Os New York Knicks voltaram ao trono | NBA

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Sempre ouvi dizer que quem espera sempre alcança, e os New York Knicks, após 53 anos de “seca”, voltaram a conquistar a NBA. Os adeptos da equipa nova-iorquina aguardavam por este momento há mais de cinco décadas e, finalmente, chegou o dia. Os Knicks venceram os San Antonio Spurs no quinto jogo da final por 94-90, fechando a série em 4-1. Com este triunfo, conquistaram o terceiro título na NBA, depois das vitórias em 1970 e 1973.

A palavra reviravolta resume muito bem estes cinco jogos das finais. Os Knicks começaram todos os jogos em desvantagem, mas a vontade e a resiliência daqueles jogadores, muitos dos quais sabiam que esta poderia ser a única oportunidade de se tornarem campeões, fizeram com que este título fosse histórico. O jogo 4 ficará para a história da competição, mas já lá vamos. Além da vontade e da resiliência, Jalen Brunson foi a alma desta equipa e esta conquista muito se deve a ele. Por isso, foi considerado o MVP das finais.

Era muito difícil de prever que o título da NBA de 2026 iria para Nova Iorque, apesar da excelente prestação na fase regular. Na Conferência Este, os Knicks terminaram no terceiro lugar, atrás dos Detroit Pistons e dos Boston Celtics, com um registo de 53-29, com o quarto melhor ataque e a sétima melhor defesa. No entanto, foi durante os play-offs que começaram verdadeiramente a mostrar que eram candidatos ao título.

Os Hawks foram o primeiro adversário dos play-offs, numa série onde a equipa de Atlanta chegou a liderar por 2-1. A partir do jogo 4, os Knicks afinaram a máquina e venceram 13 jogos consecutivos, deixando pelo caminho os Philadelphia 76ers e os Cleveland Cavaliers, respetivamente. Vencer estes dois adversários por 4-0 de forma consecutiva é algo notável, uma vez que os Sixers tinham eliminado os Celtics, enquanto os Cavs afastaram os Pistons, precisamente as duas equipas que terminaram à frente dos Knicks na fase regular. 27 anos depois, os Knicks voltavam a disputar uma final de NBA.

Knicks e Spurs voltaram a encontrar-se numa final, depois da equipa nova-iorquina ter vencido a NBA Cup em dezembro. Mesmo com uma campanha épica, os Knicks não eram considerados claros favoritos, até porque do outro lado estava uma equipa jovem à procura de fazer história. Os Spurs terminaram a fase regular em segundo, com um impressionante registo de 62-20, apenas superado pelos Oklahoma City Thunder. Nos play-offs afastaram os Portland Trail Blazers, os Minnesota Timberwolves e os próprios Thunder. A equipa de Victor Wembanyama chegou a estar em desvantagem por 3-2 na final da Conferência Oeste, mas conseguiu dar a volta à série e eliminar os campeões em título, chegando moralizada à final.

Nos cinco jogos das finais, a história era quase sempre a mesma, os Spurs entravam melhor e assumiam a liderança, mas, a partir do terceiro tempo, os Knicks renasciam e davam a volta ao marcador. Curiosamente, nos únicos jogos em que a equipa orientada por Mike Brown chegou ao intervalo em vantagem, o rendimento baixou na segunda parte e um desses jogos terminou com a vitória dos Spurs, que reduziram para 2-1.

Chegávamos, assim, ao quarto jogo, que seria crucial para o desfecho desta final. No Madinson Square Garden, a equipa da casa esteve em vantagem durante um segundo, mas foi o suficiente para vencer o encontro. Os Spurs estavam determinados a empatar a série e chegaram ao intervalo com uma vantagem de 27 pontos. Não satisfeitos, iniciaram o terceiro período e ampliaram-na para 29.

O ambiente na arena era melancólico. Os adeptos já não acreditavam na vitória, uma vez que nenhuma equipa tinha recuperado de uma desvantagem superior a 24 pontos numa final da NBA. Contudo, os rapazes de Mike Brown não baixaram os braços e chegaram ao último período a perder por 15 pontos. O melhor estava reservado para o fim. A faltar apenas um segundo para o final e separados por um ponto, Jalen Brunson lançou um triplo. A bola não entrou, mas OG Anunoby surgiu no ressalto e colocou-a dentro do cesto. A arena mais famosa do mundo foi à loucura e presenciou um momento histórico. No último lance da partida, Stephon Castle não conseguiu lançar e o cronómetro chegou ao fim.

No derradeiro jogo, os New York Knicks, com mais uma reviravolta, bateram os Spurs por 94-90 e, 53 anos depois, voltaram a ser coroados campeões da NBA. Brunson esteve em grande destaque nas finais, especialmente no jogo 5, onde marcou 45 pontos. O base norte-americano é a principal estrela da equipa desde 2022, mas para conquistar um título na NBA uma grande estrela não basta, é preciso uma constelação.

Josh Hart e Mikal Bridges têm uma excelente química com Brunson, fruto dos tempos em que jogaram juntos a nível universitário, em Villanova. Havia mais um elemento da turma de Villanova, mas os Knicks, numa trade com os Timberwolves em 2024, trocaram Donte DiVincenzo por Karl Anthony Towns. O poste teve um papel fundamental nestas finais ao conseguir limitar a influência Wembanyama. Para finalizar o quinteto inicial, OG Anunoby. Um jogador capaz de fazer um pouco de tudo dentro do campo e ficará para sempre associado ao cesto decisivo no jogo 4.

Mike Brown foi o obreiro deste título histórico e soma agora dois títulos ao comando dos Knicks, depois da conquista da NBA Cup. Chegou a Nova Iorque no verão passado para substituir Tom Thibodeau, despedido após a dececionante prestação da equipa nas finais da Conferência Este. Brown é um treinador que privilegia a rotação do plantel, recorrendo frequentemente aos jogadores suplentes para garantir que os titulares chegam aos momentos decisivos em melhores condições físicas. E essa foi uma das chaves para o sucesso.

Gonçalo Carneiro
Gonçalo Carneiro
Gonçalo é licenciado em Ciências da Comunicação e encontrou na escrita o refúgio perfeito para se manter ligado ao mundo do desporto. Acredita que o jornalismo desportivo é o seu rumo ao estrelato.

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