2020: Uma pista coberta diferente

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A propagação do Coronavírus obrigou a uma mudança de planos e já não teremos Mundiais de Pista Coberta em 2020. Mas o que será que isto significa na prática?

UMA TEMPORADA INDOOR SEM GRANDES CAMPEONATOS

Os rumores já circulavam nas redes sociais com alguma insistência e a presente situação de propagação do Coronavírus deixava óbvio que a China não iria ter condições de receber os Mundiais que estavam previstos para março deste ano em Nanjing. Várias hipóteses estiveram em cima da mesa: o cancelamento total do evento, passando a próxima edição dos Mundiais Indoor a ser apenas em 2022; a alteração de sede do evento; o adiamento para o ano seguinte.

Entre estas opções, o adiamento foi a solução escolhida pela World Athletics, que se decidiu pela manutenção da sede em Nanjing (na China), adiando o evento para 2021. A Federação Internacional confirmou que outras cidades manifestaram interesse em organizar o evento em 2020, mas a Federação decidiu que o melhor seria não deixar cair Nanjing, que tinha feito todo o trabalho de preparação.

Para isso terão contribuídos diferentes fatores: 1) Sendo um ano especial (Doha acabou tardíssimo e há Tóquio em agosto), muitos atletas da nata da elite já tinham decidido não realizar esta temporada de pista coberta, focando-se em exclusivo na temporada ao ar livre; 2) Cerca de seis semanas parece manifestamente insuficiente para montar toda a estrutura necessária para a realização dos Campeonatos. A isso haveria que acrescentar a logística de todos os agentes envolvidos e garantia que tudo estaria pronto a horas; 3) O facto da World Athletics ter agora uma apertadíssima ligação com a China – sendo que o Wanda Group é o seu principal parceiro – poderá ter contribuído para a tomada de decisão de não deixar Nanjing sem campeonatos.

A decisão – que, na nossa opinião, acaba por ser a mais sensata e razoável – torna a temporada 2020 de pista coberta numa temporada totalmente atípica e não menos será a de 2021. Pela primeira vez desde 1969, não existirá um grande campeonato em pista coberta a fechar a temporada para os atletas europeus, que sempre estiveram habituados a Europeus ou Mundiais a fechar esse período. Também 2021 será um ano especial, pois, com esta decisão, Nanjing irá receber os Mundiais duas semanas depois de Torun (na Polónia) receber os Europeus de pista coberta. Esta situação aconteceu por três vezes na história, sendo que a última foi em 1989. Mas quais serão as reais implicações da não-realização de Mundiais Indoor este ano?

PODE SABER A POUCO…

Noah Lyles é um dos atletas que já tinha confirmado que não iria fazer indoor em 2020
Fonte: World Athletics

É impossível de o esconder: sem a realização de grandes campeonatos, ficará sempre a faltar algo a esta temporada de pista coberta no que diz respeito ao desporto de elite.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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