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Com a “época de trocas” a chegar ao fim na NBA, os Clippers foram os primeiros a mexer com algum peso no plantel. Os californianos enviaram a estrela da companhia, Blake Griffin, mais Willie Reed e Brice Johnson para Detroit. Por seu lado, os Pistons enviaram Avery Bradley, Tobias Harris, Boban Marjanovic, uma escolha de primeira ronda e uma de segunda no draft. Os Clippers continuarão a procurar mais negócios que permitam uma revolução no plantel, mas esta primeira troca traz à tona um problema maior: quando se pede lealdade a um jogador, o mesmo devia ser garantido por quem a pede. E é por aí que os Clippers saem mal desta troca.

Em julho de 2017, pouco depois de perderem Chris Paul para os Rockets, os Clippers apostaram tudo em Blake Griffin. O “menino da casa” escolhido em primeiro lugar no draft, ao qual fizeram uma apresentação mostrando o que seria liderar a equipa de Los Angeles, ser dos Clippers para toda a vida e, acabada a carreira, ter a sua camisola pendurada e o seu número retirado para a eternidade. Os Clippers prometeram a Griffin que ele seria a estrela e o poste foi na conversa. Cinco meses depois, acabou trocado para uma cidade que nunca teve interesse em chamar de “casa”.

Imaginemos agora esta situação ao contrário. Imaginemos que em julho passado, Blake ouvia a apresentação dos Clippers mas optava por ir jogar para outro lado. Rapidamente a equipa de L.A. começaria a falar em lealdade em várias “indiretas, que na verdade são bastante diretas” para o seu ex-menino querido. Os adeptos chamariam Griffin de traidor e assobiariam o poste em qualquer jogo que ele fizesse no Staples Center. Porque no caso do jogador, mudar de ares, é traição. Porque na realidade, “ele só pensa no dinheiro”. No caso da equipa que faz isto, basta puxar do cliché “isto é um negócio” e logo tudo se torna perdoável.

Depois de Griffin, DeAndre Jordan deverá ser o próximo a ser trocado pelos Clippers Fonte: LA Clippers
Depois de Griffin, DeAndre Jordan deverá ser o próximo a ser trocado pelos Clippers
Fonte: LA Clippers

Blake Griffin vai juntar-se aos Pistons, não fazendo da turma de Stan van Gundy mais favorita do que era antes. E os Clippers vão continuar a mandar os seus melhores ativos embora, numa reconstrução que lhes permite serem flexíveis em termos de ordenados nos próximos verões. No entanto, o maior problema continuará (e acontece com qualquer equipa) que é o da lealdade e da confiança.

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Sim, Griffin podia ter-se protegido com uma cláusula que impedisse ser trocado. Mas os Clippers ficarão sempre manchados, mesmo aos olhos de jogadores que possam potencialmente estar interessados em rumar a Los Angeles no futuro, por aquele momento em que prometeram o mundo à sua maior estrela. E depois ignoraram tudo, escondendo-se à sombra do “futuro da equipa”.

Foto de Capa: NBA