Publicidade

A lealdade devia ser mútua

António Pedro Dias · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho modalidades

Com a “época de trocas” a chegar ao fim na NBA, os Clippers foram os primeiros a mexer com algum peso no plantel. Os californianos enviaram a estrela da companhia, Blake Griffin, mais Willie Reed e Brice Johnson para Detroit. Por seu lado, os Pistons enviaram Avery Bradley, Tobias Harris, Boban Marjanovic, uma escolha de primeira ronda e uma de segunda no draft. Os Clippers continuarão a procurar mais negócios que permitam uma revolução no plantel, mas esta primeira troca traz à tona um problema maior: quando se pede lealdade a um jogador, o mesmo devia ser garantido por quem a pede. E é por aí que os Clippers saem mal desta troca.

Em julho de 2017, pouco depois de perderem Chris Paul para os Rockets, os Clippers apostaram tudo em Blake Griffin. O “menino da casa” escolhido em primeiro lugar no draft, ao qual fizeram uma apresentação mostrando o que seria liderar a equipa de Los Angeles, ser dos Clippers para toda a vida e, acabada a carreira, ter a sua camisola pendurada e o seu número retirado para a eternidade. Os Clippers prometeram a Griffin que ele seria a estrela e o poste foi na conversa. Cinco meses depois, acabou trocado para uma cidade que nunca teve interesse em chamar de “casa”.

Imaginemos agora esta situação ao contrário. Imaginemos que em julho passado, Blake ouvia a apresentação dos Clippers mas optava por ir jogar para outro lado. Rapidamente a equipa de L.A. começaria a falar em lealdade em várias “indiretas, que na verdade são bastante diretas” para o seu ex-menino querido. Os adeptos chamariam Griffin de traidor e assobiariam o poste em qualquer jogo que ele fizesse no Staples Center. Porque no caso do jogador, mudar de ares, é traição. Porque na realidade, “ele só pensa no dinheiro”. No caso da equipa que faz isto, basta puxar do cliché “isto é um negócio” e logo tudo se torna perdoável.

Depois de Griffin, DeAndre Jordan deverá ser o próximo a ser trocado pelos Clippers Fonte: LA Clippers
Depois de Griffin, DeAndre Jordan deverá ser o próximo a ser trocado pelos Clippers
Fonte: LA Clippers

Blake Griffin vai juntar-se aos Pistons, não fazendo da turma de Stan van Gundy mais favorita do que era antes. E os Clippers vão continuar a mandar os seus melhores ativos embora, numa reconstrução que lhes permite serem flexíveis em termos de ordenados nos próximos verões. No entanto, o maior problema continuará (e acontece com qualquer equipa) que é o da lealdade e da confiança.

Sim, Griffin podia ter-se protegido com uma cláusula que impedisse ser trocado. Mas os Clippers ficarão sempre manchados, mesmo aos olhos de jogadores que possam potencialmente estar interessados em rumar a Los Angeles no futuro, por aquele momento em que prometeram o mundo à sua maior estrela. E depois ignoraram tudo, escondendo-se à sombra do “futuro da equipa”.

Foto de Capa: NBA

António Pedro Dias

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.