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Mr. Gregg Popovich

João Dinis · 3 min

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Um dos melhores treinadores da história. Cinco títulos de campeão. Três vezes Coach of the Year. Uma das maiores figuras da liga. Uma filosofia diferente.

Na sua vigésima primeira época ao comando dos San Antonio Spurs, Gregg Popovich é bem conhecido por todos. Antes de tudo o resto, reconhecemos-lhe o seu sucesso desportivo: desde que chegou apenas falharam os PlayOffs na sua primeira temporada e, desde aí foram sempre terceiros ou melhor na sua conferência.

Os Spurs de Popovich são, de facto, uma das equipas mais bem-sucedidas da NBA desde 2000. E mais do que os títulos, será preciso relembrar o estilo, a forma ímpar de jogar bom basquetebol.

Baseando-se numa defesa sólida, capaz de controlar o mais temível e avassalador dos adversários, onde todos têm um papel decisivo e onde as ajudas são preponderantes. Os cinco comandados por Pop que sobem a palco funcionam como um só, sempre bem coordenados e sempre com uma imensurável vontade de proteger o seu cesto.

É o ataque que diferencia os motivadores dos grandes treinadores, e este senhor é ambos. Se defensivamente impera a organização a garra de ganhar, o ataque é espetacular, exuberante e letal. Um principio básico, que se ensina aos miúdos, e completamente apaixonante: partilha da bola. Passes e mais passes, acompanhados por uma quase frenética movimentação de todos os jogadores, sempre na busca da melhor solução, do chamado “homem sozinho”. O mínimo de isolation moves, não existe dependência de nenhum jogador e todos são capazes de meter a bola lá dentro. Dinâmico e organizado, acaba por ser espetacular sem afundanços monstruosos e sem alley-oops no contra-ataque.

Não raras vezes Tim refere-se a Pop como um segundo pai Fonte: ESPN
Não raras vezes Tim refere-se a Pop como um segundo pai
Fonte: ESPN

Nas equipas deste treinador não existem estrelas, todos são importantes, mais, todos são fundamentais. Tim Duncan, um dos melhores de sempre, é alguém que encaixa na perfeição neste perfil, nunca lhe vimos as exuberâncias que seriam de esperar a alguém da sua enormíssima qualidade. Foi o grande parceiro de Pop, construíram juntos um verdadeiro legado na equipa texana. Reza a lenda que o treinador fez questão de conhecer pessoalmente Timy, o seu contexto emocional e as suas origens socias, pois acreditava que se tratava do futuro líder da sua equipa. E assim foi.

Não podemos esquecer Tony Parker e Manu Ginobili. Dois génios capazes do impossível, dois malabaristas descoberto pelo mestre. O Francês foi o 28º a ser escolhido em 2001, o Argentino 57º em 1999. Dois verdadeiros achados, só ao alcance daqueles que têm a capacidade de ver à frente, de antecipar o futuro. E o resultado é o melhor, todos conhecemos, à boleia de um transformador capaz de fazer Boris Diaw ou Danny Green elementos decisivos de um plantel.

Fonte: USA Today
Fonte: USA Today

Mais do que dentro de campo, Popovich é um notável fora dele. A sua boa disposição (e falta de paciência) para qualquer repórter é já uma imagem de marca. É uma das vozes da razão no seio da liga, e todos escutam com atenção as suas opiniões.

A falta de paciência para entrevistas é normalmente superada com boa disposição Fonte: hdnux
A falta de paciência para entrevistas é normalmente superada com boa disposição
Fonte: hdnux

É bem conhecida a preocupação e intervenção social que a NBA ousa ter, e Pop, como não podia deixar de ser, faz questão de ser um dos rostos destas campanhas. Mais que o treinador da equipa de basquete, tornou-se num símbolo, numa figura que é mostrada aos mais jovens como um modelo.

Foi uma das vozes mais solidárias perante os graves problemas de saúde de Craig Sagger Fonte: CNN
Foi uma das vozes mais solidárias perante os graves problemas de saúde de Craig Sagger
Fonte: CNN

E é um bom modelo, não haja dúvida. Recentemente, numa palestra para um grupo de adolescentes, realizada com o professor universitário Cornel West, deixou a ideia que mais que o sucesso desportivo, interessa-lhe que os seus jogadores sejam melhores homens, que consigam contribuir para uma sociedade melhor. E essa ideia já tinha ficado evidente, quando nunca se alheou da componente humana dos membros da sua equipa, que todos lhe reconhecem. Este é o seu maior legado, e é também isto que queremos transmitir aos jovens praticantes da modalidade, é também este o papel de um treinador.

Em 2016/2017 Gregg Popovich enfrenta um dos maiores desafios da sua carreira. Impor-se na conferência dos super Golden State Warriors, ainda por cima pela primeira vez sem Tim Duncan. Desta vez terá de recentrar a equipa à volta do jovem Kawhi Leonard para tentar devolver a equipa às finais. Se não conseguir jamais será um fracasso. Primeiro porque já o fez uma vez, e a sua capacidade humana e desportiva nunca será posta em causa. E segundo, porque vale muito mais que as vitórias e títulos amealhados. Mas todos queremos ver mais e melhor desta figura eterna.

E agora, Coach Pop? Mostra-nos mais, por favor.

Foto de capa: ESPN

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

João Dinis

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