Bahrain 25-26 Portugal: Mais uma página de história para o Andebol luso

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A CRÓNICA: CAPDEVILLE DE OURO DEIXA HERÓIS DO MAR A RESPIRAR MELHOR

Era, após uma derrota inicial diante do Egito, que os “conquistadores” pretenderiam limpar a face diante de uma seleção do Bahrein que saíra derrotada diante da campeã mundial e olímpica, Suécia, por somente um golo de diferença. Com Gilberto Duarte já em Tóquio rendendo um lesionado de última hora (Alexandre Cavalcanti), Portugal entrava com o triunfo a ser conjugado de modo imperativo!

De referir que anteriormente, já neste dia a Dinamarca favorita a passar na 2.ª posição do agrupamento se havia superiorizado ao Egito.

Esperava-se, pois, que a seleção que se classificara na sexta posição do pretérito Europeu conseguisse explanar da melhor forma o seu plano de jogo, que tão boa conta havia dado de si nas mais recentes competições. Contudo, e se alguém esperaria algum tipo de facilidade, essa ideia rapidamente caía por terra. Muito agressivo o campeão asiático, mesmo apesar de António Areia ter aberto as hostilidades do marcador.

Rápidos, sempre abordando os lances de modo ultra combativo e com grande solidariedade, os pupilos de Aron Kristjánsson foram tendo o mérito de contestar a alegada superioridade dos comandados de Paulo Jorge Pereira.

Estes últimos, por sua vez, dispondo da uma vantagem de 6-4 por volta dos dez minutos cometeram um rol de falhas técnicas aos seis metros, com o ferro e o guardião contrário a serem fatores preponderantes para frustrarem os ataques lusos. A dez minutos da saída para os balneários e após um parcial de 4-0, seriam a equipa árabe a inscreverem no marcador um surpreendente 6-9.

Após uma vintena de minutos em que Portugal jogara bem longe do rendimento que nos levou a terras nipónicas, iniciamos uma recuperação que redundou num parcial de 14-15 em tempo de pausa. Resultado simpático em face do rendimento apresentado pelos Portugueses que iam vendo um adversário: sem medo, nada precipitado e altamente eficaz em todas as ações do duelo.

No regresso das cabines, por intermédio de Miguel Martins, Portugal lançava as bases para aquela que seria uma segunda etapa imprópria para cardíacos!

Erros, erros, e mais erros. Assim se ia pautando a fase inicial de segundo tempo da parte dos europeus. Só Gustavo Capdeville, a nível assombroso evitava que a coisa descambasse.

Com a equipa das Quinas a continuar a revelar demasiadas hesitações, havia, contudo, a destacar um aumentar de agressividade defensiva, que mantinha tudo em aberto com o marcador a registar um resultado desfavorável de 20-21. Isto tudo a 15 minutos da conclusão do embate.

Com os dois guarda-redes a revelarem superioridade perante os atacantes, o confronto ia seguindo taco a taco e com pouca qualidade técnica de ambos os lados. Até que Daymaro Salina, a menos de dois para o final, excluído por dois minutos deixaria a nossa seleção em inferioridade numérica até ao apito final. Foi aí e mais uma vez com aparente mão divina do malogrado Alfredo Quintana, que os heróis do mar demonstrando uma garra e crença inabaláveis conseguiram fintar todas as adversidades.

Mesmo num dia em que quase nada parecia correr bem, seria, com menos de um minuto para jogar, num contra-ataque bem construído que Pedro Portela finalizava com superior mestria. Após nova falha dos árabes na conversão de um livre de sete metros, fez-se história no andebol nacional, carimbando de modo épico a primeira vitória de sempre para a modalidade em tal acontecimento desportivo.

Agora o 3.º capítulo desta Odisseia será contado no próximo dia 28, quando as quinas defrontarem a Suécia.

 

A FIGURA

Gustavo Capdeville – O guardião a militar no SL Benfica provou mais uma vez todo o potencial que lhe é reconhecido, sendo ele a manter nos momentos mais complexos a equipa à tona do resultado. O atleta transmitiu grande tranquilidade e foi o principal fator catalisador para a remontada!

O FORA DE JOGO

Falta de agressividade defensiva de Portugal no 1.º tempo – Talvez pela baixa estatura dos atletas da formação do Bahrain e uma vez que Portugal tem por hábito perder no capítulo da estatura para os seus rivais, o sistema defensivo demorou a ser eficaz, denotando muitas dificuldades para parar as investidas de um possante ataque adversário. Bem Paulo Jorge Pereira, que alertando os seus atletas, teve a virtude de colmatar essa falha para os derradeiros 30 minutos.

 

ANÁLISE TÁTICA – BAHRAIN

O técnico Aron Kristjánsson optou por atuar com uma defesa 3x2x1, que condicionou fortemente o jogo nacional, que esteve a léguas de ser impressionante. Esta estratégia aliada ao enorme compromisso físico dos intérpretes comandados pelo experiente técnico islandês foram questões perturbadoras da circulação de bola nacional e que levaram a erros pouco normais.

EQUIPA E PONTUAÇÕES

Mohamed Ali (8)

Ahmed Al-Maqabi (6)

Mohamed Habib (7)

Ahmed Jalal (5)

Hassan Al-Samahiji (4)

Ali Merza (5)

Mohamed Naser (5)

Hussain Al-Sayyad (7)

Mohamed Merza (8)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

A equipa lusa apresentou o seu sistema habitual, uma defesa 6×0 que não se revelou particularmente acutilante e bem sucedida numa fase inicial. No entanto importa salientar que os ataques em sete para seis, e ao contrário do sucedido diante dos egípcios funcionaram na perfeição, sendo uma das formas chave para a obtenção deste saboroso e fundamental triunfo.

EQUIPA E PONTUAÇÕES

Humberto Gomes (4)

João Ferraz (7)

Rui Silva (6)

Daymaro Salina (6)

Diogo Branquinho (5)

André Gomes (6)

António Areia (7)

Gustavo Capdeville (9)

Pedro Portela (8)

Alexis Borges (6)

Vitor Iturriza (5)

Fábio Magalhães (6)

Luís Frade (5)

Miguel Martins (6)

Diogo Rodrigues
Diogo Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.

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