Apresentação com goleada e boas indicações para a nova época | FC Porto 39-27 ABC

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O FC Porto venceu o ABC por 39-27, no jogo de apresentação aos sócios, deixando boas indicações na estreia de Carlos Martingo perante o público do Dragão Arena. Num encontro que marcou o início de um novo ciclo após a saída de Magnus Andersson (muito bem sucedida após oito anos no cargo), os azuis e brancos exibiram maior profundidade de plantel, intensidade defensiva e uma eficácia ofensiva que acabou por fazer a diferença perante uma jovem equipa minhota.

O encontro começou equilibrado, com o FC Porto a assumir as primeiras vantagens, mas sem conseguir descolar no marcador. Aos onze minutos registava-se um empate a sete golos, muito por culpa da excelente entrada do ABC e da inspiração de Rodrigo Esteves. 

O lateral-direito, reforço proveniente do FC Gaia e melhor marcador da fase regular da última edição do campeonato, voltou a justificar toda a expectativa em torno da sua contratação. Com oito golos e uma enorme capacidade para assumir o jogo ofensivo dos minhotos, foi claramente a principal figura da formação orientada por Filipe Magalhães.

Do lado portista, quem começou desde cedo a marcar diferenças foi Sebastian Abrahamsson. O guarda-redes sueco somou seis defesas nos primeiros treze minutos e deu a tranquilidade necessária para que os dragões começassem a acelerar o ritmo da partida. 

A partir daí, o FC Porto encontrou soluções com maior facilidade, aproveitando também as muitas perdas de bola e a menor organização ofensiva do adversário para construir uma vantagem confortável ao intervalo, que chegou aos oito golos (22-14).

Na segunda parte, a diferença entre as duas equipas tornou-se ainda mais evidente. O FC Porto entrou muito forte, aumentou rapidamente a vantagem para dez golos e nunca mais permitiu qualquer aproximação do ABC. A equipa minhota, profundamente renovada e ainda à procura das melhores dinâmicas coletivas, revelou dificuldades para acompanhar a intensidade dos campeões nacionais, que controlaram sempre o encontro sem sobressaltos.

Entre os destaques individuais, merece referência o regresso de Diogo Rêma. O internacional português voltou à competição depois de vários meses afastado devido a uma grave lesão ligamentar e respondeu com uma exibição segura, transmitindo excelentes indicações para o arranque oficial da temporada. No plano ofensivo, João Gomes, Ricardo Brandão e Antonio Martínez lideraram uma equipa que apresentou várias soluções e confirmou a profundidade do seu plantel.

Os minutos finais reservaram ainda um momento especial para os adeptos portistas. Armando Coelho, de apenas 14 anos, estreou-se pela equipa principal no Dragão Arena, e marcou mesmo um golo, confirmando o enorme potencial de um dos jovens mais promissores da formação azul e branca e do andebol nacional.

Filho de Eduardo Filipe, uma das maiores figuras da história do andebol português e do FC Porto, o jovem lateral-esquerdo começa desde cedo a escrever a sua própria história.

Mais do que o resultado, este jogo de apresentação serviu para confirmar que o FC Porto inicia uma nova etapa com ambição renovada. Carlos Martingo tem agora a missão de suceder a Magnus Andersson, treinador que, em duas passagens pelo Dragão Arena, conquistou quatro Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal e duas Supertaças, além de conduzir os dragões a algumas das melhores campanhas europeias da sua história.

Este teste foi claramente superado. Ainda é cedo para retirar grandes conclusões, mas perante os seus adeptos o FC Porto deixou sinais positivos, enquanto o ABC, apesar da pesada derrota, encontrou em Rodrigo Esteves uma das figuras da partida e um motivo evidente para acreditar que poderá construir uma equipa muito competitiva ao longo da temporada.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: Quais as ilações que tira desta partida? O que considera que foi positivo e o que ainda é necessário melhorar?

Carlos Martingo: Apesar da diferença de golos, não estou muito satisfeito com a nossa prestação defensiva. No ataque, conseguimos imprimir um ritmo bastante interessante para esta altura da época com várias transições rápidas e fáceis.O balanço global é positivo, mas temos de melhorar muito na defesa. Os atletas ainda estão bastante pesados, temos treinado bastante, temos treinado muito duro, e é normal que ainda não estejam na melhor forma, mas acreditamos que em breve ainda vamos estar melhores. A equipa está numa fase ascendente apesar da derrota contra o Vezprem, mas estamos contentes com o que fizemos agora. As expectativas para esta época são aquelas que toda a gente tem num clube como o FC Porto, que é ser campeão nacional. Sabemos da dificuldade que é, mas também sabemos que se este grupo de atletas conseguir transportar para dentro do campo o ADN do FC Porto e querer ganhar muito, será muito difícil conseguirem derrotar-nos.

BnR: Até o meio da primeira parte, a equipa conseguiu equilibrar o jogo. Chegou a estar em igualdade pontual, mas depois o resultado começou a avolumar-se e não mais a equipa conseguiu aproximar-se do marcador. Isso deve-se ao facto da equipa ser muito jovem, ter muitos jogadores novos e ainda carecer do necessário entrosamento? Qual será a importância de ter na sua equipa um jogador tão intenso e com tanta capacidade ofensiva como o Rodrigo Esteves?

Filipe Magalhães: Não entramos bem no jogo, entramos com algumas dificuldades na recuperação defensiva, conseguimos corrigir e equilibrar o jogo. Depois claro que o FC Porto começou a rodar a equipa, nós também o fizemos, e as armas são diferentes. No entanto, perdemos algumas bolas e falhamos algumas situações de finalização e o FC Porto massacrou-nos com transições. Foram sete ou oito golos em transição e daí o marcador se foi avolumando, e isso ditou a distância no marcador. Tivemos uma boa atitude competitiva e isso deixa-me muito satisfeito. Espero que o Rodrigo consiga trazer o que trouxe hoje: golos e muita intensidade, e isso faz com que a equipa esteja sempre comprometida com o jogo, e foi essa uma das razões porque o trouxemos. Queremos evoluir e em poucas épocas conseguir-nos colocar mais próximo dos lugares cimeiros. Para esta época, queremos ficar no grupo A, vai ser um campeonato muito competitivo. Há ali um conjunto de seis equipas a lutar por três lugares, e nós queremos estar o mais acima possível. 

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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