A CRÓNICA: “SUBMARINO AMARELO” CONSEGUE ENCOSTAR “BLUES” ÀS CORDAS, MAS HISTÓRIA NOS PENÁLTIS CONTRA INGLESES NÃO SE REPETE

Na primeira final de uma grande competição em Belfast, penso que seja justo dizer que esta partida foi marcada por cinco fases diferentes. O início seria marcado pelo rigor tático de ambas as partes, algo que seria de esperar por parte dos treinadores, e duraria até praticamente à meia hora de jogo.

Nesta primeira fase, tivemos a possibilidade de ver um jogo de xadrez extremamente interessante, em que caberia ao Chelsea FC ter paciência frente aos homens de Umai Emrey que se mostravam fiéis a uma linha muito baixa no terreno. O Villarreal CF, sem conseguir esticar o seu jogo, foi aguentando com eficácia as incursões dos “blues”, que teriam boas oportunidades aos cinco, oito e 24 minutos.

Primeiro, uma ameaça através de canto, depois, uma recuperação de bola à Kanté que, rápido a reagir, faz um remate perigoso à entrada da área e, numa terceira instância, e já com o Chelsea a ser capaz de encontrar mais espaços, um livre milimétrico de Ziyech para o segundo poste encontraria Odoi que não conseguiu dar a continuidade esperada à jogada.

A qualidade de passe de Kovacic seria um dos pontos fortes da primeira parte e a segunda fase do jogo começaria ao minuto 27, quando o Villarreal começa a tremer e sofre o primeiro golo, como já se esperava em detrimento do decorrer dos acontecimentos até então. Marco Alonso, demonstrando excelência a ler o jogo, faz um passe perfeito para o espaço vazio no flanco esquerdo e Havertz, sem demoras, oferece um meio golo a Ziyech que chega rapidamente à área e, sozinho, não perdoa.

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Aquilo que considerei como a segunda fase duraria até ao final da primeira parte. Ainda que os espanhóis tenham sido capazes de criar perigo, com destaque para Pau Torres que continua a destacar-se como um dos centrais mais desequilibradores da atualidade através da variedade de passes com que consegue lançar os seus avançados, Edouard Mendy demonstrar-se-ia pragmático como de costume e os “blues” terminariam o primeiro tempo com 61% de posse de bola. Importante referir que, ainda assim, o Villarreal iria para o balneário com claras intenções de reagir e tentar chegar à igualdade, uma vez que, no fechar da cortina e através de canto, só por azar Alberto Moreno veria o golo ser negado com estrondo na trave.

Numa terceira fase da partida, o “Submarino Amarelo” subiria as suas linhas e assumiria o controlo de praticamente todos os 45 minutos da segunda parte, sendo capaz de criar inúmeras iniciativas para chegar à baliza contrária. A pressão mais alta iria permitir dar mais espaço a Gerard Moreno e encostar o Chelsea às cordas. Destaco o minuto 52, num erro inesperado de Mendy, que escorrega na marcação dum pontapé de baliza em que a bola acaba por chegar a Gerard Moreno, mas o guarda-redes francês compensa e bem ao enviar a bola ao poste com a ponta dos dedos.

O golo acabaria por chegar com total mérito, aos 73 minutos, num golpe de azar por parte da defesa do Chelsea que, numa saída em falso, perde a bola na própria área e vê Boulaye Dia fazer um passe de calcanhar que deixaria qualquer defesa desarmada e Gerard Moreno, com espaço para fazer o que quiser, faz o que mais gosta e coloca a bola dentro da baliza.

Numa quarta fase, já em prolongamento, os ingleses iriam demonstrar mais vontade de vencer a partida, sem que isso lhes permitisse voltar a mexer no marcador. As estrelas seriam os dois responsáveis pelas redes das respetivas balizas que, aliás, não obstante o erro de Mendy, se apresentaram a grande nível.

