 do México também sofreu alterações relativamente ao último jogo, mais concretamente a ausência de Raul Jimenez, Jonathan e Giovani dos Santos, e a inclusão de Rafa Marquez, experiente central que hoje jogou numa posição mais adiantada do terreno. Num sistema tático 4-3-3, o foco da equipa estava no trio atacante, hoje composto por Carlos Vela, Javier Hernandez e Peralta.

Portugal joga um futebol um tanto apático, sem muitas ocasiões flagrantes de golo e sem brilho. No entanto, ia progredindo no terreno, com Gelson a combinar muitas vezes com o lateral Nelson Semedo, ou apostando na profundidade, com André Silva muitas vezes em descair para a esquerda e devolver a bola para a zona de finalização. Porém, os atacantes portugueses revelaram-se muito pecadores na finalização.

O México não acusava muito a falta de posse de bola, não ia defendendo tão bem como deveria, mas a verdade é que a Seleção Nacional não conseguia ser objetiva com ela. Aos 15 minutos, André Silva é derrubado por Rafa Marquez! 1 minuto e pouco de espera pelo veredicto do video árbitro, e confirma-se o castigo máximo a favor de Portugal. Sofreu e bateu a grande penalidade, mas o novo jogador do A.C. Milan não conseguiu superar Ochoa.

Aos 18’ outra boa oportunidade para a Seleção das Quinas se adiantar no marcador: Nani aparece sozinho na zona da grande penalidade, mas é displicente na hora de atirar. A um ritmo lento se ia jogando, não sei se pelo facto de se tratar de um jogo “simbólico”, já que se atribuí a medalha de bronze da competição, mas a verdade é que, tanto de uma parte como da outra (claro que as alterações promovidas nas equipas se fazem sentir) não se ia vendo grande espírito de vitória, ao longo da primeira parte sentia que a abordagem das equipas, infelizmente, seria para cumprir calendário…

Logo após a mostragem do amarelo a N. Semedo, livre lateral batido e Rafael Marquez salta mais alto na área portuguesa, mas Rui Patrício demonstrou atenção. Quatro minutos depois, aos 31’, grande intervenção do guarda-redes leonino. Chicharito Hernandez cabeceia para golo, se não fosse a palmada decisiva do guardião português.

O alerta soou e Pizzi teve nos pés uma oportunidade soberana para abrir o placard, mas encontrou uma oposição in extremis do defensor mexicano. A partir daqui e até ao fecho da primeira metade, o jogo manteve-se a lume brando como desde o seu início, mas sem oportunidades concretas de golo… Uma primeira parte que, principalmente por parte dos adeptos portugueses, deixou muito a desejar.

A 2ª parte começa, sem alterações técnicas ou táticas por parte dos selecionadores. Aos 53’, Gelson Martins fica muito perto do golo! O seu remate fica a centímetros do poste esquerdo…

Diz o ditado na gíria que quem não marca sofre, e tal aconteceu. Luis Neto esperava que Patrício apanhasse ou desviasse a bola, mas tal não se sucedeu e o esférico acabou por ir ao encontro das pernas de Neto, que não conseguiu reagir a tempo e introduziu a bola na própria baliza.

Uniao do grupo foi fundamental Fonte: FIFA
Uniao do grupo foi fundamental
Fonte: FIFA

Portugal agora tinha de começar a correr. Rui Patrício esteve concentrado e através de manchas aos pés dos mexicanos ia evitando o segundo. Um mau momento que se vivia no lado português. Peralta ameaçou, mas o número 1 de Portugal estava na trajetória da bola.

A espaços, Portugal conseguia colocar homem ou até homens na zona de finalização. Com André Silva a vir à esquerda receber e proseguir nessa mesma ala, a Seleção Portuguesa ficava sem o seu homem mais avançado na área e o 9 português era obrigado a procurar linhas de passe atrasadas, onde uma delas surgiu Pizzi, que rematou muito perto do poste direito da baliza defendida por Guillermo Ochoa, aos 59 minutos de jogo.

