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É sabido que qualquer jogo do clássico do Desporto nacional entre Benfica e Porto desperta sempre fortes emoções e que, não raras vezes, isso acaba por se descontrolar e criar situações desagradáveis. Ainda assim, regra geral estes momentos infelizes cingem-se ao futebol e, por isso, talvez se pudesse esperar que um jogo de basquetebol em campo neutro ficasse fora desse registo. Não ficou.

Ainda que não havendo incidentes da maior, houve algumas trocas de “galhardetes” no exterior do pavilhão entre adeptos acalorados que tentavam entrar. O espaço é que era reduzido para tanta gente e o milhar de lugares disponíveis rapidamente se esgotou, deixando muitos de fora.

Apesar de alguma desorganização momentânea pelos incidentes, rapidamente se recuperou a compostura e o gesto que ficou na retina foi o de deixarem entrar crianças assustadas para aérea VIP para poderem assistir à partida. Não bastasse o jogo, ainda puderam desfrutar da agradável companhia do lince Blitz, a mascote da Federação Portuguesa de Basquetebol e das mascotes da  Braga Cidade Europeia do Desporto 2018, o Gusto e a Diana.

Quanto ao basquetebol em si, foram os encarnados que entraram melhor e rapidamente alcançaram a vantagem e chegaram a dobrar os dragões com um 12-6. Chegariam mesmo a atingir os 19-11, mas foi nessa altura que os de azul e branco reagiram e aproveitaram alguns erros do Benfica para encurtar a diferença para 19-17. Nesta fase final do primeiro período, destacaram-se os vários falhanços de parte a parte em lançamentos triplos que acabariam por colocar o jogo em 23-19 ao primeiro descanso.

No reatamento, reagiram os azuis e brancos e logo chegaram ao empate e com vários pontos de Pedro Pinto e iguais falhanços de Carlos Andrade acabariam por chegar à liderança em 28-33. Entretanto, operou-se a mudança da noite, a do ambiente do pavilhão universitário com a entrada de uma claque do FC Porto, que rapidamente se ocupou de destruir algumas faixas dos patrocinadores para as substituir por uma sua. Se no campo, o Benfica aproveitou duas jogadas seguidas de lance livre para encurtar a diferença para um mero ponto, seguidos de um triplo de José Silva para recuperar a liderança (41-39), na bancada o espetáculo começou com insultos ao Benfica e atingiu o ponto alto com cadeiras arrancadas e arremessadas e confrontos com a polícia. Em baixo, não havia como escapar ao olhar perturbado das muitas crianças que assistiam à partida junto da quadra e que não sabiam como reagir às atitudes de quem devia ter mais cabeça que elas. O jogo é que não parava e Carlos Andrade acabaria por se destacar nos últimos instantes para ajudar a manter as águias na frente, liderando por 49-47 ao intervalo.

Festa a sério seria ao intervalo, ainda que mais longo que o habitual por questões de segurança, primeiro com alguns jovens a percorrerem um percurso de obstáculos e tentar marcar dois cestos no mínimo tempo possível e depois com um mini-jogo de exibição da equipa da APD Braga, uma das melhores do país de basquetebol em cadeiras de rodas.

A segunda parte começou com, novamente, o FC Porto a descobrir o caminho para inverter o resultado negativo e construir uma vantagem própria que atingiria um máximo de 5 pontos (55-60), assente muito nas exibições de Pedro Pinto e Marcus Gilbert. Já o Benfica até por duas vezes diminui a vantagem para um ponto através de triplos de Carlos Andrade, mas apresentava alguma inconsistência ofensiva. No entanto, como que se estivéssemos a ver um filme repetido, as águias voltaram a acabar o quarto em força para voltar a ir para a paragem de jogo na frente, desta vez por 73-72.

Gilbert esteve no melhor e no pior dos dragões
Fonte: FPB

Com tanto equilíbrio, haveria mesmo disputa cerrada até ao fim, mas o Porto não conseguiu repetir a entrada dos quartos anteriores e, quando podia ter passado logo para a frente do marcador a abrir, Marcus Gilbert falhou duplamente em lances livres e permitiu aos encarnados dilatar para 75-72. O Porto recuperaria e até chegaria a liderar por 1 ponto, mas o Benfica aproveitou novo falhanço de Gilbert, desta vez a tentar um triplo, para reconstruir a sua liderança para quatro pontos. Os dragões teriam uma última oportunidade quando Carlos Andrade falhou o cesto em duas jogadas seguintes, mas, como em tantas vezes nesta partida, houve lugar a uma repetição, Gilbert tentou o triplo e falhou. No contra-ataque, Soares não perdoou e o lançou os encarnados para uma diferença que parecia decisiva e que atingiu os 97-89, mas Gilbert tirou um coelho da cartola já no último minuto com triplo mais um lance livre para chegar aos 97-95. Na jogada seguinte, Pitts falhou e deixou o Porto com a possibilidade de ganhar o jogo, algo que parecia missão impossível apenas alguns segundos antes. Mas, Gilbert, quem mais poderia ser, teve um erro de autêntico principiante e tanto driblou que deixou passar o tempo de ataque do Porto e entregou o jogo às águias. A menos de um segundo do final, Pitts ainda converteu dois lances livres para fechar o resultado.

Fica o registo de um jogo com emoções fortes e que acabou por conseguir destacar-se mesmo depois dos incidentes com os adeptos. O equilíbrio registado de início a fim acabou por culminar num último quarto em cheio que deliciou os espectadores com as suas reviravoltas e muitos quases de parte a parte. Mas, como tudo no desporto, o que fica para a história é a passagem do Benfica às meias-finais, que disputará no sábado com o Terceira Basket.

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