Por fim, aquilo que nunca se pode prever: os penáltis. Thomas Tuchel surpreenderia tudo e todos, ou não, ao substituir o guardião francês por aquele que se considera um dos maiores investimentos falhados em guarda-redes: Kepa Arrizabalaga. Contudo, seria o espanhol a decidir mais um jogo impróprio para cardíacos e entregar mais uma taça aos “blues”, ao defender o último penálti face ao Raul Albiol. O Chelsea ganha, assim, a segunda Supertaça Europeia em cinco tentativas.

 

A FIGURA

Thomas Tuchel – Ainda que seja justo destacar Ziyech pelo golo e boa forma em que se encontra, e Kovacic e Alonso pelas excelentes exibições, não poderia deixar de evidenciar o treinador alemão. Os elogios começam a ser poucos para descrever tudo o que Tuchel tem conseguido fazer desde que assumiu as rédeas de uma equipa que, segundo outros, não tinha ponta por onde se lhe pegasse. A jogada de mestre ao trocar os guarda-redes foi apenas mais uma prova de que Tuchel sabe exatamente como mexer todas as peças do seu tabuleiro de xadrez.

O FORA DE JOGO

Raúl Albiol O capitão espanhol, apesar da grande influência que tem na equipa, não teve uma exibição particularmente feliz. É certo que no que toca a penáltis quase tudo é uma questão de sorte, mas a verdade é que ter falhado o último penálti acabou por ditar a derrota da sua equipa.

 

ANÁLISE TÁTICA – CHELSEA FC

Os ingleses continuam a apostar num sistema de continuidade que ronda o 4-3-3. Estávamos acostumados a ver um 4-3-2-1, mas o técnico alemão tem vindo nesta pré-época a apostar num 4-3-1-2.

Atrás, os “blues alinharam com o fiel Edouard Mendy, Kurt Zouma, Trevoh Chalobah, Antonio Rüdier, Marcos Alonso e Callum Hudson-Odoi. No meio-campo, a dupla Kanté e Kovacic controlaram muito bem as operações e, na frente, Ziyech assumiu a posição de número dez atrás dos compatriotas Havertz e Werner neste sistema que Tuchel tem vindo a utilizar nos últimos jogos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Edouard Mendy (7)

Kurt Zouma (6)

Trevoh Chalobah (7)

Antonio Rüdiger (6)

Marcos Alonso (7)

Callum Hudson-Odoi (6)

N’Golo Kanté (7)

Mateo Kovacic (7)

Hakim Ziyech (8)

Kai Havertz (7)

Timo Werner (6)

SUBS UTILIZADOS

Christian Pulisic (6)

Mason Mount (6)

Jorginho (6)

Andreas Christensen (6)

Cesar Azpilicueta (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – VILLARREAL CF

O Villarreal começou por se apresentar em com Sergio Asenjo na baliza e Juan Foyth, Alfonso Pedraza, Pau Torres e Raúl Albiol responsáveis pela defesa, num sistema de 4-4-2. À frente, Etienne Capoue, Manu Trigueros, Alberto Moreno e Yeremi Pino tentavam fazer a bola chegar a Boulaye Dia e Gerard Moreno.

A nível tático, foi particularmente interessante observar os movimentos dos espanhóis na primeira meia hora de jogo, período em que jogaram com as linhas de tal forma juntas que chegavam a defender com uma linha de cinco ou seis homens, com um deles sempre pronto a avançar para a bola dependendo das investidas do adversário.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Sergio Asenjo (8)

Juan Foyth (8)

Alfonso Pedraza (6)

Raúl Albiol (6)

Pau Torres (6)

Etienne Capoue (6)

Manu Trigueros (6)

Alberto Moreno (6)

Yeremi Pino (7)

Boulaye Dia (7)

Gerard Moreno (7)

SUBS UTILIZADOS

Pervis Estupiñán (6)

Mario Gaspar (6)

Moi Gomez (6)

Manu Morlanes (6)

Dani Raba (6)

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