Só há um Évora. Aproveitemos!

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Se alguém pode, é ele. Se existe uma possibilidade, ele vai fazê-lo. Estamos no quinto ensaio e ainda ninguém saltou acima de 17 metros? Há um homem que nunca irá tremer nessa situação: Nelson Évora! Habituou-nos mal. Já estamos desconfiados. Mesmo quando não lidera um concurso, mesmo quando as coisas não parecem estar a correr-lhe bem, dentro de nós existe uma sensação que ele vai conseguir fazê-lo quando for preciso. À hora certa, quando os olhos do mundo estiverem sobre ele. #The Moment. O slogan dos Europeus de Berlim pareceu feito à medida de Nelson. Ontem, mais um Ouro. Não mais um Ouro. O Ouro que lhe faltava ao ar livre. Por incrível que pareça, Nelson Évora nunca tinha sido campeão europeu ao ar livre! Foi ontem e já nada lhe falta. Sempre que falarem dos maiores do nosso desporto, nunca se esqueçam de falar de Nelson Évora. E coloquem-no bem lá no topo porque esse é o seu lugar. 

Quanto ao concurso, que muitos terão a tentação de classificar como de nível baixo dadas as marcas dos seus adversários, a verdade é que o mesmo não estava fácil e essa dificuldade já se notava na fase de qualificação. Nelson Évora venceu a final com um salto de 17 metros e 10 centímetros (-0.1) à 5ª tentativa, o seu melhor ao ar livre em 2018. Ultrapassava aí o líder do concurso, Alexis Copello, que se ficou pelos 16.93 metros (+0.1). A medalha de Bronze foi para o grego Dimitrios Tsiámis em 16.78 (-0.1), também a sua melhor marca do ano. 

No seu ritual de vitória, Nelson apanhou a areia da caixa e guardou-a numa garrafa, deu uma das sapatilhas ao público e estava visivelmente feliz por mais um título a este nível, este com um sabor muito especial, como o atleta viria a confessar em palavras à imprensa no final, onde mais uma vez fez questão de agradecer aos portugueses, de mostrar o seu orgulho na nossa nação e o quão grato está por levar o nosso nome além-fronteiras. Pelo meio deixou uma alfinetada a Pedro Pablo Pichardo e aos responsáveis pelo seu processo de naturalização, apelidando de “ridículo” a compra de atletas reputados para fins desportivos e pedindo uma maior aposta e melhores condições para os jovens nacionais, sem se esquecer de elogiar a prestação dos seus colegas que competiram em Berlim.

Nelson Évora e Inês Henriques, os dois medalhados de Ouro em Berlim
Fonte: FPA

Aqui, aquela velha máxima, tantas vezes apregoada no futebol, adequa-se na perfeição: as finais são para serem ganhas. No Atletismo não é diferente. Pouco importa a marca com que se é campeão, a marca com que se alcança uma medalha. A medalha é de Évora e para sempre será. O português tem que provar nada a nível de marcas. Já o fez no passado. Provou a nível de marcas, provou a nível de palmarés, provou ao nível da sua capacidade de superação e resiliência. Nelson não tem absolutamente nada a provar no desporto. Um dia os nossos filhos e os nossos netos falarão de Nelson Évora e isso só está ao alcance dos melhores da história. 

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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