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Recordar é Viver: A carreira lendária de Ticha Penicheiro

Clara Maria Oliveira · 3 min

Recordar é Viver: A carreira lendária de Ticha Penicheiro
Foto: WNBA

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A magia tem o dom de encantar o ser humano. Alguns mágicos usam a varinha e a cartola para nos iludir e deixar sem palavras, mas, neste caso, toda a arte era feita com a intervenção de uma jogadora e a bola de basquetebol. A simplicidade e o virtuosismo também podem transparecer nos passes e nos malabarismos, e neste caso a bola sorria quando tocava nas suas mãos.

Na Figueira da Foz nasceu uma estrela que atravessou o mar para tentar, como muitas outras, realizar um sonho. Numa altura em que a liga de basquetebol feminina americana (WNBA) começava a dar os primeiros passos, Ticha Penicheiro rumou a um mundo novo, ainda sem grandes certezas de que poderia ser o melhor passo para a, então, jovem jogadora.

Depois dos primeiros toques na bola laranja e preta no Ginásio Figueirense, a base portuguesa transferiu-se para a União Desportiva de Santarém. Nos Scalabitanos sagrou-se campeã nacional, venceu a Taça de Portugal e ainda conquistou a Supertaça. Depois de um arranque positivo na sua carreira, era hora de partir e aumentar os horizontes.

Com isso, surgiu a oportunidade de jogar na NCAA (campeonato universitário americano) pela Universidade de Old Dominion, onde se formou em comunicação ao mesmo tempo que podia jogar basquetebol. Pelas Monarchs, Ticha Penicheiro realizou quatro anos de bom nível, e levou a equipa à final universitária por uma vez, onde ganhou um lugar no melhor cinco da competição.

Com a maior naturalidade, a WNBA chamava pelo talento de Ticha. No draft de 1998, as Sacramento Monarchs depositaram toda a esperança na capacidade da portuguesa, e acabaram por a escolher com a segunda escolha da primeira ronda. Não é preciso dizer que a escolha foi certeira, porque os números falam por si.

Até o franchise de Sacramento deixar de fazer parte da liga, a base portuguesa estabeleceu-se como uma das melhores jogadoras da competição, e inclusivamente ajudou a formação a vencer um título da WNBA. A lenda de que uma varinha mágica tocava a atleta antes dos jogos começou a surgir devido à espontaneidade e magia que colocava em todos os courts onde passava.

Mesmo depois de rumar às Los Angeles Sparks, e mais tarde às Chicago Sky, o profissionalismo e a qualidade mantiveram-se intactos. As dez épocas na maior liga de basquetebol feminino no mundo não passaram ao lado de quem ama a modalidade, e inclusivamente Magic Johnson chegou a dizer a Ticha que a conhecia e admirava.

Conhecida pelos passes certeiros, e alguns menos ortodoxos, Penicheiro foi durante alguns anos a recordista de assistências na competição – ultrapassada por Sue Bird em 2017. Além de alguns recordes, a portuguesa fez parte da lista de 15 e 20 melhores jogadoras nos primeiros 15 e 20 anos da WNBA, e faz parte do Hall Of Fame do basquetebol feminino americano.

Ticha Penicheiro é uma das atletas que cria nos adeptos e amantes da modalidade a inocência e a alegria de quando éramos crianças. Digo é, porque no presente continua a inspirar milhões de jovens em todo o mundo, e o legado da portuguesa sai além das fronteiras de Portugal e dos Estados Unidos da América. Recordar é viver e, neste caso, é também motivar.

Foto de Capa: WNBA

Artigo revisto por Joana Mendes

Clara Maria Oliveira

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