- Advertisement -

cab basquetebol nacional

De: Daniel Melo

Para: Anónimo

Caríssimo, não costumo dar títulos às minhas cartas. Mas esta, expressamente, teria de ter um. Sei que não és muito dado às questões sociológicas. Porém, neste caso, é imperioso que me auxilie delas para te explicar o desenvolvimento de um dos jogos mais espetaculares do mundo.

“O jogo é uma atividade geradora de prazer, que não se realiza com uma finalidade exterior a esta, mas sim por si mesma.” (J.C.Cultera). E é isso mesmo: o desporto em geral, e o basquetebol em particular, têm esta capacidade de nos criar alegria em crescendo, permitindo-nos ter reações que de outro modo não teríamos, e ter comportamentos que a nível social seriam altamente reprováveis. O basket, como jogo coletivo, é a consciência de ser do outro, mas de outro modo que não na vida corrente.

Assim, como defendia o evolucionismo, o basquetebol, sendo um desporto coletivo integrado na sociedade e com a sociedade, foi evoluindo em contato com esta. Já referimos que o número de jogadores foi diminuindo paulatinamente, mas também os sistemas defensivos (zona, homem ou misto) e atacantes. Claro que dentro destes há muitas nuances a serem exploradas. Sê-lo-ão, futuramente. Por fim, o mais importante: o jogo tornou-se muito mais rápido. E a nossa vida também não anda à velocidade da luz? Literalmente: a rotina, o levantar, comer, trabalhar (ou não), o ginásio, o constante tocar do telefone, o jogo marcado com os amigos e… tudo mais parece não fazer sentido. A vida evoluiu. O jogo também. Ficou veloz. A nossa vida é lesta. Passa rapidamente.

Michael Jordan
O jogo ganhou mais velocidade e ficou mais físico
Fonte: bigcan.egloos.com

O desporto é o espelho de uma sociedade; dá para fazer o diagnóstico de ambos apenas olhando para um ou para outro. Segundo D. Blásquez, e desculpa-me por mais outra citação, “o desporto como fenómeno social não tem vida em si mesmo, não possui autonomia, é simplesmente o produto de uma cultura, de uma civilização ou, inclusivamente, de uma ideologia. De qualquer modo, o certo é que a sua evolução está subordinada à da sociedade.” Lewis Morgan (1818-1881), considerado um amigo dos índios e o mais notável autor evolucionista, publicou em 1877 A Sociedade Arcaica, onde esquematizava a evolução do Homem: selvajaria, barbárie e civilização. Terá o basquetebol tido o mesmo progresso? É uma forma bonita de finalizar esta carta.

P.S. – Viste o Benfica? Mais uma Supertaça para as vitrinas. Venceu o Vitória de Guimarães por 86-82; pode ser que tenha aprendido a lição da semana passada. Espero que esta cartinha chegue ao destino. Os correios andam mal, e vamos ver se não os vão tornar ainda piores. Mas não te apoquentes: tenho um pombo treinado de reserva.

Subscreve!

Artigos Populares

Luis Enrique sobre Nuno Mendes: «Não existem jogadores perfeitos, mas…»

Luis Enrique deixou grandes elogios em relação ao Nuno Mendes, mas assumiu que não existem jogadores perfeitos.

Samu Aghehowa pondera sobre operação à rotura do ligamento cruzado anterior

Samu Aghehowa lesionou-se gravemente durante a partida entre o FC Porto e o Sporting. O espanhol ainda não decidiu onde será operado.

Olheiro BnR | Kerim Alajbegovic

Alajbegovic decidiu representar a seleção da Bósnia, uma escolha que poderá colocá-lo como uma das principais referências ofensivas do país.

Benfica viaja para os Açores e Rui Costa deixa mensagem positiva

O Benfica viajou esta quinta-feira para os Açores e Rui Costa assumiu estar confiante no que falta da temporada.

PUB

Mais Artigos Populares

Más notícias: segunda metade de 2025/26 promete ser para esquecer para Darwin Núñez

Darwin Núñez não foi inscrito na Primeira Liga Saudita e vai apenas participar nos encontros da Champions Asiática pelo Al Hilal.

Afinal (ainda) temos campeonato

E quando tudo fazia prever que o campeonato estaria a ser pintado de azul e branco, bastaram duas jornadas para que esse quadro se alterasse.

Conselho de Disciplina instaura processo ao FC Porto devido à atitude dos apanha-bolas no Clássico

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol instaurou um processo ao FC Porto, devido à atitude dos apanha-bolas no Clássico.