

O Sporting entra na temporada 2026/27 numa posição singular. Por um lado, continua a apresentar-se como a principal força do andebol português, sustentado por um ciclo de sucesso sem precedentes recentes. Por outro, já conhece o horizonte que se aproxima: o fim de uma era marcada pelos irmãos Costa e por Ricardo Costa, protagonistas de uma das gerações mais brilhantes da história do clube.
A confirmação da saída de Martim e Francisco Costa para o andebol alemão no verão de 2027 não significa o encerramento imediato de um ciclo. Pelo contrário. Representa a oportunidade de preparar o futuro sem comprometer o presente. E é precisamente por isso que o Sporting continua a partir como favorito à conquista de mais um campeonato nacional.
Nos últimos anos, os leões construíram muito mais do que uma equipa vencedora. Construíram uma cultura de exigência, uma identidade competitiva e uma estrutura capaz de se manter no topo mesmo perante mudanças inevitáveis. Os títulos conquistados consecutivamente não foram fruto apenas do talento excecional de alguns jogadores, mas também da estabilidade de um projeto desportivo que soube crescer de forma sustentada.
É evidente que os irmãos Costa assumem um papel central neste domínio. São dois dos melhores jogadores portugueses da atualidade e referências incontornáveis do andebol europeu. A sua qualidade individual desequilibra jogos, eleva o rendimento coletivo e torna o Sporting uma equipa mais forte. Mas a história demonstra que os clubes verdadeiramente dominadores não dependem exclusivamente das suas estrelas; dependem da capacidade de criar contextos vencedores.
A época que agora se inicia poderá mesmo funcionar como uma ponte entre duas gerações. Enquanto continua a lutar por títulos, o Sporting terá também a missão de integrar novos protagonistas e preparar a sucessão de algumas das suas figuras mais emblemáticas. Trata-se de um exercício delicado, mas que surge numa fase de força e não de fragilidade.
Benfica e FC Porto procurarão certamente aproveitar qualquer sinal de desgaste. Ambos possuem qualidade suficiente para discutir o campeonato e sabem que o futuro poderá trazer um equilíbrio diferente. No entanto, a realidade atual continua a favorecer os leões. A continuidade técnica, a experiência competitiva acumulada e a confiança adquirida através das vitórias recentes fazem do Sporting a equipa a bater.
Mais do que uma época de despedidas, 2026/27 pode ser encarada como a última oportunidade para consolidar uma dinastia. Os rivais veem uma janela de oportunidade a aproximar-se. O Sporting vê a possibilidade de prolongar o seu domínio e deixar uma herança ainda mais sólida para o futuro.
A reforma está em curso. O clube já sabe que mudanças importantes chegarão dentro de um ano. Mas até lá, nada indica que a ordem estabelecida no andebol português vá mudar. Pelo contrário. Tudo aponta para que o Sporting continue a liderar o pelotão e a afirmar-se como o principal candidato à conquista do campeonato.
A transição aproxima-se. A hegemonia, essa, parece estar longe de terminar.

