

Embora Portugal não seja tradicionalmente uma potência do basquetebol europeu, vários jogadores nacionais conseguiram construir carreiras relevantes fora do país. Ao competir em ligas estrangeiras — muitas vezes mais competitivas e mediáticas — estes atletas contribuíram para aumentar a visibilidade do basquetebol português e abrir portas às gerações seguintes. Da NBA às principais ligas europeias, estes cinco jogadores representam exemplos importantes da internacionalização da modalidade.
O Bola na Rede ilustra esta ideia com cinco exemplos que singraram não só em Portugal, mas também além fronteiras.
Neemias Queta
O caso mais mediático do basquetebol português na atualidade é o de Neemias Queta. Natural do Barreiro e formado no Barreirense, o poste destacou-se desde cedo pela sua envergadura e pela enorme capacidade defensiva. Ainda jovem decidiu mudar-se para os Estados Unidos para prosseguir carreira no basquetebol universitário, ingressando na Universidade de Utah State.
Ao serviço dos Utah State Aggies, Queta rapidamente se afirmou como um dos postes mais dominantes da Mountain West Conference. Na sua melhor temporada universitária registou médias superiores a 14 pontos, 10 ressaltos e quase 3 desarmes de lançamento por jogo, números que lhe valeram duas distinções como Defensive Player of the Year da conferência.
Em 2021 fez história ao tornar-se o primeiro jogador português selecionado no Draft da NBA, sendo escolhido na 39.ª posição pelos Sacramento Kings. Durante a sua passagem pela equipa californiana alternou entre a NBA e a G League, onde conseguiu números muito sólidos, frequentemente acima dos 15 pontos e 10 ressaltos por jogo.
Mais tarde transferiu-se para os Boston Celtics, um dos emblemas mais históricos da NBA. Na temporada 2023/24 integrou o plantel que conquistou o título da liga, tornando-se o primeiro jogador português campeão da NBA. A sua evolução continuou nas épocas seguintes, afirmando-se progressivamente como um poste defensivo consistente, capaz de contribuir com ressaltos, bloqueios e presença física na área interior.
O percurso de Neemias Queta representa um marco histórico para o basquetebol português e abriu novas perspetivas para jovens jogadores nacionais que sonham chegar ao mais alto nível da modalidade.
Carlos Andrade
Carlos Andrade é uma das figuras mais marcantes do basquetebol português das últimas duas décadas. Nascido em Luanda, Angola, e internacional português durante muitos anos, destacou-se como um extremo versátil, capaz de contribuir em vários aspetos do jogo.
Depois de iniciar o seu percurso em Portugal, Andrade mudou-se para os Estados Unidos, onde representou a Hofstra University no basquetebol universitário norte-americano. Durante a sua passagem pela NCAA demonstrou ser um jogador completo, com capacidade para pontuar, defender e participar na construção ofensiva.
Após concluir a carreira universitária regressou à Europa, iniciando uma trajetória profissional que incluiu uma importante experiência internacional na Alemanha. Andrade representou o BG Göttingen, clube da Bundesliga alemã, uma das ligas mais competitivas da Europa central. A passagem por este campeonato permitiu-lhe competir num contexto mais físico e exigente, enfrentando jogadores de elevado nível competitivo.
Posteriormente regressou a Portugal, onde se tornou uma peça fundamental do SL Benfica. Ao serviço do clube encarnado conquistou vários títulos nacionais e afirmou-se como um dos líderes da equipa durante vários anos, sendo frequentemente um dos principais marcadores.
Também na seleção portuguesa teve um papel relevante, participando em diversas campanhas de qualificação europeia e assumindo frequentemente responsabilidades ofensivas importantes.
Betinho Gomes
Betinho Gomes é outro dos jogadores portugueses que conseguiu alcançar o basquetebol internacional. Nascido em Cabo Verde e internacional português durante muitos anos, construiu uma carreira longa e consistente, marcada por experiências dentro e fora do país.
Após se destacar no basquetebol português ao serviço de clubes como o Barreirense e a Académica de Coimbra, Betinho teve oportunidade de dar o salto para uma das ligas mais fortes da Europa. O extremo transferiu-se para o Baloncesto Fuenlabrada, clube da Liga ACB espanhola, considerada uma das competições mais competitivas do continente.
Jogar na ACB representou um enorme desafio, uma vez que o campeonato espanhol reúne algumas das melhores equipas da Europa. Durante essa experiência Betinho teve a oportunidade de enfrentar adversários de topo e de ganhar experiência num contexto altamente competitivo.
Posteriormente regressou a Portugal, onde continuou a destacar-se ao serviço de clubes como o Benfica e o Sporting. Conhecido pela capacidade de lançamento exterior, intensidade defensiva e espírito competitivo, Betinho foi durante muitos anos um dos jogadores mais influentes da liga portuguesa.
Na seleção nacional também teve um papel importante, participando em várias campanhas de qualificação europeia e assumindo frequentemente responsabilidades ofensivas.
Elvis Évora
Elvis Évora foi durante muitos anos uma das principais referências do jogo interior no basquetebol português. Natural de Cabo Verde, representou Portugal a nível internacional e construiu uma carreira sólida marcada por conquistas e experiência além-fronteiras.
Com cerca de 2,06 metros de altura, destacou-se pela capacidade de dominar os ressaltos e pela presença física na área interior. Depois de várias temporadas de sucesso no FC Porto, decidiu experimentar o basquetebol espanhol.
Évora transferiu-se para o CB Tenerife, onde teve oportunidade de competir num campeonato mais exigente e com grande visibilidade internacional. Posteriormente representou também o Gandía Bàsquet, continuando a somar experiência no basquetebol espanhol.
Após a experiência internacional regressou a Portugal, onde continuou a conquistar títulos e a desempenhar um papel importante nas equipas por onde passou. Paralelamente foi presença regular na seleção portuguesa durante vários anos.
Miguel Minhava
Miguel Minhava foi um dos bases mais influentes do basquetebol português nas primeiras décadas do século XXI. Conhecido pela visão de jogo, capacidade de organização ofensiva e liderança dentro de campo, construiu uma carreira marcada por vários sucessos.
Grande parte da sua carreira foi passada ao serviço do SL Benfica, clube com o qual conquistou vários campeonatos nacionais e outras competições internas. Minhava desempenhou frequentemente o papel de capitão, sendo um dos líderes da equipa durante vários anos.
Antes de se afirmar definitivamente em Portugal, Minhava teve também experiências no estrangeiro, nomeadamente em Espanha. Essas passagens permitiram-lhe competir em contextos mais exigentes e ganhar experiência internacional que posteriormente aplicou no campeonato português.
Além das competições nacionais, participou regularmente em provas europeias da FIBA, enfrentando equipas de ligas mais fortes e contribuindo para a presença do Benfica nas competições continentais.
Na seleção portuguesa foi durante muitos anos o principal organizador ofensivo da equipa, participando em várias campanhas de qualificação para o EuroBasket.
