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Quarto lugar que sabe a pouco

Leonardo Costa Bordonhos · 4 min

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Durante o mês de Julho, a seleção nacional de andebol masculino sub-21 esteve em Pontevedra, Espanha, a disputar o Mundial da categoria, tendo atingido um brilhante quarto lugar, a sua segunda melhor classificação de sempre em mundiais da categoria.

Depois do quarto lugar atingido o ano passado no Europeu de sub-20, esta competição veio confirmar o nível e a qualidade que esta geração tem e que pode deixar entusiasmados todos os adeptos de andebol portugueses. Assim, há algumas coisas que podemos retirar deste mundial, tanto positivas como negativas.

Positivo

Diogo Silva abriu as portas de entrada para a seleção principal com as suas exibições neste Mundial, tendo sido eleito o melhor lateral direito da competição bem como o melhor marcador, com uma média de oito golos por jogo. Atualmente jogador do FC Porto, mas emprestado ao Celje Pivovarna, Diogo vai disputar o grupo A da EHF Champions League, o que lhe vai dar experiência e ritmo competitivo, fundamentais para a sua afirmação como futuro da seleção portuguesa.

Diogo Valério confirmou todo o seu potencial como um dos futuros guarda-redes de seleção. Defendendo uma média de sete remates por jogo, foi determinante no embate frente à Eslovénia ao defender um remate da ponta no último segundo, garantindo assim o apuramento para as meias-finais. Aproveitando ao máximo os seus reflexos e estatura física, o guarda-redes emprestado pelo SL Benfica ao CF Belenenses provou ser uma muralha difícil de ultrapassar e a experiência só o irá melhorar.
Luís Frade confirmou toda a sua qualidade neste Campeonato do Mundo
Fonte: IHF

Luís Frade é, neste momento, o melhor pivot da sua geração, não a nível interno, mas sim mundial. Uma força tremenda tanto no plano ofensivo como defensivo, o pivot do Sporting CP é a voz de comando da seleção e um general dentro de campo. Com apenas vinte anos é já um dos melhores pivots a nível nacional e coloca em sentido qualquer defesa, dados os seus recursos técnicos – veja-se o jogo frente à Croácia na meia-final do campeonato em que várias vezes arrastava dois ou três defensores consigo tal era a preocupação croata. Depois de uma época de adaptação ao serviço dos leões, este será o ano de afirmação de Frade no plano europeu devido à participação na Liga dos Campeões. Se mantiver o nível que tem demonstrado até agora o futuro passará certamente para uma mudança para o estrangeiro para um dos campeonatos de topo.

A resiliência e capacidade de ultrapassar momentos menos bons foi a imagem de marca desta equipa ao longo da competição. Fruto de ser o quarto torneio que esta equipa disputou desde 2016, na altura o Europeu sub-18, o entrosamento demonstrado nos momentos difíceis foi chave para atingir este quarto lugar. Teria sido fácil desmoralizar depois do jogo frente ao Brasil na primeira jornada, em que esteve a perder por onze golos ao longo da partida, terminando com uma desvantagem de “apenas” 5, mas os jogadores portugueses cerraram fileiras e conseguiram ultrapassar esse obstáculo. Será importante transportar este espírito de grupo para a seleção principal nos anos futuros.

Negativos

Independentemente da modalidade, nove jogos em treze dias é excessivo e perigoso para os atletas. Quando se trata de um desporto tão exigente fisicamente como o andebol, então o perigo e o potencial para lesões é ainda mais acentuado. No jogo da meia-final era claro que os atletas portugueses se encontravam em défice fisicamente e que isso os afetava na tomada de decisões. A IHF tomou a iniciativa e a partir de 2020 todas as seleções serão obrigadas a ter pelo menos um dia de descanso entre jogos. No entanto, isto apenas se aplica a seleções seniores, não contemplando assim os sub-21, sub-20, sub-19, etc. Para bem de todos, atletas e adeptos incluídos, estas medidas têm que ser transversais a todos os escalões.

A atuação do selecionador acaba por ficar manchada pelas últimas partidas
Fonte: EHF

A atuação do selecionador nacional foi muito fraca nos momentos importantes e, por injusto que pareça, Portugal poderia ter neste momento uma medalha de ouro ou prata caso tivesse agido de forma diferente. Claro que é fácil falar depois de terminar e no calor do momento é extremamente complicado tomar decisões, mas as falhas do treinador não foram do foro técnico ou tático da equipa, apesar de também aí terem existido, mas sim na gestão dos atletas. Para se ter uma noção, Portugal levou dezassete atletas para o Mundial. Desses dezassete, apenas nove atletas jogaram vinte minutos ou mais em média ao longo do campeonato, com o sete inicial a ter jogado, em média, 44 minutos por jogo!

No final do campeonato, o selecionador afirmou que «O facto de não termos começado bem obrigou-nos a limitar a rotatividade e não nos podemos esquecer que foram 9 jogos em 13 dias, houve jogadores que foram demasiadamente utilizados.» Apesar de ser verdade que número de jogos teve um papel importante, numa competição deste género acima de tudo é preciso gerir fisicamente os atletas, é por essa razão que se levam dezasseis ou dezassete. Como se explica então que cerca de metade dos atletas convocados tenham jogado uma média de 10 minutos ou menos ao longo de todo o torneio ou que certos jogadores tenham jogado menos de trinta minutos na totalidade do mundial.

 

Como conclusão, Portugal realizou um campeonato brilhante, ficando no quarto lugar, e estes atletas mereciam uma medalha por todo o esforço e resiliência que demonstraram. Mas apesar de não terem conseguido, esta geração de sub-21 é uma das gerações jovens de ouro e se for bem trabalhada e não tiverem medo de arriscar, podemos estar a ver o início de uma fase extremamente positiva para o andebol masculino português. A seleção sénior deu o primeiro passo ao apurar-se para o Europeu 2020, agora será a vez destes jogadores mostrarem que merecem chegar ao patamar mais alto. E se continuarem assim, ainda darão muitas alegrias aos adeptos portugueses.

Foto de Capa: EHF

Revisto por: Jorge Neves

Leonardo Costa Bordonhos

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