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A dinastia que nunca existiu: O colapso dos Orlando Magic dos anos 90 #1

Diogo Valente Vieira · 5 min

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Os amantes de longa data do basquetebol profissional relembram a década de 90 como uma grande era na história da NBA. Embora dominada por Michael Jordan e pelos seus inevitáveis Chicago Bulls, a liga estava repleta de equipas talentosas e pivots que acabariam por tornar-se lendários (Patrick Ewing, Hakeem “The Dream” Olajuwon, David Robinson, Dikembe Mutombo, entre outros).

Contudo, existe uma equipa que não parece receber muito crédito pelo papel que desempenhou nesta época. Algo no mínimo surpreendente, tendo em conta que foi o único conjunto a eliminar Jordan dos playoffs durante os anos 90.

Os Orlando Magic foram uma das franquias de expansão mais sortudas de todos os tempos. As vitórias consecutivas no Draft renderam-lhes Shaquille O’Neal e Penny Hardaway, o que lhes permitiu ir subitamente do nada para as finais da NBA em apenas 6 anos.

Os Magic tinham tudo para ser a equipa do futuro… anté colapsarem sem qualquer troféu de campeão. A perda de Shaq desempenhou um papel importante neste descalabro imprevisível, mas também lesões graves, más trocas e alguns negócios muito bons que saíram pela culatra devido à má sorte contribuíram para a destruição de uma dinastia que nunca chegou a materializar-se.

Desfrutem da história de Shaq, Penny e dos cativantes Orlando Magic.

Foto de Capa: NBA

CAPÍTULO 1: O COMEÇO ATRIBULADO

Sempre que uma liga desportiva opta por expandir, as novas organizações começam numa situação difícil face ao resto da competição. Em 1989, a NBA decidiu adicionar duas novas equipas, passando de 23 para 25. As cidades escolhidas foram Minnesota e, mias importante para esta história, Orlando.

Cada outra conjunto da NBA conseguiu proteger oito dos seus melhores ativos, pelo que mesmo os melhores jogadores das equipas recém fundadas eram apenas os nonos melhores atletas de outras organizações. Dos doze jogadores que Orlando contratou, apenas dois permaneceriam na franquia por mais de três anos. As probabilidades realmente estavam contra eles.

Juntamente com o seu nome pouco convencional, os Magic ostentavam uniformes listrados chamativos e música mexida na sua arena. Mas apesar de seu estilo moderno, as exibições em campo eram uma deceção. Na sua temporada inaugural, Orlando teve um recorde de 18-64, o segundo pior registo de toda a NBA.

Nenhum jogador dos Magic atingiu a marca dos 20 pontos por jogo, sofrendo ainda uma média de 119.8 pontos por jogo, de longe o pior registo da liga. Nesse mesmo verão, os Magic selecionaram Dennis Scott, extremo proveniente da universidade Georgia Tech, para formar uma dupla com Nick Anderson, o primeiro jogador proveniente do Draft na história da organização, selecionado na 11ª posição da edição de 1989.

Dennis Scott acabaria por ter uma média de 16 pontos por jogo na sua temporada de estreia, mas foi outro jogador que se tornou numa completa revelação nos Magic: Scott Skiles. O base de 26 anos teve uma média de 18 pontos e 8 assistências, e ganhou o prémio de «Most Improved Player» da NBA. Naquela temporada, Skiles também quebrou o recorde de assistências num jogo da liga, com 30 passes certeiros contra Denver a 30 de dezembro de 1990. Os Magic terminaram a temporada com um recorde de 31-51, mas havia alguma esperança em Orlando com Anderson, Skiles e Dennis Scott no plantel.

Infelizmente, na temporada de 1991-92, muitos dos veteranos de Orlando estavam a entrar a declinar, e os Magic regrediram para um recorde negativo de 21-61. Nick Anderson e Dennis Scott permaneceram promissores, com média de 19.9 pontos cada, aos 23 e 24 anos.

Ainda assim, estes foram os únicos jogadores com menos de 27 anos como uma média de 20 minutos em campo. Ficou claro que os Magic precisavam de uma mudança drástica. Por outras palavras, era imperativo rejuvenescer o plantel e encontrar uma verdadeira superestrela.

CAPÍTULO 2: A CHEGADA DO SALVADOR

No verão de 1992, foi exatamente isso que receberam. Mais concretamente, um talento único de 2,16 metros de altura e 147 quilos. Uma superestrela dentro e fora do campo, uma celebridade nos filmes, um cantor de rap mediático e, acima de tudo, um super atleta com potencial ilimitado.

Shaquille O’Neal foi escolhido pelos Orlando Magic com a primeira escolha do Draft da NBA de 1992. As expectativas não poderiam ter sido maiores para Shaq na sua temporada de estreia. E com as esperanças de toda uma cidade depositadas em si, o “Big Diesel”, como viria a ser conhecido, fez questão de mostrar todo o seu valor.

Com o ressurgimento do inconsistente Scott Skiles, e Nick Anderson e Dennis Scott a desempenharem papéis secundários em torno de O’Neal, os Magic transformaram-se num conjunto respeitável da NBA. Nos seus primeiros sete dias na NBA, O’Neal disputou cinco partidas, teve médias de 25.8 pontos, 16.4 ressaltos e 3.4 desarmes de lançamento por jogo e recebeu o prémio de Jogador da Semana.

Já na sua temporada de novato, teve médias de 23.4 pontos em 56.2% de aproveitamento em lançamentos de campo, 13.9 ressaltos e 3.5 desarmes por jogo. O seu excelente desempenho fez com que recebesse o prémio de Novato do Ano e, mais impressionante ainda, O’Neal tornou-se no primeiro novato a ser votado para titular de um All-Star Game desde Michael Jordan, em 1985.

Os feitos de O’Neal no seu primeiro ano na NBA não pararam por aí: o pivot foi o primeiro novato a marcar 1 000 pontos e agarrar 1 000 ressaltos numa temporada desde Buck Williams em 1982 e, no final da época, O’Neal havia marcado 1 893 pontos, um novo recorde dos Magic. Shaq foi também o único jogador da temporada a estar entre os primeiros colocados em quatro categorias: foi o segundo melhor em ressaltos conquistados (com apenas dez ressaltos de diferença para o primeiro colocado, Dennis Rodman), o terceiro a registar mais desarmes de lançamento, o quarto em aproveitamento de lançamentos de campo e o oitavo em pontos marcados.

Por sua vez, Skiles foi importante com um registo de 15 pontos e 9 assistências por partida, Anderson teve novamente uma média de 20 pontos e Scott acrescentou os seus 16 pontos a esta estatística. Apesar de não terem conseguido a classificação para os playoffs da liga, os Magic encerraram a temporada com um registo de 41 vitórias (20 a mais do que na temporada passada) e 41 derrotas, naquela que, até então, havia sido a mais bem-sucedida época da sua curta existência.

Diogo Valente Vieira

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