Há espaço para playoffs em Atlanta?

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E se, de repente, o talento fosse a única característica necessária para triunfar? Estariam os Hawks mais próximos dos playoffs no seu terceiro ano de remodelação? A equipa de Atlanta era na época passada e será ainda mais na nova, uma das equipas obrigatórias para quem gosta de assistir a bom basquetebol. Resta saber se o talento e irreverência destes jovens são suficientes para se estabelecerem já, o que seria surpreendente, como uma das oito melhores equipas da sua Conferência.

Os Hawks são a equipa que mais vezes me faz questionar se eu na realidade percebo alguma coisa disto. E por isso lhes agradeço, porque muito tenho aprendido. Fui crítico de uma renovação de plantel, começada anos atrás, que não fazia sentido para mim e ainda mais crítico da troca que permitiu aos Mavericks ficaram com Luka Doncic, levando Trae Young para Atlanta.

O plantel dos Hawks não era mau o suficiente para conseguirem o que quer que fosse do draft (conseguiram John Collins, ponto para os Hawks). E Doncic era o melhor jogador na altura e aquele que, nos 14 milhões de futuros que o Dr. Strange conseguiu ver, se afigurava em todos menos uns vinte ou trinta como o jogador com melhor carreira. Mas seria aquele que encaixaria melhor na visão do novo treinador Lloyd Pierce e da direção dos Hawks? Claramente não. Ponto para os Hawks novamente.

Mas juro que aprendi com os meus erros e hoje estou completamente do lado desta equipa. O crescimento de Kevin Huerter a fazer lembrar demasiado Klay Thompson (com Trae Young na equipa, faz lembrar demasiado uma certa equipa em quem poucos também acreditaram no início), a ascensão de John Collins como um poste móvel e poderoso ou a recuperação de Alex Len são méritos de uma equipa que trabalha muito bem. Juntam-se a eles três rookies de qualidade, dois deles com um potencial tremendo.

O trio de rookies dos Hawks, da esquerda para a direita: Bruno Fernando, Hunter e Reddish
Fonte: Atlanta Hawks

De’Andre Hunter vem oferecer já a versatilidade defensiva que tantas vezes faltou à terceira pior defesa da época transata. O extremo tem pormenores interessantes no ataque, com e sem bola, mas é do lado defensivo que se destaca e onde pode comandar, tendo em conta as fragilidades da equipa.

O caso mais intrigante é mesmo o de Cam Reddish. O extremo teve uma época muito abaixo do esperado em Duke, completamente abafado por Zion Williamson e RJ Barrett mas é para muitos, eu incluído, o jogador com o maior potencial deste draft. Reddish consegue fazer tudo em campo e com aparente baixo esforço. Se conseguir ser consistente em todas as suas virtudes, que vão desde o lançamento exterior à penetração, às assistências e defesa exterior, será um jogador de elite.

Para chegarem a um nível de playoffs, os Hawks precisam de muito mais do que talento. A maturidade é chave na NBA e isso só se consegue com tempo. Mas não seria de estranhar que uma equipa que tão bem joga basquetebol e com tantos bons executantes, comandados por um Trae Young que fechou a temporada em grande forma, esteja na luta até ao fim numa conferência completamente em aberto. Deixem-nos sonhar com isso e assistam os jogos. Não se vão arrepender.

Foto de Capa: Atalanta Hawks

Revisto por: Jorge Neves

António Pedro Dias
António Pedro Diashttp://www.bolanarede.pt
Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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