Mas aos 61’, Gelson aparece com um cabeceamento à queima roupa muito forte. Era um golo certo, caso não estivesse lá um “keeper” com uns reflexos tão abençoados como os de Ochoa. Grande momento, mas desespero do lado dos portugueses.

Nani uma vez mais a falhar: o extremo demonstra mais uma vez que a sua carreira está em clara fase descendente. Em posição privilegiada cabeceia fraco e muito longe do alvo. Como capitão exigia-se que comandasse a nossa Seleção ao bronze, contudo não deu o exemplo pretendido e a sua prestação não esteve à altura do que era exigido.

Este jogo até teve lances perigosos de parte a parte (mais de Portugal no início, mas o México equilibrava na 2ª parte), mas as ocasiões criadas não eram finalizadas de forma séria, não via um nível de empenho em contrariar o resultado. Equipas muito cansadas, principalmente Danilo.

Por isso, entra André Gomes para o sue lugar, e Adrien Silva para o lugar de João Moutinho. Fernando Santos queria pulmão no meio campo, preferia isso a refrescar o ataque. Do lado mexicano, poucos minutos antes Osorio tinha promovido a entrada de Jonathan dos Santos, também reforçando o meio campo.

Aos 83’, Chicharito poderia ter contribuído melhor para a sua equipa conseguir ampliar a vantagem, mas a sua assistência não foi executada da melhor maneira e Patrício segura.

Só se aguardava o desfecho do jogo, mas Pepe foi fundamental: ao ser colocado na posição de ponta de lança nos últimos minutos, procurou o espaço e encontrou-o! Grande gesto técnico de um dos melhores centrais do mundo, que mostrou determinação e alguma loucura: colocou o pé à bola de forma a colocar a mesma fora do alcance de Ochoa, e a forma encontrada foi com a sola. Apreciar a forma como se faz à bola é quase obrigatório, grande golo que levou o jogo para tempo extra.

Entra William, sai Pizzi. O meio campo é a prioridade para Portugal chegar à vitória. Adrien entrou muito bem, um jogador que dá garantias absolutas.

Aos 94’, Raul Jimenez, que entrara na 2ª parte do tempo regulamentar, não esteve nos seus dias e não conseguiu enquadrar o seu remate com a baliza portuguesa. Por palavras, recebeu amarelo pouco depois.

Nova grande penalidade para Portugal!!! Miguel Layún toca claramente com o braço na bola, e Adrien Silva é o responsável pela marcação do pénalti. E marca! Fim do enguiço português nestas Confederações, que na meia final ditou o afastamento da grande final através do desempate nas grandes penalidades.

Dois minutos depois, Nelson Semedo levanta o pé à bola, mas encontra a face do adversário. O árbitro não hesitou em lhe mostrar o segundo amarelo, e respetivo vermelho.

Portugal tinha de segurar a vantagem mínima com 10 unidades, fazendo com que, naturalmente, a equipa recuasse no terreno e se concentrasse mais no meio. Até ao final já se sabia que ia ser de aperto para Portugal, mas Jimenez deu uma ajuda e entrou muito duro sobre o seu colega de clube, Eliseu, e foi expulso pelo árbitro Fahad Al Mirdasi.

O jogo não acabou sem Herrera testar, uma vez mais, os reflexos do guardião português, que acabou por ser a melhor figura do encontro. André Gomes não entrou bem, falhou passes fáceis, parece que não se consegue integrar nesta equipa…

A prestação da nossa Seleção acabou por ser idêntica ao crédito dado à Taça das Confederações, com muita pena minha. A Seleção Nacional jogou um futebol parecido ao demonstrado no Europeu do ano passado, mas a chamada “sorte” não nos abonou como abonou no Euro 2016. Uma prova como esta, que possivelmente se vai extinguir ou, no mínimo das hipóteses, ser reestruturada, seria bom disputar a final. Espero que sirva de lição e preparemos o Mundial da melhor maneira possível!

Foto de Capa: mcclatshy-wires.com

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