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UMA NOVA ERA, UM NOVO BASQUETEBOL
O evolucionismo é uma teoria ligada a Charles Darwin. Nessa, o cientista britânico explica que a espécie humana sofreu alterações ao longo dos tempos, tendo em conta o meio ambiente onde habitam. Apesar de a NBA e Darwin não terem uma ligação direta (que se saiba), podemos adaptar conceitos. Ao longo dos 75 anos da liga, existiram enumeras mudanças, mas a forma como o jogo se adaptou ao longo de tantas épocas é muito interessante.
Não é uma, nem duas vezes, que ouvimos “És alto/a, devias jogar basquetebol!”. No início, essa era a ideia principal. Com poucos princípios táticos estabelecidos, é recorrente, quando vemos vídeos dos anos 50/60, percebermos que existe um padrão definido de jogador. Altíssimo, com pouco atleticismo e layups ao invés dos poderosos afundanços, que invadiram as partidas nas décadas seguintes.
O jogo de equipa e a distribuição dos pontos eram conceitos que, para quem jogava basquetebol, eram pouco ou nada utilizados. Marcas como os 100 pontos de Wilt Chamberlain, em 1962, parecem, cada vez mais, impossíveis. Nos últimos anos, tivemos exibições como os 81 pontos de Kobe Bryant, mas existe um grande fator que distancia as duas eras.
15 years ago today 💜💛
The quarter by quarter breakdown of Kobe Bryant’s 81-point game from all angles. pic.twitter.com/zi4La7CG8s
— NBA (@NBA) January 22, 2021
Esse fator é, sem mais, nem menos, a introdução dos três pontos. Quando a NBA se fundiu com a ABA (um caminho alternativo que tinha jogadores lendários como Julius Irving ou Rick Barry), a liga adicionou a linha inovadora criada pelo mercado com quem rivalizava. Apesar de os adeptos adorarem, alguns jogadores detestavam porque se tinham de habituar a um novo estilo de jogo.
Fazendo a ponte com os dias que correm, estas reações tornam-se quase um motivo de humor. Apesar de datadas, tornam o desenvolvimento do basquetebol um tópico interessante de conversa. Sem a linha de três pontos, alguns dos jogadores mais baixos, provavelmente, iam continuar a ser marginalizados e esquecidos no tempo.
Imaginem se acontecesse mesmo de Stephen Curry e Damian Lillard jogarem no mesmo time algum dia. 👀 pic.twitter.com/eBwRBlDbT8
— NBA do Povo 🏀🇧🇷 (@NBAdoPovo) March 8, 2021
Para muitos, os três pontos podiam ser um cheat code para que as exibições com grande volume pontual individual aumentassem, mas tal não se observa. A introdução de cada vez mais jogadores europeus e as rotinas de um basquetebol menos egoísta (por exemplo, os Spurs de Gregg Popovich) podem explicar essa tendência.
Esta mudança de paradigma não tem muitos anos. Stephen Curry, quando foi escolhido no Draft, em 2009, muitos especialistas não esperavam que o base tivesse um grande futuro na NBA. No entanto, apesar de algumas contribuições anteriores, o jogador dos Golden State Warriors está ligado à grande mudança de mentalidades na NBA e no basquetebol em geral.
Na minha opinião, ninguém pode defender que uma era é melhor que outra, porque as características são muito diferentes. Cresci com jogadores como Curry e Lillard a dominar e, por isso, posso ficar mais ligada ao “novo jogo”, mas o basquetebol dos anos 70 também trouxe noções fundamentais para os dias de hoje. A evolução é uma teoria que assiste todos os papéis da sociedade e a NBA não foi exceção.
Foto de Capa: Denver Nuggets
A NOVA VAGA DE PIVÔS
Nikola Jokic had himself a first half:
🔥 33 points
🔥 13-17 shooting
🔥 4-4 from three-point range pic.twitter.com/A8RBOlFaK7— BroBible (@BroBible) January 31, 2021
Com as mudanças que advêm da banalização da marcação de triplos, a posição que partia em desvantagem eram os pivôs/centers. Os jogadores mais pequenos ganharam o destaque que os antepassados angariaram durante algumas décadas, com maior propensão para lançar e, por consequência, marcar mais pontos.
Nos últimos anos, voltámos a ter jogadores “grandes” a dominar. No entanto, esse domínio é diferente do que os pivôs exerciam na antiga vaga. Agora, jogadores como Nikola Jokic e Joel Embiid marcam uma tendência. São jogadores internacionais e não seguem a norma de serem apenas altos, a estrutura física também é claramente distinta de há umas décadas.
Se, há uns anos, dissessem ao Dwight Howard, por exemplo, que um jogador semelhante a ele (em termos de fisionomia) poderia ganhar o Skills Challenge, provavelmente ia se rir na nossa cara. A verdade é que, nas últimas edições, vimos exatamente a “história” a passar nos nossos olhos.
Domantas Sabonis defeats Julius Randle, Luka Doncic and Nikola Vucevic to win #TacoBellSkills and earn an additional $75,000 for UNCF! #NBAAllStar pic.twitter.com/IDlFlIEWP3
— NBA (@NBA) March 8, 2021
No último All Star Game, Domantas Sabonis dominou uma competição que parecia talhada para outro tipo de jogadores. Com passe, dribble e triplos no menu, os bases venceram as primeiras edições deste concurso. Entretanto, desde a vitória de Karl-Anthony Towns, em 2016, os bigs encontraram uma forma de conseguirem ser relevantes.
Agora, o feitiço pode se virar contra o feiticeiro. Depois de encontrarem uma forma de contornarem o passado, os bases podem, no futuro, voltar a ter que encontrar novas formas de dominar. Com a “banalização” dos triplo-duplos e da marcação de triplos, será que a NBA vai mudar alguma regra?
Tudo são meras especulações. Por exemplo, a liga pode ponderar uma linha de quatro pontos. Os Harlem Globetrotters e a BIG3, uma competição de 3×3 cheia de ex-jogadores da NBA, já adotaram o conceito, que parece, cada vez mais, uma realidade nada distante. Aí, as adaptações voltariam a acontecer. A evolução é inevitável e só os bons jogadores conseguem acompanhar.












